Bruno Belém
brunouuh@gmail.com - 55
91 98262-0305
Conversa amistosa – Final
Continuando...
Na igreja, o lugar era de
espiritualidade, se aprendia doutrina e se exercia a fé; fosse ela judaica,
cristã, e até mesmo os afro religiosos, que tinham seu direito de culto
cerceado, ensinavam, por meio da oralidade, os cantos e rezas. Era o lugar para
conectar-se exclusivamente com o sagrado, abdicando-se do profano, naquela
hora.
As relações entre vizinhos
eram amistosas, isso sem invadir a privacidade do próximo. Salve as exceções de
alguns vizinhos mais inconvenientes.
Todos os vizinhos buscavam
ajudar um ao outro, e o máximo que poderiam cobiçar eram os porcos que viviam
nos quintais. A prioridade era manter a comunidade unida e se desenvolvendo. Às
vezes, essa bucolidade era interrompida por brigas entre famílias, em geral,
não duravam muito, era comum uma das famílias migrar para outro lugar a fim de
fugir do conflito.
Profissionalmente, as pessoas escolhiam suas
carreiras por afinidade, pela área que a família atuava ou tendiam as
profissões de ofício, quando se tinha boas habilidades manuais.
Professores eram apaixonados
pelo ensinar, chamados de mestres, tinham o cuidado de conversar com o pai de
cada aluno e eram dotados de um faro único para detectar quando problemas
domésticos estavam afetando o desenvolvimento do estudante.
Os médicos, embora não dispusessem de tantos
recursos, buscavam melhor assistir a cada paciente. O contato olho no olho
aliado a vontade de ver aquele paciente curado era maior que qualquer retorno
financeiro.
Os advogados eram realmente
comprometidos com os seus clientes. Raramente, se via o jogo duplo entre
advogados, muito menos se cobrava honorários elevados para poder subornar
juízes.
Os profissionais de ofício que
eram alfaiates, relojoeiros, sapateiros entre outros, tinham orgulho de suas
profissões e os seus trabalhos eram sempre realizados com muito capricho, para
que o resultado final agradasse ao máximo o freguês. Hoje vemos esses
profissionais cada vez menos valorizados e tendo que conciliar o ofício com uma
segunda profissão, para que possam ter proventos que lhe permitam ter uma
melhor qualidade de vida.
O meu comparativo é para que
você reflita, se avançamos ou se o que julgamos avanço nos fizeram regredir em
alguns aspectos sociais.
Fico me perguntando; como no futuro eu vou
explicar as letras dessas músicas aos meus filhos? Felizmente, meus descendentes não me verão
dando sarradas no ar e nem dançando os quadradinhos.
Tento imaginar onde iremos nos
apoiar nas dificuldades e com quem iremos compartilhar as nossas vitórias, se a
cada dia as famílias vêm perdendo o valor social e afetivo.
Questiono-me; como vamos buscar o divino, se a
cada dia o ambiente do sagrado torna-se profano. Os líderes, que outrora eram
homens de Deus a disposição da sociedade, hoje são escravos da mola propulsora
do mundo. Sim! Ainda que não sejamos capazes de admitir ou enxergar, cada dia
os nossos líderes religiosos são mais escravos do dinheiro.
Pergunto-me; quando voltaremos
a ser capazes de viver em sociedade sem estarmos a todo momento escondidos
atrás de um smartphone?
Será que você já olhou no
rosto da sua esposa hoje e viu que ela cortou o cabelo a fim de ficar mais
bela? E você mulher, já observou que teu marido deu um trato naquela barba de
bode d’Ele? Ou ambos têm como última imagem do parceiro a foto redondinha do
aplicativo de mensagens!?
E a profissão... Vale a pena
buscar cada dia mais retorno financeiro e status e não ter tempo para desfrutar
da vida?
Você que reclama do médico que
não te olhou nos olhos durante a consulta, já se perguntou se você não faz isso
quando atende a um cliente?
Proponho que no transcurso desta semana você
reflita se as suas ações de hoje serão motivo de orgulho no futuro.
Por isso, vá buscar seu filho
na escola, curte mais sua relação amorosa, visite os seus genitores e/ou
familiares e tente se arriscar preparando sua própria comida, na pior das
hipóteses você tem o aplicativo para te salvar e pedir comida sem sair de casa.
E que tal no decorrer desta semana você evite
os debates acalorados e bi polarizados sobre política? Experimente viver de uma
a duas horas do seu dia sem as distrações que a tecnologia nos proporciona.
Evite o bombardeio de notícias ruins que chegam minuto a minuto e saia um pouco
do fantasioso e perfeito mundo das redes sociais.
De todas as propostas que
lancei, essa é a que gostaria que vocês me contassem a experiência via e-mail
ou telefone, que está no cabeçalho da coluna. Experimentem ir ao lugar sagrado de sua religião, mas antes, desligue o
profano celular e tentem se conectar exclusivamente com Deus.
Aproveita a semana e vive um pouco a moda
antiga, você vai gostar do experimento.

Nenhum comentário:
Postar um comentário