sexta-feira, 21 de março de 2014

Educação








Educação
Ministro admite 'problemas estruturais' no setor

REGIS SANCHES


Em sua primeira visita a Macapá, na quinta-feira (20), o ministro da Educação José Henrique Paim admitiu que, apesar dos avanços, o ensino público do país tem problemas estruturais. "É unanimidade que o Brasil tem problemas estruturais na educação pública, mas é preciso reconhecer os avanços dos últimos 20 anos", afirmou.
Paim esteve na capital amapaense para a I Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação dos Estados e do Distrito Federal (Consed). O evento ocorreu nos dia 20 e 21 de março, no Ceta Ecotel.
Segundo o ministro, o gargalo do setor é a má formação dos professores dos ensinos fundamental e médio. "Nosso principal desafio é melhorar a formação dos nossos professores. De nada adianta investir na formação continuada, se o grande gargalo é a formação inicial", diagnosticou o ministro, que é economista e nasceu no Rio Grande do Sul.
Em sua análise, as dificuldades permeiam todas as regiões do Brasil. "Em todo o país há necessidade de mudanças e melhorias no ensino médio", enfatizou. Para piorar a situação, o ministro reconhece que no ensino médio há carência de professores de Biologia, Física, Matemática e Química.

Avanços
Ao expor com franqueza os gargalos da educação brasileira, o ministro da pasta também falou dos avanços obtidos. "Nos últimos 20 anos conseguimos inserir cinco milhões de estudantes nas escolas, mas a educação ainda não tem a qualidade que almejamos".
Entre os avanços, o ministro enumera a melhoria da alimentação escolar, a distribuição dos livros didáticos e o transporte escolar. Ele destacou que o Enem será mantido como importante instrumento para redesenhar os currículos escolares que, em sua opinião, estão defasados diante da realidade.
José Henrique Paim disse que o Ministério da Educação tem um programa de metas a ser concretizadas em 2021. Até lá as prioridades são: investimentos na formação dos professores, melhoria e construção de novas escolas e aprimoramento do ensino profissionalizante.

   Paim, a solução “técnica”
O economista José Henrique Paim, de 47 anos, assumiu o Ministério da Educação em 03 de fevereiro de 2014. Ele substituiu Aloízio Mercadante, que deixou a pasta para ocupar a Casa Civil no lugar de Gleisi Hoffmann.
Paim ocupou o cargo de secretário-executivo da pasta a partir de 2006, desde a gestão de Fernando Haddad, que deixou o ministério em 2012 para concorrer à prefeitura da capital paulista. Segundo o Palácio do Planalto, Paim foi o escolhido como uma solução “técnica” para a sucessão de Mercadante.
O novo ministro da Educação começou atuar mais na área em 2004, após assumir a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal responsável pela execução de políticas educacionais do MEC. Ele ocupou o cargo até 2005.
Devido sua atuação no cargo como secretário-executivo do MEC, Paim ganhou a confiança do ex-ministro Fernando Haddad, sendo o preferido do atual prefeito de São Paulo à sua sucessão, em 2012. Ele chegou a ser cotado pelo governo, mas o escolhido pela presidente Dilma foi o então ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante – que o manteve na secretaria-executiva.

Trajetória
O novo ministro da Educação é economista, com pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Gaúcho, ele nasceu em 1966. Paim foi também subsecretário da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, em 2002.
Entre 1995 e 1998, foi secretário municipal de Captação de Recursos e Cooperação Internacional em Porto Alegre e, depois, Analista de Projetos do Banco do Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul. Atuou ainda como secretário de Planejamento no Rio Grande do Sul, em 2002.

Investigação
Em 2012, durante a campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo, veio à tona uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra Paim referente à época em que ele era presidente do FNDE. O novo ministro da Educação virou réu em uma ação civil pública por suspeita de irregularidades em um convênio de R$ 491 mil com a ONG Central Nacional Democrática, para alfabetizar jovens e adultos.
Auditores do Tribunal de Contas da União identificaram falhas na prestação de contas, como a falta de documentos que comprovassem os pagamentos. Em 2009, o tribunal aceitou a alegação de Paim de que teria sido induzido ao erro. O processo na Justiça Federal de São Paulo, no entanto, seguiu em andamento. 





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