sábado, 26 de agosto de 2017

Por Marco Antônio

ESPETÁCULO PARA NINGUÉM

Por Marco Antônio

No teatro usa-se um cálculo simples para decidir se haverá uma apresentação quando o público é, deveras, bem menor do que o esperado: Metade do elenco mais um. Ou seja, um elenco formado por quatro pessoas, se houverem três espectadores a peça deve acontecer. Esta citação é a propósito de puxar o assunto do show, nada espetacular, que está acontecendo do Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, onde “tropas estelares”, armadas até os dentes invadem “comunidades” para recolher pinicos cheios. Um completo fiasco. Isso, sim, para inglês ver. E todo o resto do mundo.

Milhões são gastos, milhares de homens são envolvidos, centenas de escolas são fechadas, dezenas de pessoas faltam aos trabalhos, e apenas um resultado: Tiro n’água! O que está havendo para que o resultado seja o esperado pela população e, até, pelos “planejadores” da ação? Fiz essa pergunta a alguns conhecidos e a resposta, ainda que de chofre, pronta, é: Descompromisso! De forma geral, foi mais ou menos isso o que responderam.

O que deveriam fazer, perguntei: “Se quisessem, mesmo, o fariam apenas em uma comunidade. Da maneira que fazem, estão querendo aparecer, impactar, e estão dando com os burros n’água. Uma operação séria tomaria de assalto apenas um alvo. São muitos homens envolvidos. Cercariam toda a comunidade, com as forças armadas, mandava subir a polícia pelas ruas e vielas, passando o pente-fino, e enquanto isso helicópteros, desciam homens no topo da favela que desciam para a base, revistando tudo. E pode mandar espiões avisar que haverá essa operação. Se a polícia, junto com a força-tarefa, estiver bem montada no sopé da montanha, nem os ratos escaparão”. Foi a mais bem calculada resposta que recebi.

Não sou perito em segurança, mas tive que concordar que não é uma utopia, se fizessem algo parecido. E enquanto o papelão é realizado, o crime organizado comemora, ao lado de seus espiões, e da banda podre.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que a taxa de crimes com morte violenta não é tão alta desde 2009 - na estatística são considerados homicídio intencional, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte e homicídio após oposição à intervenção policial. Um conjunto de fatores contribui para a situação.

A violência, em seus mais variados contornos, é um fenômeno histórico na constituição da sociedade brasileira. A escravidão (primeiro com os índios e depois, e especialmente, com a mão de obra africana), a colonização mercantilista, o coronelismo, as oligarquias antes e depois da independência, somados a um Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, contribuíram enormemente para o aumento da violência que atravessa a história do Brasil.

Diversos fatores colaboram para aumentar a violência, tais como a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de pessoas para as áreas urbanas e assim contribui para um crescimento desordenado e desorganizado das cidades. Colaboram também para o aumento da violência as fortes aspirações de consumo, em parte frustradas pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho.

Por outro lado, o poder público, especialmente no Brasil, tem se mostrado incapaz de enfrentar essa calamidade social. Pior que tudo isso é constatar que a violência existe com a conivência de grupos das polícias, representantes do Legislativo de todos os níveis e, inclusive, de autoridades do poder judiciário. A corrupção, uma das piores chagas brasileiras, está associada à violência, uma aumentando a outra, faces da mesma moeda.

As causas da violência são associadas, em parte, a problemas sociais como miséria, fome, desemprego. Mas nem todos os tipos de criminalidade derivam das condições econômicas. Além disso, um Estado ineficiente e sem programas de políticas públicas de segurança, contribui para aumentar a sensação de injustiça e impunidade, que é, talvez, a principal causa da violência.

A violência se apresenta nas mais diversas configurações e pode ser caracterizada como violência contra a mulher, a criança, o idoso, violência sexual, política, violência psicológica, física, verbal, dentre outras. Em um Estado democrático, a repressão controlada e a polícia têm um papel crucial no controle da criminalidade. Porém, essa repressão controlada deve ser simultaneamente apoiada e vigiada pela sociedade civil.


Não quero e nem posso encerrar um assunto, de tal relevância e que traz resultados tão danosos à toda a sociedade, mas quero oferecer a ideia citada na resposta de um dos meus pesquisados, como uma proposta a ser avaliadas pelos peritos no assunto e, quem sabe, até aplicada. Que mal teria? Deste jeito, espetaculoso, é que não é!

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