sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Reflexões

As bases para uma saúde de qualidade no Amapá


No artigo "Quatro prioridades para o Estado do Amapá", publicado neste espaço, defendi que o Governo Estadual deveria eleger a saúde como prioridade número um, depois a educação, a segurança e a criação de empregos e renda.
É claro que a educação deve ser a prioridade número um de qualquer governo, Estado ou nação, porém em razão do atual caos vivenciado na saúde estadual, esta deve ser a nossa primeira prioridade. Não dá para aceitarmos como normal a crônica falta de medicamentos e equipamentos nos hospitais, o sucateamento da rede física hospitalar, a falta de profissionalização e sensibilidade da gestão da SESA para com a dor das pessoas que precisam dos serviços de saúde no Estado, tratados como se fossem meros dados estatísticos.
Entretanto, diante de tantos problemas na rede pública de saúde, vem a seguinte pergunta: por onde começar a renovação da nossa saúde pública?
Para quem conhece um pouco de gestão e de planejamento, sabe que nunca devemos começar a construção de uma casa pelo telhado e sim pelos seus alicerces. Pois bem, quais são os principais alicerces de qualquer serviço público de qualidade? Certamente, dois são inquestionáveis: 1º) pessoas qualificadas e motivadas e 2º) uma gestão profissionalizada e focada em resultados que atendam as necessidades dos usuários do serviço.
Tendo isso em mente, fica claro o equívoco cometido pelo Governo do Estado, que prioriza a ampliação dos hospitais e a construção de novas unidades de saúde. É como se você - leitor(a) - fosse construir sua casa e começasse a construção pelo telhado e não pelas fundações, que darão sustentação às paredes e, inclusive, ao próprio telhado.

O que adiantará termos nossos hospitais ampliados e novas unidades hospitalares construídas se não conseguirmos atrair novos médicos, enfermeiros, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e demais profissionais necessários ao correto e eficiente funcionamento dessas unidades de saúde?

De que adianta a ampliação e construção de novas unidades de saúde se a SESA continuar sem conseguir realizar as licitações para adquirir os equipamentos e medicamentos necessários ao funcionamento dessas novas unidades? Todos sabem que os medicamentos já faltam hoje e que, com as novas unidades em funcionamento, terão sua demanda aumentada. Conseqüentemente, a falta de medicamentos se agravará.
Será que veremos até o término do atual governo inaugurações de verdadeiros "elefantes brancos" sem condições de uso, por falta de equipamentos, medicamentos e profissionais qualificados para atenderem as novas demandas?

Se verdadeiramente queremos uma saúde de qualidade no Estado do Amapá temos que primeiro valorizar os nossos profissionais que atuam na assistência e promoção da saúde pública, dando-lhes um plano de carreira com início, meio e fim, e salários compatíveis com suas responsabilidades.
Sejamos realistas, qual o médico que virá de outros Estados para trabalhar no Amapá ganhando o salário base que ganha hoje? Os que aqui estão só ficam por amor à terra e pela existência dos plantões, forma distorcida e maléfica de melhorar a remuneração desses profissionais. Pela essencialidade e importância de suas atividades, esses profissionais precisam ser reconhecidos e valorizados como Carreiras de Estado. Só assim teremos como atrair profissionais qualificados que possam ajudar a melhorar a qualidade da saúde estadual.

Na área da gestão administrativa da saúde, também só há um caminho a seguir: acabar com os "cabides de empregos" e profissionalizar a gestão com carreiras administrativas bem estruturadas, com acesso por meio de concursos públicos e oferecimento de salários compatíveis com a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde que queremos para o nosso povo.
Sem profissionais qualificados e motivados, não há como estruturarmos um serviço de saúde de qualidade e focado no cidadão. Ou fazemos esse dever de casa ou continuaremos enganando o povo com falsas soluções.

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