EXIGÊNCIAS DO DETRAN - AP
Donos de Autoescola querem diálogo
José Marques Jardim
Da Redação
Motoristas
candidatos à primeira habilitação têm reclamado dos preços cobrados no Amapá
para ter o documento. O que grande parte desta clientela não sabe é que os
centros de formação de condutores, nomenclatura pela qual passaram a se chamar
as autoescolas, têm sofrido um processo de estrangulamento gerado por
exigências do departamento nacional (DENATRAN) e estadual de trânsito (DETRAN).
É
que para cada nova exigência existe um reflexo que cai diretamente nos custos.
Como os centros são empresas que prestam serviço e sobrevivem do lucro, tudo
que acresce tem que ser repassado ao valor do produto oferecido, no caso, as
aulas para os condutores. O primeiro impacto sentido pelo candidato à CNH veio
com a obrigação de aulas noturnas de direção, que antes não eram exigidas antes
da prova prática aplicada pelo Departamento Estadual de Trânsito.
Depois
veio outra exigência. Esta, considerada radical e tomada de “cima para baixo”.
Trata-se da obrigatoriedade dos centros de formação terem um simulador de direção
que custa nada menos que R$ 40 mil. Para muitos centros, a determinação
significa falência devido o valor elevado do equipamento. O prazo dado pelo
Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) para a aquisição foi o início de julho.
A Resolução 444/2013 entrou em vigor em janeiro estabelecendo prazo de
adequação e determinando que quem entrou com processo para expedição de CNH a partir
de 1º julho terá que fazer cinco aulas no simulador, cada uma com duração de 30
minutos.
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| Simulador de direção que será obrigatório a partir de 31 de dezembro |
Com
a data esgotada muitos empresários estão aflitos. Para se ter uma ideia da
gravidade do problema, somente dois centros, dos 27 que existem no Amapá
fizeram a aquisição do simulador. Além de caro, o equipamento é ineficiente na
opinião dos empresários. Outro ponto considerado por eles é que o valor da CNH
pode ficar até R$ 300 mais caro, uma vez que o investimento terá que ser
repassado para o valor das aulas. “É o
consumidor final quem vai pagar por essa determinação que para nós representa
um investimento muito alto sem certeza de retorno”, disse César Arouche, dono
de um dos centros de formação de condutores que funciona em Macapá.
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| Cesar Arouche, dono de autoescola em Macapá |
Sobre
a ineficiência do equipamento, Arouche diz tratar-se praticamente de um vídeo
game desses jogados por crianças e adolescentes. Dentro da comparação ele
questiona se um garoto com habilidade máxima em jogo eletrônico tem a condição
necessária para dirigir um veículo na rua. Pois seria essa a interpretação do CONTRAN
quando considera que um condutor está apto a dirigir a partir das aulas do
simulador.
Já
na opinião do Departamento Estadual de Trânsito do Amapá, o equipamento prepara
o aluno para a prática das ruas de forma eficiente retratando todas as
situações do trânsito real. Para o DETRAN/AP, tem muito candidato que não tem noção
psicológica do que vem a ser a prova prática. O simulador preenche essa lacuna
na opinião do órgão.
Mas
as divergências entre DETRAN e donos de centros de formação de condutores não param
no uso do simulador de direção. Entre os vários pontos de conflito está o fim
da determinação que obriga o instrutor de direção ficar um ano sem exercer a
função, apesar de estar apto a dar aula. Ou seja, mesmo com o certificado em
mãos, que o considera capaz de aplicar o que aprendeu ao aluno, o profissional
recém-diplomado como instrutor fica impedido de exercer a função. Outro
questionamento é a aferição dos veículos usados pelos centros de formação
equipados com pedais de freio e embreagem do lado direito. Eles são usados
pelos instrutores por medida de segurança. O DETRAN do Amapá, segundo os donos
de centros de formação, poderia fazer a aferição. No entanto ela só é feita em
Belém, capital do Estado do Pará, distante 331 quilômetros e com acesso fluvial
que custa entre R$ 300,00 e R$ 400,00 a ida e R$ 500 a volta, num total de
quase R$ 1 mil por veículo só com a viagem. Se a aferição fosse feita em
Macapá, pelo DETRAN local, a economia seria significativa. “Tudo isso onera e
dificulta para os centros de formação que também vivem um momento delicado com
a realidade econômica do País”, dizem os empresários do setor.
Estas
e outras dificuldades foram colocadas em um documento de doze páginas que
relata outros pontos e enumera sugestões de mudança do que é considerado errado
pelos donos de centros. O Tribuna Amapaense teve acesso ao material endereçado
ao diretor-presidente do Departamento, Inácio Monteiro Maciel, e destacou
alguns pontos.
Já
no primeiro parágrafo o documento relata o envolvimento do DETRAN com a
expedição de uma CNH em 24 horas para uma dupla sertaneja de renome nacional, o
que levanta a fragilidade na segurança do órgão, que na época ( 2007), devido a
esse fato, passou por intervenção de 60 dias e não chegou a qualquer resultado.
Mais
à frente o documento trata dos processos de habilitação, que, a partir de março
do mesmo ano, em todos os seus níveis (1ªCNH, Adição de Categoria, Mudança de
Categoria, Renovação, Reciclagem e Infratores) passaram a ser Abertos apenas
pelo DETRAN/AP e suas Unidades do Sistema SIAC, não mais pelas autoescolas.
Segundo o documento, o procedimento só existe no Amapá. “No restante do País a
procura pelos procedimentos de habilitação pelo usuário passou a ser preliminar
não mais nas autoescolas como é o lógico e regular pelo Brasil afora”. E mais –
os exames médicos e psicotécnicos são realizados pelos usuários em uma espécie
de rateio entre os profissionais da área que têm seus honorários tabelados e
oficializados pelo próprio DETRAN/AP que tem ingerência neste setor, quando não
deveria ter. O documento segue dizendo que “tal rateio de exames ocorrem nas
localidades de Macapá e Santana, podendo ocorrer de um munícipe de Macapá ser
encaminhado para realizar seu exame no município de Santana e vice-versa. Outro
ponto é que “as taxas dos serviços de habilitação do DETRAN/AP sejam talvez as
mais CARAS do País, ficando em R$150,00 por cada categoria de habilitação e
totalizando em R$275 na habilitação de carro e moto para a 1ª CNH, muito comum
entre a população”.
Outra
abordagem do documento é quanto ao pagamento das taxas e exames que antes era feito
no fim do processo de habilitação e só pagava quem efetivasse os serviços do
órgão. Ao contrário, os serviços passaram a ser cobrados no início do processo
o que significa um gasto acentuado com as despesas iniciais das autoescolas, DETRAN
e médicos.
A
forma de condução do processo de expedição da CNH pelo departamento também é
criticada. Diz o documento que “o ‘modus operandi’ de se tirar uma habilitação
no Estado do Amapá está profundamente desvirtuado dos modelos praticados em
outros Estados”. O lógico, diz o texto, seria a pessoa procurar inicialmente a
autoescola e se informar sobre custos da CNH. Se houver condição financeira, o
processo já pode ser aberto. A partir daí, o aluno paga os exames e tem que
arcar com os valores das autoescolas, que inclui teoria e prática. Somente no
final desta etapa ocorreria o pagamento das taxas dos serviços prestados pelo
DETRAN. Mas diferente disso, tudo é cobrado de forma antecipada. A prática foi
taxada pelos donos de centros de formação de condutores como “uma espécie de
atentado contra a economia popular”.
No
item cinco, a crítica é quanto aos procedimentos para abertura dos processos da
1ª CNH. O candidato só pode abrir o processo para apenas uma categoria, ou
seja, a carteira vale somente para carro ou para moto. A medida foi tomada com
base na justificativa de que o DETRAN/AP não reunia condições para atender a
solicitação dos usuários em duas categorias.
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| Instrutor fica um ano se poder ministrar aulas |
Em
seguida o documento aborda a imposição para certas cobranças por parte do
departamento. Segundo os donos de centros de condutores, a atual gestão tem
buscado amenizar a situação, o que não existia em direções anteriores.
Um
dos atos passados foi a declaração de que as autoescolas nunca estiveram credenciadas
para funcionar. A acusação é rebatida radicalmente para em seguida ser apontada
como solução a elaboração da Lei Estadual de Credenciamento de Entidades
ligadas ao setor trânsito do Estado do Amapá, além da criação de uma equipe de
trabalho para elaborar Portarias para regulamentar os serviços dos centros de
formação de condutores, despachantes, guinchos, placas, vistorias, pátios de veículos
e outros.
FÁBRICA DE DINHEIRO...
Os
departamentos de trânsito do País, além de gerir a legalidade do tráfego de veículos
têm uma outra função fundamental, fazer dinheiro. No caso do Amapá, só com o
IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores), a arrecadação do
departamento beira os R$ 60 milhões por ano. Considerando as outras inúmeras
taxas e impostos que representam um universo de siglas a quantia é bem mais
alta.
Mas,
enquanto por um lado existe arrecadação, para o outro sobra a evasão de renda. É o caso dos alunos de
autoescolas que ultimamente têm pensado duas vezes para “tirar” a habilitação. No
efeito dominó entre as determinações do Conselho de Trânsito executadas pelos DETRANs
Estaduais estão as auto escolas como penúltima pedra a cair. A última é o
aluno, que a cada determinação dessas tem que pagar mais caro.
Uma
das mais recentes resoluções foi o aumento da carga horária das aulas práticas
para a Carteira Nacional de Habilitação categoria "B" (para carros -
e para quem já possui carteira "A" e quer ter a "B"). Com o
aumento de carga a mensalidade de uma autoescola pode ficar até R$ 600 mais
cara. O efeito deve ser sentido em todo o Brasil. O primeiro Estado a anunciar
a possibilidade do reajuste foi a Bahia, mas no Amapá a situação não será
diferente.
A alteração
de carga horária feita pelo CONTRAN foi regulamentada pela Resolução 493 de
5 de julho de 2014. Serão cinco horas-aula a mais. Antes dela o aluno
tinha 20 horas-aula para a categoria "B". Para quem tem carteira
"A" e quer adicionar a "B", as horas-aula alteram de 15
para 20.
Outra
notícia nada boa para o candidato à CNH no Amapá é o reajuste do exame
oftalmológico. A portaria dando conta do aumento já está valendo e colocaram o
valor para R$ 130 em Macapá e Santana e R$ 140 nos outros municípios. Um ano
antes, em 2014, o valor era de R$ 95. A remarcação de exames para quem foi
reprovado no oftalmológico também aumentou. Em Macapá e Santana passou de R$ 30
para R$ 60. Nos outros municípios ficou em R$ 70.






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