O peso do
agronegócio na economia amapaense
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| Agronegócio ajudou - e muito - os resultados positivos da economia brasileira |
A soja e o comercio varejista alavancam a economia amapaense.
Somente a soja deve movimentar mais de R$ 60 milhões na economia do estado em
2017, de acordo com a Associação de Produtores de Soja do Amapá (Aprosoja).
Reinaldo Coelho
O
Amapá possui uma economia baseada, em grande parte, no setor de serviços. O PIB
é muito concentrado, sendo que a mesorregião Sul do Amapá responde por 92,6% do
total. Essa região concentra também a maior parte da população, do emprego
formal e da produção agrícola do Estado.
Esse
destaque para o Sul do Amapá se deve a localização da capital, Macapá, onde está
70% da população amapaense. Além disso, é onde fica a Área de Livre Comércio
Macapá e Santana (ALCMS), que possui regime fiscal diferenciado e concentra os
investimentos privados mapeados para o Estado nos próximos anos. Essa região é
também a mais industrializada e com a maior participação no resultado agrícola
do Estado.
Na
página do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sessão “Síntese”
(Portal Cidades), o Amapá tem uma população estimada em 2017 de 797.722 pessoas
e uma receita orçamentária de mais de R$ 5 bilhões, ficando na 24ª posição no
ranking dos Estados brasileiros.
Em uma análise denominada
“Macro Regional", elaborado pelo banco Itaú S/A e divulgada em julho de
2015 sobre as
mesorregiões amapaenses, a do Sul do Amapá é a que possui a maior participação
no PIB, respondendo por 92,6% do produto do Estado. Em termos de crescimento do
PIB, a mesorregião do Sul do Amapá cresceu, em média, 5,2% no intervalo de 2006
a 2010, enquanto a do Norte do Amapá cresceu 4,9% no período.
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| Houve redução no preço dos alimentos em vários itens. |
Neste estudo que traçou
um diagnóstico da economia amapaense prevê para os próximos cinco anos um
crescimento abaixo do registrado do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação a
anos anteriores. A expectativa é para uma elevação média anual de 1,1% até
2020.
O percentual está abaixo
do registrado nos últimos 10 anos no Amapá, quando o PIB teve elevação
considerada acima da média nacional. De 2003 a 2008, por exemplo, a economia
amapaense teve saldo 6%. Nos cinco anos seguintes, de 2009 a 2014, o percentual
registrou 3,3%. Esse crescimento aconteceu nos dois mandatos de Waldez Góes
(2003/2009) e se repete neste terceiro mandato (2015/2018).
O
Amapá ocupa a 25ª colocação nacional em relação ao PIB, representando, em
média, 0,2% do produto do Brasil. A composição do PIB do AP difere da nacional
por ter maior participação proporcional do setor de serviços e baixa
concentração da indústria. Nossa expectativa para os próximos anos é de que o
PIB do Amapá apresente crescimento médio em torno de 1,1% ao ano até 2020, em
linha com a média nacional no período (1,1%). Esse crescimento deverá ser
impulsionado pelo setor de serviços e pelo comércio varejista, que cresce acima
da média nacional no Estado.
Essas
previsões do estudo do Banco Itaú não fez o governo acomodar-se, ao contrários,
vem mostrando que é fundamental que se garanta a sustentabilidade do estado, é
importante investir, é importante crescer, mas não se pode dar um passo maior
que a perna, é fundamental que o estado tenha a consciência disso e acima de
tudo tenha o controle de sua despesa e receita, para de forma responsável e
ousada conduzir o crescimento do Amapá, o que vai refletir na melhoria da
qualidade de vida de todos os cidadãos.
Neste
seu terceiro mandato, Waldez Góes determinou aos assessores e titulares de
instituições públicas do Estado a realização de um planejamento, que avaliasse
e alavancasse o desenvolvimento econômico do Amapá. E que fosse feito um
diagnóstico pelos técnicos do governo estadual, para poder planejar e alocar no
orçamento do Estado os recursos que priorize os investimentos em ações que de
imediato dê o retorno aos municípios, descentralizando a economia, muitas vezes
concentrada em certas regiões em detrimento de outras.
Isso
está acontecendo somente agora, porque antes o Estado teve que se concentrar em
ações imediatas e estratégicas para enfrentar a crise econômica que avassalou o
país nos dois primeiros anos do mandato.
Crescendo a economia
amapaense
Para 2015, a expectativa
da pesquisa foi para um PIB de R$ 13 bilhões, deixando o Amapá com participação
de 0,2% no Produto Interno Bruto nacional. Até 2020, o PIB amapaense deve
chegar a R$ 18,1 bilhões, caso mantenha a média de 1,1% de crescimento ao ano.
O
maior puxador da economia, depois do governo do Estado, com sua folha de
pagamento, são as vendas no varejo do Amapá que vêm crescendo a uma taxa
superior à observada no Brasil, considerando-se os dados de varejo restrito,
que exclui automóveis e material de construção.
No
acumulado dos últimos 12 meses até março, o crescimento da receita do comércio
varejista no Amapá foi de 14,6%, ante um aumento de 7,3% no País. Já em volume,
o crescimento do Estado foi de 8,8%, valor superior ao do Brasil no período
(1%). O Estado possui uma participação média de 4% na receita bruta de serviços
da Região Norte.
Outro setor que vem se
destacando é o da produção agrícola que deve aumentar 26,6% em 2017, aponta
IBGE. O carro chefe são a Soja, milho e arroz que lideram produção que deve
alcançar 54,4 mil toneladas neste ano.
Das
principais culturas agrícolas no estado, a soja também apresenta o maior
crescimento anual, com 28,5% a mais de produção do que em 2016, seguido por
feijão (15,8%) e mandioca (12,1%). Na contramão, apenas a laranja registrou
baixa na previsão de junho (-3,9%).
A área a ser colhida também teve elevação,
segundo o IBGE, que apontou um crescimento para 23.274 hectares. Desse total,
18,9 mil são destinados apenas para plantio e colheita de soja.
O produto deve movimentar mais de R$ 60 milhões
na economia do estado em 2017, de acordo com a Associação de Produtores de Soja
do Amapá (Aprosoja).
A produção agrícola do Amapá é a segunda menor
da Região Norte e a quinta menor do Brasil, mas está acima de estados como Rio
de Janeiro e Espírito Santo. A previsão de aumento local está abaixo da
nacional, que ficou em 30,1%, com colheita total de 240,3 milhões de toneladas.
Expectativa da pecuária local
Nos próximos dias o Amapá pode ser considerado
uma área livre de aftosa com vacinação. Em maio deste ano, o gado amapaense
saiu do estado de “alto risco” para área de “médio risco”. Agora, aguarda a
divulgação oficial da mudança que será feita pelo Ministério da Agricultura e
Pecuária (Mapa).
Com a nova instrução, o Amapá pode finalmente
ganhar o mercado nacional com a carne produzida em seu território, e passa a
vislumbrar a comercialização de produtos derivados de proteína animal como
queijo mussarela do leite de búfala, produto muito valorizado pelo mercado
nacional e internacional.
“O Amapá passa a poder exportar carne para
fora. Com a multiplicação do pasto por meio de manejo bem direcionado, teremos
excedente de proteínas para a comercialização e isso significa um salto muito
grande para o estado”, considerou o diretor presidente da Diagro, Renato
Ribeiro.
“O Amapá passa a poder exportar carne para
fora. Com a multiplicação do pasto por meio de manejo bem direcionado, teremos
excedente de proteínas para a comercialização e isso significa um salto muito
grande para o estado”, considerou o diretor presidente da Diagro, Renato
Ribeiro.
Descentralizando a economia
A economista Regina Célis, que coordena a
equipe técnica da Seplan, observa que até 2010 havia uma grande concentração na
capital. A partir de então, a economia do Estado passa ser melhor distribuída,
ou regionalizada, segunda a economista, porque novos polos econômicos começaram
a surgir.
Neste contexto, ajudaram a descentralizar o
PIB, as atividades de econômicas geradas a partir da produção de energia em
Ferreira Gomes, com a Usina Hidrelétrica, e a exploração mineral em Pedra
Branca do Amapari. Também tem relevância o aumento da produção agrícola dos
municípios de Porto Grande, Itaubal e Tartarugalzinho.
Segundo Regina Célis, o estudo é um retrato dos
municípios e, por consequência, da atividade econômica do Estado. Ela diz que a
pesquisa vai ajudar a nortear políticas públicas para cada vez mais
desconcentrar a economia e equilibrá-la. Segundo a economista, o Plano Pluri
Anual (PPA) 2016/2019 foi traçado a partir de alguns dados consolidados do
estudo, mesmo quando estava em andamento. “O governo teve a preocupação de
olhar o potencial de cada município focado dentro da sua economia”, afirmou.
O Tribuna Amapaense conversou com o economista,
professor de economia e secretário de Planejamento do Estado do Amapá, Antônio
Teles Júnior, que explicou as perspectivas da economia amapaense – e porque não
há uma resposta definitiva para essa questão.
Segundo ele,
já existe um descolamento muito claro entre a economia e a crise política e que
a redução dos preços nos produtos alimentícios está ligada à superprodução
agrícola do primeiro semestre, que gerou impacto de 1% do PIB.
“Lembrando que no Amapá historicamente a
inflação era maior do que no restante do país, e hoje estamos abaixo da média
nacional”, acrescentou.
Economia cresceu e inflação baixou
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| Secretário Antônio Teles, da Seplan |
A
evolução da economia amapaense e a queda da inflação foi detecta a partir dos
meses de julho e agosto, pelo IBGE. O volume de vendas no comércio varejista
amapaense praticamente permaneceu estável na passagem de junho para julho.
Apresentando uma variação de 0,1% na comparação entre os dois meses citados. Já
a receita nominal de vendas teve uma leve queda na mesma comparação (-0,1%).
Ambas as taxas foram calculadas na série com ajuste sazonal. Tal ajuste permite
comparar meses com comportamentos distintos.
Em
relação a julho de 2016, o crescimento foi de 6% no volume de vendas e de 3,6%
na receita nominal. Colocando o Amapá na 6ª colocação entre as Unidades da
Federação.
A
variação acumulada em 2017 alcançou 2,7% no volume de vendas e 4,1% na receita
nominal. Apesar do crescimento ocorrido durante os 7 primeiros meses deste ano,
o acumulado dos últimos 12 meses ainda persiste com perdas de -5,3% e -0,6% no
volume de vendas e na receita nominal, respectivamente.
Com queda
nos preços dos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15
(IPCA-15) variou 0,16% em junho, na menor taxa para o mês desde 2006, segundo o
IBGE. A "prévia" da inflação oficial fechou o primeiro semestre em
1,62%, ante 4,62% em igual período de 2016 e com o menor índice acumulado para
o período desde 1994. Em 12 meses, recuou para 3,52%, o mais baixo nesse
intervalo nos últimos 10 anos. Os resultados foram divulgados no fim de julho
deste ano.
O grupo
Alimentação e Bebidas, que tem peso de 26% na despesa das famílias, variou
-0,47% neste mês, com impacto de -0,12 ponto percentual na taxa de junho. Outro
grupo importante, o de Transportes, com peso de 18%, caiu 0,10% e foi
responsável por menos 0,02 ponto.
Em todos as Unidades federativas aconteceu a
queda da inflação, uns mais outros menos. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC), medido pela Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), também
demonstrou recuo da inflação pelo 3º mês consecutivo no Amapá. A inflação de
agosto foi de -1,81%, no mês anterior, a inflação tinha alcançado 0,21%.
A
variação negativa em agosto foi registrada a partir de um levantamento pela
Seplan em 297 estabelecimentos que vendem bens e serviços.
Cautela com os dados positivos
O
secretário da Seplan, afirmou que apesar dos avanços que o governo do Amapá vem
conquistando na economia, o parcelamento dos salários do funcionalismo estadual
deverá continuar ocorrendo até pelo menos o primeiro trimestre de 2018. Ele se
disse otimista com a possibilidade de conclusão da aprovação das reformas pelo
Congresso Nacional e comemorou o recuo da inflação em Macapá, de acordo com
pesquisa feita pela Seplan.
“O IPC Macapá, que é feito há 30 anos pelo
departamento de estatística da secretaria faz um parâmetro da evolução de
preços em cerca de 100 produtos em mais de 290 estabelecimentos.
Comparativamente com a pesquisa anterior, o quadro vem apresentando deflação,
sobretudo nos preços dos alimentos, que é um dos principais componentes da
inflação; fechar o ano com a inflação abaixo de 3,5% como está previsto reflete
na agricultura, mas também viabiliza a estabilidade da economia e a queda juros
no Brasil”,
analisou.
Pela
pesquisa, que aferiu os preços praticados no mês de agosto, os setores que mais
tiveram queda foram nos serviços essenciais: vestuário
(-3,55%), transporte (-2,83%) e alimentação (-2,41), recuando a inflação
acumulada para 1,67% no ano.
IPCA
A
pesquisa também gerou o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a
variação dos preços da cesta de consumo das famílias com rendimento entre 1 a
40 salários mínimos. No mês de agosto, o indicador apresentou variação -1,22%,
queda de -1,61 pp em comparação ao mês anterior, quando o IPCA foi de 0,39%. O
acumulado no ano foi de 2,45%, nos últimos seis meses 0,52% e em doze meses foi
de 4,89%.
Cesta básica
Composta
de 12 produtos alimentícios, a Cesta Básica Oficial equivale à quantidade
mínima essencial para alimentar mensalmente uma pessoa adulta. A Cesta Básica
Oficial de Macapá, em agosto, apresentou custo de R$ 412,44. No mês anterior, o
custo foi R$ 412,00.
Considerando
o Salário Mínimo de R$ 937,00, a cesta comprometeu 44% da renda pessoal do
trabalhador, que precisou cumprir uma jornada de trabalho de 96h e 50min para
levar a cesta para casa – sete horas e cinco minutos a menos que o mesmo
período do ano passado.
Entre os
produtos que influenciaram a queda da Cesta estão o óleo de cozinha (-6,45%),
tomate (-5,70%), o açúcar (-5,66%) e arroz polido (-5,50%). Apesar da queda,
ainda tiveram aumento a alcatra, 5,44% mais cara, e o leite de caixa, que subiu
2,43%.
Cesta regional
Composta
por 54 produtos, a Cesta Básica Regional tem como referência o consumo de
produtos para atender uma família com cinco integrantes, e renda correspondente
a seis salários mínimos.
Em
agosto, a conta deu R$ 1.728,24, ou seja, 30,74% da renda familiar. Contudo,
comparada ao mês de julho, a cesta regional ficou R$ 41,94 mais barata. Os
produtos que apresentaram maior queda foram: leite em pó (-15,34%), camarão
salgado (-10,94%), cenoura (-8,92%), macaxeira (-8,72%) e frango congelado
(-7,69).










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