sexta-feira, 21 de março de 2014

Parceria do nada



Parceria do nada


Idênticos na forma de governar, Clécio e Camilo deixam povo à míngua.




JOSE MARQUES JARDIM

O Tribuna Amapaense trouxe em uma de suas edições do segundo semestre de 2013, como manchete de capa, uma comparação politicamente genética entre o prefeito Clécio Luís e o governador Camilo Capiberibe. Na matéria, o jornal levantou a discussão de que ambos têm sim o mesmo DNA político e coincidentemente dividem agora altos índices de rejeição, com Camilo, claro, ainda na dianteira. Proporcionalmente, no entanto, pelo tempo de mandato à frente da PMM, Clécio logo chegará aos percentuais do governador do PSB.


Esta identificação entre os dois políticos que se dizem socialistas já começa nas promessas eleitoreiras de campanha e a forma de se portar perante os adversários. Camilo foi um oportunista que se valeu de um discurso colocado na hora certa na cabeça de um eleitor confuso e atordoado com uma operação policial duvidosa, na qual ele mesmo seria envolvido meses depois.

Mas o momento foi bem aproveitado pelos marqueteiros do PSB local, que viram naquela confusão toda, o momento exato para dar o bote e fabricar o salvador da pátria, o que torna a máxima de que ditadores surgem nos momentos de crise, que o diga Hitler, Mussolini e Stalin, não deixando de fora Fidel Castro, o grande ditador de Cuba.

Camilo fez uma campanha de ataques se valendo das prisões que ocorreram na época, protagonizadas pela Polícia Federal, um cabo eleitoral sem precedentes. Ele mesmo declarou que sem a tal operação jamais teria vencido as eleições. E não venceria mesmo, estava mal colocado nas pesquisas e na aceitação do eleitor, só ficando mesmo na frente do candidato do PSTU. Mas diante do quadro que se apresentou, de uma hora para outra e no período eleitoral, passou a atacar os adversários sem dó ou compaixão com um discurso que a massa queria ouvir. Hoje, o mesmo povo que o elegeu, o quer ver o mais longe possível do Palácio do Setentrião. Tem uma rejeição de mais de 80%, que teria sido classificada por Duda Mendonça, o mago do marketing político que elegeu Lula, como percentual impossível de se reverter. De repente, quem sabe, com uma outra operação contra seus adversários.

Agora vejamos Clécio Luís, o candidato que se intitulava como o novo. Temos aí a primeira semelhança, já que tudo que é novo, supostamente é diferente do que já existe. Camilo propunha a mudança, como forma de mudar o que já havia.

Ambos atacaram os adversários, por vezes, de forma suja e rasteira. Clécio chegou a usar uma criança em sua propaganda eleitoral que atacava duramente o candidato que buscava a reeleição. "Sendo ele professor, como pode admitir o uso da imagem de uma criança para isso?", perguntavam os professores. Mas assim como Camilo, questões éticas pouco importam quando o objetivo é vencer uma eleição, que mais parecia um projeto pessoal do "ensolarado" então vereador, do que um projeto político. Novamente a exemplo de Camilo, promessas das mais mirabolantes foram feitas e direcionada àquele eleitor mais desprovido de consciência política e esclarecimento intelectual. A campanha do ex-secretário de educação do governo João Capiberibe estava direcionada a prometer. O foco era a saúde de primeiro mundo nas unidades de saúde do município, educação de qualidade, ruas asfaltadas com camada asfáltica de 15 centímetros e tapa buraco com compactação, quem lembra?

Mas a promessa feita para fechar com chave de ouro a campanha de Clécio Luís foi a dos cem dias. Em pouco mais de três meses, problemas básicos da cidade seriam resolvidos. Mais de um ano depois, o que se pode dizer que mudou?

Na educação

O programa que garantia uniformes e materiais escolares para crianças carentes foi cortado, assim como a distribuição de cestas básicas a famílias de alunos cadastradas no programa. A merenda reforçada e regionalizada servida nas escolas também acabou. Pais e mães de muitas crianças, este ano se viram prejudicados com a oferta de vagas, a partir da decisão de colocar as matrículas via internet.
A falta de um computador em casa ou do domínio de utilizar o acesso à rede mundial de computadores complicou outro acesso, o das crianças à educação. Como se não bastasse, a única creche que funcionava na rede municipal foi fechada e este ano passou a ser escola. Tudo muito diferente do que foi prometido na campanha do atual prefeito.


Na saúde

Unidades de pronto atendimento consideradas como referência até Clécio Luís assumir a prefeitura, hoje estão fechadas por falta de remédios e manutenção da estrutura. Médicos por diversas já paralisaram atividades cobrando salários atrasados. O prefeito chegou a declarar estado de emergência, mas até hoje a situação permanece precária em toda a rede pública. Também nunca prestou contas de como foi gasto o dinheiro no período emergencial que chegou a ser prorrogado.


Asfaltamento



As ruas de Macapá nunca estiveram tão esburacadas e sem manutenção. Em alguns trechos chega a ser impossível até o tráfego de veículos de médio e grande porte. O programa de asfaltamento tão falado durante a campanha ficou mesmo só na promessa, assim como a qualidade do asfalto que teria 15 centímetros de espessura e mais o meio fio.

Para um prefeito que se propôs ser o novo, Clécio Luís apenas se utilizou de velhas práticas para chegar a seus objetivos. Práticas que aceitaram alianças com partidos chamados pelos esquerdistas de reacionários como o DEM e o PTB. Mas o fiel da balança que lhe garantiu a vitória foi o mesmo o da militância mais fiel do PSB, omitido por ele, Clécio, até o último voto contabilizado das urnas. Depois de eleito, aí sim, Camilo pôde ser mostrado e subir no palanque do PSOL, que até então temia ser contaminado pela rejeição do governador. Dava-se início à aliança da mentira.

Inúmeros convênios foram assinados entre governo e PMM, mas nada saiu do papel. Só para as unidades básicas de saúde foram R$ 5 milhões. Apesar do valor, tudo continua na mesma. Em detalhes cada unidade levou de R$ 1 milhão a R$ 700 mil, como foi o caso da UBS do bairro Congós na zona Norte da cidade, que teve R$ 703.363, 00 para reforma; Rubin Aronovitch Barros, R$ 645.197,00; Perpétuo Socorro, R$ 1.018.672; Infraero II, R$ 711.554,00; São Joaquim do Pacuí, R$ 399.705,00; Pedro Barros, R$ 626.310,00 e Lélio Silva R$ 988.779,00. O prazo para a execução dos serviços foi estipulado em oito meses.


Algum tempo depois a prefeitura divulga a informação de que as unidades estão impedidas de receber recursos pelo prazo de cinco anos por conta de uma carência que o município deve cumprir até 2017. A culpa foi colocada na gestão que anterior, prática comum adotada pelo PSB, o que traz mais uma semelhança entre as duas gestões.

Em resumo, a parceria entre GEA e PMM é um fracasso desde o começo quando se falava em asfaltamento nos cem dias de emergência. O governo prometeu ajudar e virou as costas. Por conta de gestões desastrosas como a de Clécio Luís e Camilo Capiberibe, Macapá tem aparecido constantemente na mídia de forma negativa. O jornal o Estado de S.Paulo publicou a reportagem Macapá, a capital sem água nem esgoto assinada pelo jornalista Pablo Pereira. Nela, aparecem informações como a rede de esgoto atender a somente 3% da população e o restante utilizar fossas sanitárias e 17% dos moradores estarem ocupando áreas de ressaca. Algo em torno de 60% ainda não dispõem de água tratada. O jornalista diz que Macapá é um retrato do descaso.
Para se ter ideia desse descaso, de janeiro a maio do ano passado,

5.483 atendimentos foram feitos no pronto-socorro infantil resultantes de diarreia, vômitos e infecções intestinais. As doenças estão diretamente ligadas à falta de saneamento que parece não incomodar os atuais gestores. Camilo Capiberibe, prestes a terminar o mandato não realizou nenhuma obra nesse sentido, assim como Clécio Luís, que até agora não anunciou nada sobre saneamento. A parceria entre os dois gestores até o momento não passou de encenação, onde ações efetivas parecem estar muito longe de acontecer. No lado mais fraco da corda está a população trafegando em ruas alagadas e esburacadas, tendo péssimo atendimento médico e uma educação que caminha a trancos e barrancos. No lado mais forte, finge-se que tudo está bem e não existem problemas. É um mundo de propaganda onde se gastam rios de dinheiro para mostrar que o novo está fazendo o governo da reconstrução e o "homem da mudança" colocou o governo mais perto de você. A verdade, no entanto, é vivida pelo povo, que está longe das propagandas.

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