GOVERNO DA PROPAGANDA
Olinda Consuelo sustenta "faz de conta da saúde pública" na Assembleia Legislativa
Orientada pelo governo, secretária de saúde falou por três horas mostrando o mundo virtual da gestão de Camilo Capiberibe
José Marques Jardim
Da Editoria
O Tribuna Amapaense vem denunciando desde os primeiros meses do ano, o descaso da gestão de Camilo Capiberibe com a saúde estadual. Falta de licitação a medicamentos e equipamentos básicos. Nas especialidades, como a oncologia, pacientes de câncer em estado terminal deixam de receber morfina, que custa nada mais que R$ 0,20 a ampola. Também faltam agulhas para aplicação da medicação usada na quimioterapia, entre outros problemas graves.
Recentemente, o Conselho Regional de Medicina esteve em uma fiscalização no Hospital de Emergências e constatou o que já era óbvio. A estrutura vem funcionando em estado precário, com pessoas amontoadas pelos corredores em leitos improvisados e até atendimentos de emergência sendo feitos no chão. A imagem de um paciente nesta situação, que acabou não resistindo ganhou as manchetes de jornais, telejornais e programas de rádio que não recebem do governo para elogiar a gestão de Camilo Capiberibe.
Semana passada, mais uma constatação de descaso foi feita pelo Conselho de Enfermagem no Hospital da Mulher, que recebeu a denúncia de que 12 bebês haviam morrido. O presidente do Coren, Aureliano Pires disse ter confirmado apenas dois óbitos, mas além disso encontrou situações que classificou como absurdas. A primeira delas o odor de esgoto sentido logo na entrada do hospital e que se espalha pelos corredores e enfermarias. O risco de se contrair uma doença, segundo ele, é certo. A falta de profissionais foi o segundo problema. Um relatório foi montado detalhando toda a situação. O que o governo não mostra e esconde com tapumes e promessas foi capa da edição passada do Tribuna Amapaense.
Hoje, a gestão de Camilo Capiberibe tem mais de R$ 4 bilhões que deveriam ser usados para ao menos amenizar a situação precária pela qual passa a saúde, onde praticamente nada funciona. Realidade encontrada nos hospitais públicos todos os dias pela população que não tem condição de recorrer a um hospital ou laboratório privado ou pagar a consulta de um médico. Doentes de câncer estão morrendo sem que nada seja feito. Na nefrologia, pacientes reclamam da estrutura precária e falta de medicações básicas como a usada para estabilização da pressão arterial.
Diante de toda esta situação escondida pela mídia adestrada e denunciada pela de oposição, chamada pelo governo de "marrom" por não concordar com desmandos, a Assembleia Legislativa convocou a Secretária de Estado da Saúde Olinda Consuelo para responder a questionamentos. A sessão aconteceu quarta-feira (4) com uma galeria lotada.
No plenário, Consuelo foi sabatinada pelos deputados e disparou uma frase enigmática: "A saúde no Amapá vive hoje seu melhor momento". Recebeu em troca a manifestação das pessoas que lotaram as galerias e mais perguntas dos parlamentares que se apoiaram nos relatos de quem sente na pele o que verdadeiramente é a estrutura da saúde pública no Amapá.
Diante do quadro, a secretária adotou a tática de "matar pelo cansaço" falando por cerca de três horas, mostrando gráficos, números e maquetes para sustentar a tese de que no Amapá a saúde é de primeiro mundo. De acordo com o discurso de Consuelo, não existem filas quilométricas para marcação de consultas e realização de exames, pacientes não morrem no chão do hospital de emergências por falta de leitos e nem estão amontoados nos corredores. Doentes de câncer não enfrentam falta de medicação e atendimento e o que existe é uma rede de saúde eficiente semelhante a de um país de primeiro mundo.
O discurso foi desconstruído inicialmente pelo deputado Eider Pena, do PSD, que rebateu a teoria palaciana de Olinda Consuelo, reforçando os questionamentos com fotografias. Uma das imagens mostram pacientes tomando soro na calçada do Hospital de Emergências. Em seguida foi a vez de Marília Góes, do PDT. A enfermeira que virou secretária insistia em sua tese, mas não soube responder convincentemente às perguntas. A galeria por vezes se manifestou e aumentou ainda mais o visível desconforto de Olinda Consuelo. A ida da secretária à Assembleia Legislativa confirma que hoje, existem dois Estados do Amapá. Um, criado pela propaganda milionária do governo e o outro real, vivido diariamente pela população que procura atendimento e que já perdeu alguém pela falta dele.


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