sexta-feira, 9 de junho de 2017

ARTIGO


Bruno Belém
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Conversa amistosa – Final

Continuando...
Na igreja, o lugar era de espiritualidade, se aprendia doutrina e se exercia a fé; fosse ela judaica, cristã, e até mesmo os afro religiosos, que tinham seu direito de culto cerceado, ensinavam, por meio da oralidade, os cantos e rezas. Era o lugar para conectar-se exclusivamente com o sagrado, abdicando-se do profano, naquela hora.
As relações entre vizinhos eram amistosas, isso sem invadir a privacidade do próximo. Salve as exceções de alguns vizinhos mais inconvenientes.
Todos os vizinhos buscavam ajudar um ao outro, e o máximo que poderiam cobiçar eram os porcos que viviam nos quintais. A prioridade era manter a comunidade unida e se desenvolvendo. Às vezes, essa bucolidade era interrompida por brigas entre famílias, em geral, não duravam muito, era comum uma das famílias migrar para outro lugar a fim de fugir do conflito.
 Profissionalmente, as pessoas escolhiam suas carreiras por afinidade, pela área que a família atuava ou tendiam as profissões de ofício, quando se tinha boas habilidades manuais.
Professores eram apaixonados pelo ensinar, chamados de mestres, tinham o cuidado de conversar com o pai de cada aluno e eram dotados de um faro único para detectar quando problemas domésticos estavam afetando o desenvolvimento do estudante.
 Os médicos, embora não dispusessem de tantos recursos, buscavam melhor assistir a cada paciente. O contato olho no olho aliado a vontade de ver aquele paciente curado era maior que qualquer retorno financeiro.
Os advogados eram realmente comprometidos com os seus clientes. Raramente, se via o jogo duplo entre advogados, muito menos se cobrava honorários elevados para poder subornar juízes.
Os profissionais de ofício que eram alfaiates, relojoeiros, sapateiros entre outros, tinham orgulho de suas profissões e os seus trabalhos eram sempre realizados com muito capricho, para que o resultado final agradasse ao máximo o freguês. Hoje vemos esses profissionais cada vez menos valorizados e tendo que conciliar o ofício com uma segunda profissão, para que possam ter proventos que lhe permitam ter uma melhor qualidade de vida.
O meu comparativo é para que você reflita, se avançamos ou se o que julgamos avanço nos fizeram regredir em alguns aspectos sociais.
 Fico me perguntando; como no futuro eu vou explicar as letras dessas músicas aos meus filhos?  Felizmente, meus descendentes não me verão dando sarradas no ar e nem dançando os quadradinhos.
Tento imaginar onde iremos nos apoiar nas dificuldades e com quem iremos compartilhar as nossas vitórias, se a cada dia as famílias vêm perdendo o valor social e afetivo.

 Questiono-me; como vamos buscar o divino, se a cada dia o ambiente do sagrado torna-se profano. Os líderes, que outrora eram homens de Deus a disposição da sociedade, hoje são escravos da mola propulsora do mundo. Sim! Ainda que não sejamos capazes de admitir ou enxergar, cada dia os nossos líderes religiosos são mais escravos do dinheiro.
Pergunto-me; quando voltaremos a ser capazes de viver em sociedade sem estarmos a todo momento escondidos atrás de um smartphone?
Será que você já olhou no rosto da sua esposa hoje e viu que ela cortou o cabelo a fim de ficar mais bela? E você mulher, já observou que teu marido deu um trato naquela barba de bode d’Ele? Ou ambos têm como última imagem do parceiro a foto redondinha do aplicativo de mensagens!?
E a profissão... Vale a pena buscar cada dia mais retorno financeiro e status e não ter tempo para desfrutar da vida?
Você que reclama do médico que não te olhou nos olhos durante a consulta, já se perguntou se você não faz isso quando atende a um cliente?
 Proponho que no transcurso desta semana você reflita se as suas ações de hoje serão motivo de orgulho no futuro.
Por isso, vá buscar seu filho na escola, curte mais sua relação amorosa, visite os seus genitores e/ou familiares e tente se arriscar preparando sua própria comida, na pior das hipóteses você tem o aplicativo para te salvar e pedir comida sem sair de casa.
 E que tal no decorrer desta semana você evite os debates acalorados e bi polarizados sobre política? Experimente viver de uma a duas horas do seu dia sem as distrações que a tecnologia nos proporciona. Evite o bombardeio de notícias ruins que chegam minuto a minuto e saia um pouco do fantasioso e perfeito mundo das redes sociais.
De todas as propostas que lancei, essa é a que gostaria que vocês me contassem a experiência via e-mail ou telefone, que está no cabeçalho da coluna. Experimentem ir ao lugar sagrado de sua religião, mas antes, desligue o profano celular e tentem se conectar exclusivamente com Deus.

 Aproveita a semana e vive um pouco a moda antiga, você vai gostar do experimento.

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