sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ECONOMIA


O peso do agronegócio na economia amapaense
Agronegócio ajudou - e muito - os resultados positivos da economia brasileira

A soja e o comercio varejista alavancam a economia amapaense. Somente a soja deve movimentar mais de R$ 60 milhões na economia do estado em 2017, de acordo com a Associação de Produtores de Soja do Amapá (Aprosoja).


Reinaldo Coelho


O Amapá possui uma economia baseada, em grande parte, no setor de serviços. O PIB é muito concentrado, sendo que a mesorregião Sul do Amapá responde por 92,6% do total. Essa região concentra também a maior parte da população, do emprego formal e da produção agrícola do Estado.
Esse destaque para o Sul do Amapá se deve a localização da capital, Macapá, onde está 70% da população amapaense. Além disso, é onde fica a Área de Livre Comércio Macapá e Santana (ALCMS), que possui regime fiscal diferenciado e concentra os investimentos privados mapeados para o Estado nos próximos anos. Essa região é também a mais industrializada e com a maior participação no resultado agrícola do Estado.
Na página do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sessão “Síntese” (Portal Cidades), o Amapá tem uma população estimada em 2017 de 797.722 pessoas e uma receita orçamentária de mais de R$ 5 bilhões, ficando na 24ª posição no ranking dos Estados brasileiros.
Em uma análise denominada “Macro Regional", elaborado pelo banco Itaú S/A e divulgada em julho de 2015 sobre as mesorregiões amapaenses, a do Sul do Amapá é a que possui a maior participação no PIB, respondendo por 92,6% do produto do Estado. Em termos de crescimento do PIB, a mesorregião do Sul do Amapá cresceu, em média, 5,2% no intervalo de 2006 a 2010, enquanto a do Norte do Amapá cresceu 4,9% no período.
Houve redução no preço dos alimentos em vários itens.

Neste estudo que traçou um diagnóstico da economia amapaense prevê para os próximos cinco anos um crescimento abaixo do registrado do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação a anos anteriores. A expectativa é para uma elevação média anual de 1,1% até 2020.
O percentual está abaixo do registrado nos últimos 10 anos no Amapá, quando o PIB teve elevação considerada acima da média nacional. De 2003 a 2008, por exemplo, a economia amapaense teve saldo 6%. Nos cinco anos seguintes, de 2009 a 2014, o percentual registrou 3,3%. Esse crescimento aconteceu nos dois mandatos de Waldez Góes (2003/2009) e se repete neste terceiro mandato (2015/2018).

O Amapá ocupa a 25ª colocação nacional em relação ao PIB, representando, em média, 0,2% do produto do Brasil. A composição do PIB do AP difere da nacional por ter maior participação proporcional do setor de serviços e baixa concentração da indústria. Nossa expectativa para os próximos anos é de que o PIB do Amapá apresente crescimento médio em torno de 1,1% ao ano até 2020, em linha com a média nacional no período (1,1%). Esse crescimento deverá ser impulsionado pelo setor de serviços e pelo comércio varejista, que cresce acima da média nacional no Estado.
Essas previsões do estudo do Banco Itaú não fez o governo acomodar-se, ao contrários, vem mostrando que é fundamental que se garanta a sustentabilidade do estado, é importante investir, é importante crescer, mas não se pode dar um passo maior que a perna, é fundamental que o estado tenha a consciência disso e acima de tudo tenha o controle de sua despesa e receita, para de forma responsável e ousada conduzir o crescimento do Amapá, o que vai refletir na melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos.
Neste seu terceiro mandato, Waldez Góes determinou aos assessores e titulares de instituições públicas do Estado a realização de um planejamento, que avaliasse e alavancasse o desenvolvimento econômico do Amapá. E que fosse feito um diagnóstico pelos técnicos do governo estadual, para poder planejar e alocar no orçamento do Estado os recursos que priorize os investimentos em ações que de imediato dê o retorno aos municípios, descentralizando a economia, muitas vezes concentrada em certas regiões em detrimento de outras.
Isso está acontecendo somente agora, porque antes o Estado teve que se concentrar em ações imediatas e estratégicas para enfrentar a crise econômica que avassalou o país nos dois primeiros anos do mandato.
Crescendo a economia amapaense

Para 2015, a expectativa da pesquisa foi para um PIB de R$ 13 bilhões, deixando o Amapá com participação de 0,2% no Produto Interno Bruto nacional. Até 2020, o PIB amapaense deve chegar a R$ 18,1 bilhões, caso mantenha a média de 1,1% de crescimento ao ano.
O maior puxador da economia, depois do governo do Estado, com sua folha de pagamento, são as vendas no varejo do Amapá que vêm crescendo a uma taxa superior à observada no Brasil, considerando-se os dados de varejo restrito, que exclui automóveis e material de construção.
No acumulado dos últimos 12 meses até março, o crescimento da receita do comércio varejista no Amapá foi de 14,6%, ante um aumento de 7,3% no País. Já em volume, o crescimento do Estado foi de 8,8%, valor superior ao do Brasil no período (1%). O Estado possui uma participação média de 4% na receita bruta de serviços da Região Norte.
Outro setor que vem se destacando é o da produção agrícola que deve aumentar 26,6% em 2017, aponta IBGE. O carro chefe são a Soja, milho e arroz que lideram produção que deve alcançar 54,4 mil toneladas neste ano.

 Das principais culturas agrícolas no estado, a soja também apresenta o maior crescimento anual, com 28,5% a mais de produção do que em 2016, seguido por feijão (15,8%) e mandioca (12,1%). Na contramão, apenas a laranja registrou baixa na previsão de junho (-3,9%).
A área a ser colhida também teve elevação, segundo o IBGE, que apontou um crescimento para 23.274 hectares. Desse total, 18,9 mil são destinados apenas para plantio e colheita de soja.
O produto deve movimentar mais de R$ 60 milhões na economia do estado em 2017, de acordo com a Associação de Produtores de Soja do Amapá (Aprosoja).
A produção agrícola do Amapá é a segunda menor da Região Norte e a quinta menor do Brasil, mas está acima de estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo. A previsão de aumento local está abaixo da nacional, que ficou em 30,1%, com colheita total de 240,3 milhões de toneladas.

Expectativa da pecuária local

Nos próximos dias o Amapá pode ser considerado uma área livre de aftosa com vacinação. Em maio deste ano, o gado amapaense saiu do estado de “alto risco” para área de “médio risco”. Agora, aguarda a divulgação oficial da mudança que será feita pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com a nova instrução, o Amapá pode finalmente ganhar o mercado nacional com a carne produzida em seu território, e passa a vislumbrar a comercialização de produtos derivados de proteína animal como queijo mussarela do leite de búfala, produto muito valorizado pelo mercado nacional e internacional.
“O Amapá passa a poder exportar carne para fora. Com a multiplicação do pasto por meio de manejo bem direcionado, teremos excedente de proteínas para a comercialização e isso significa um salto muito grande para o estado”, considerou o diretor presidente da Diagro, Renato Ribeiro.
“O Amapá passa a poder exportar carne para fora. Com a multiplicação do pasto por meio de manejo bem direcionado, teremos excedente de proteínas para a comercialização e isso significa um salto muito grande para o estado”, considerou o diretor presidente da Diagro, Renato Ribeiro.

Descentralizando a economia
A economista Regina Célis, que coordena a equipe técnica da Seplan, observa que até 2010 havia uma grande concentração na capital. A partir de então, a economia do Estado passa ser melhor distribuída, ou regionalizada, segunda a economista, porque novos polos econômicos começaram a surgir.
Neste contexto, ajudaram a descentralizar o PIB, as atividades de econômicas geradas a partir da produção de energia em Ferreira Gomes, com a Usina Hidrelétrica, e a exploração mineral em Pedra Branca do Amapari. Também tem relevância o aumento da produção agrícola dos municípios de Porto Grande, Itaubal e Tartarugalzinho.
Segundo Regina Célis, o estudo é um retrato dos municípios e, por consequência, da atividade econômica do Estado. Ela diz que a pesquisa vai ajudar a nortear políticas públicas para cada vez mais desconcentrar a economia e equilibrá-la. Segundo a economista, o Plano Pluri Anual (PPA) 2016/2019 foi traçado a partir de alguns dados consolidados do estudo, mesmo quando estava em andamento. “O governo teve a preocupação de olhar o potencial de cada município focado dentro da sua economia”, afirmou.
 Impactos da superprodução
Vendas no comércio amapaense variam 0,1% em julho
O Tribuna Amapaense conversou com o economista, professor de economia e secretário de Planejamento do Estado do Amapá, Antônio Teles Júnior, que explicou as perspectivas da economia amapaense – e porque não há uma resposta definitiva para essa questão.
Segundo ele, já existe um descolamento muito claro entre a economia e a crise política e que a redução dos preços nos produtos alimentícios está ligada à superprodução agrícola do primeiro semestre, que gerou impacto de 1% do PIB.
 “Lembrando que no Amapá historicamente a inflação era maior do que no restante do país, e hoje estamos abaixo da média nacional”, acrescentou.

 Economia cresceu e inflação baixou
Secretário Antônio Teles, da Seplan

A evolução da economia amapaense e a queda da inflação foi detecta a partir dos meses de julho e agosto, pelo IBGE. O volume de vendas no comércio varejista amapaense praticamente permaneceu estável na passagem de junho para julho. Apresentando uma variação de 0,1% na comparação entre os dois meses citados. Já a receita nominal de vendas teve uma leve queda na mesma comparação (-0,1%). Ambas as taxas foram calculadas na série com ajuste sazonal. Tal ajuste permite comparar meses com comportamentos distintos.

Em relação a julho de 2016, o crescimento foi de 6% no volume de vendas e de 3,6% na receita nominal. Colocando o Amapá na 6ª colocação entre as Unidades da Federação.

A variação acumulada em 2017 alcançou 2,7% no volume de vendas e 4,1% na receita nominal. Apesar do crescimento ocorrido durante os 7 primeiros meses deste ano, o acumulado dos últimos 12 meses ainda persiste com perdas de -5,3% e -0,6% no volume de vendas e na receita nominal, respectivamente.

Em agosto veio a deflação
Produção de soja acumula maior aumento entre as colheitas, com 28,5%

Com queda nos preços dos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,16% em junho, na menor taxa para o mês desde 2006, segundo o IBGE. A "prévia" da inflação oficial fechou o primeiro semestre em 1,62%, ante 4,62% em igual período de 2016 e com o menor índice acumulado para o período desde 1994. Em 12 meses, recuou para 3,52%, o mais baixo nesse intervalo nos últimos 10 anos. Os resultados foram divulgados no fim de julho deste ano.

O grupo Alimentação e Bebidas, que tem peso de 26% na despesa das famílias, variou -0,47% neste mês, com impacto de -0,12 ponto percentual na taxa de junho. Outro grupo importante, o de Transportes, com peso de 18%, caiu 0,10% e foi responsável por menos 0,02 ponto. 
 
 Em todos as Unidades federativas aconteceu a queda da inflação, uns mais outros menos. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), também demonstrou recuo da inflação pelo 3º mês consecutivo no Amapá. A inflação de agosto foi de -1,81%, no mês anterior, a inflação tinha alcançado 0,21%.
A variação negativa em agosto foi registrada a partir de um levantamento pela Seplan em 297 estabelecimentos que vendem bens e serviços.

Cautela com os dados positivos
O secretário da Seplan, afirmou que apesar dos avanços que o governo do Amapá vem conquistando na economia, o parcelamento dos salários do funcionalismo estadual deverá continuar ocorrendo até pelo menos o primeiro trimestre de 2018. Ele se disse otimista com a possibilidade de conclusão da aprovação das reformas pelo Congresso Nacional e comemorou o recuo da inflação em Macapá, de acordo com pesquisa feita pela Seplan.
“O IPC Macapá, que é feito há 30 anos pelo departamento de estatística da secretaria faz um parâmetro da evolução de preços em cerca de 100 produtos em mais de 290 estabelecimentos. Comparativamente com a pesquisa anterior, o quadro vem apresentando deflação, sobretudo nos preços dos alimentos, que é um dos principais componentes da inflação; fechar o ano com a inflação abaixo de 3,5% como está previsto reflete na agricultura, mas também viabiliza a estabilidade da economia e a queda juros no Brasil”, analisou.
Pela pesquisa, que aferiu os preços praticados no mês de agosto, os setores que mais tiveram queda   foram nos serviços essenciais: vestuário (-3,55%), transporte (-2,83%) e alimentação (-2,41), recuando a inflação acumulada para 1,67% no ano.

IPCA
A pesquisa também gerou o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação dos preços da cesta de consumo das famílias com rendimento entre 1 a 40 salários mínimos. No mês de agosto, o indicador apresentou variação -1,22%, queda de -1,61 pp em comparação ao mês anterior, quando o IPCA foi de 0,39%. O acumulado no ano foi de 2,45%, nos últimos seis meses 0,52% e em doze meses foi de 4,89%.

Cesta básica
Composta de 12 produtos alimentícios, a Cesta Básica Oficial equivale à quantidade mínima essencial para alimentar mensalmente uma pessoa adulta. A Cesta Básica Oficial de Macapá, em agosto, apresentou custo de R$ 412,44. No mês anterior, o custo foi R$ 412,00.
Considerando o Salário Mínimo de R$ 937,00, a cesta comprometeu 44% da renda pessoal do trabalhador, que precisou cumprir uma jornada de trabalho de 96h e 50min para levar a cesta para casa – sete horas e cinco minutos a menos que o mesmo período do ano passado.
Entre os produtos que influenciaram a queda da Cesta estão o óleo de cozinha (-6,45%), tomate (-5,70%), o açúcar (-5,66%) e arroz polido (-5,50%). Apesar da queda, ainda tiveram aumento a alcatra, 5,44% mais cara, e o leite de caixa, que subiu 2,43%.

Cesta regional
Composta por 54 produtos, a Cesta Básica Regional tem como referência o consumo de produtos para atender uma família com cinco integrantes, e renda correspondente a seis salários mínimos.
Em agosto, a conta deu R$ 1.728,24, ou seja, 30,74% da renda familiar. Contudo, comparada ao mês de julho, a cesta regional ficou R$ 41,94 mais barata. Os produtos que apresentaram maior queda foram: leite em pó (-15,34%), camarão salgado (-10,94%), cenoura (-8,92%), macaxeira (-8,72%) e frango congelado (-7,69).


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