Eletronorte
e CEA: Má qualidade da energia elétrica trava a economia
Os pequenos e
médios empresários amapaense e os usuários residências tem tido grandes
prejuízos financeiros, dos equipamentos eletroeletrônicos e de mercadorias
perecíveis, trazendo custos imprevistos a esses empreendedores em função da baixa tensão
da energia oferecida e pelas constantes interrupções totais no fornecimento.
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| ILHA DE SANTANA NA ESCURIDÃO |
Reinaldo Coelho
As estratégias que vem sendo utilizadas pelo
governo estadual amapaense para enfrentar a crise e retomar o desenvolvimento
do Estado e dos municípios está enfrentando um poderoso obstáculo: a tensão
inconstante da energia elétrica fornecida pela Eletronorte e distribuída pela
Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) provoca problemas para a produção e
danos em equipamentos.
Além dos problemas de tensão, as interrupções
no fornecimento de energia têm sido constantes. Indústrias e estabelecimentos
comerciais localizados na Região Metropolitano de Macapá, além dos consumidores
residenciais, denunciam estar sofrendo prejuízos, com a queda de produção, em
função da baixa tensão da energia oferecida e pelas constantes interrupções
totais no fornecimento.
E a queixa não se resume somente nos centros
urbanos de Macapá, Santana e Mazagão, mais dezenas de comunidades rurais rem
sofrido com as oscilações e interrupção por dias seguintes. Os pequenos
comerciantes são os que mais sofrem com as perdas de mercadorias, devido não poderem
acessar o seguro, que garante o reembolso dos prejuízos e as empresas não
reembolsam os consumidores com as perdas de seus eletrodomésticos, pois a
burocracia é grande.
Para os grandes empresários problemas no
fornecimento da energia elétrica geram prejuízos e prejudicam a competitividade
das empresas. Além dos problemas no fornecimento, a qualidade da energia e a
duração das interrupções causam muitos transtornos dentro das empresas, pois
atrapalha a produção das empresas e gera baixa competitividade nos negócios.
Comércio
também sofre
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| Carne estragada dentro de freezer |
A queda brusca no fornecimento de energia se
tornou uma preocupação frequente na região, também para os comerciantes. De
acordo com Renato Santana, do ramo de material de construção, o problema é
recorrente. “Em um só dia acabou a luz
quatro vezes. O medo que tenho é o de perder equipamentos. Tenho computadores e
máquinas aqui e se acontecer algo com eles o prejuízo será grande”, disse.
Ainda segundo Renato, a loja escura não atrai clientes. “As pessoas não entram para comprar e tem cliente que não quer esperar a
luz voltar para fazer as compras. Isso é um problema bem complicado para quem
depende das vendas. Nós reclamamos e só assim eles fazem algum trabalho de
prevenção ou até mesmo poda das árvores”.
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| CEA diz que fenômeno das terras caídas prejudicam a estabilidade da rede elétrica |
Santana
Santana, o segundo maior município do Estado e
que sedia a maioria das indústrias e os terminais que realizam as exportações amapaenses
sofre com o sistema de energia fornecido.
| Protesto santana energia (Foto: Reprodução/Twitter) |
A situação levou a realização de uma Audiência
Pública para discutir as falhas no serviço de energia elétrica em Santana. O encontro
foi realizado na última terça-feira (26), na Câmara Municipal. Companhia de
Eletricidade do Amapá não compareceu ao evento.
Nas últimas duas semanas foram registradas
cerca de 60 quedas de energia por dia. Moradores do bairro Paraíso chegaram a
protestar queimando pneus. Na ocasião a Companhia de Eletricidade do Amapá
(CEA) informou que uma pane na subestação comprometeu o fornecimento.
As falhas no serviço foram discutidas no
plenário, que contou com a presença do gerente regional da Eletronorte, Elton
Valentim, vereadores e representantes de bairros e distritos. Entre as
presenças mais aguardadas, estava a do representante da CEA, que não
compareceu. A estatal informou que não foi convidada oficialmente para o
debate.
Durante o debate, o gestor da Eletronorte
reforçou que a responsabilidade pela falta de energia em Santana é da CEA.
“A
falta de energia é ocasionada por problemas nos transformadores. É um erro
muito antigo de descontinuidade e de distribuição de investimentos. Viemos aqui
tirar as dúvidas dos moradores sobre as responsabilidades de competência. A
solução tem que vir da companhia de distribuição”, reforçou.
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| Problemas no fornecimento de energia foi pauta de audiência pública em Santana |
A presidente da Câmara Municipal, a vereadora
Helena Lima (PRP), explicou que outras audiências serão realizadas e que a participação
da CEA é fundamental. Os assuntos debatidos serão utilizados para futuras
cobranças com o propósito de melhorar o fornecimento de energia, completou.
“A
partir dos esclarecimentos da Eletronorte, nós temos condições de tomar uma
outra iniciativa e cobrar o que for de competência de ambas entidades
responsáveis para ver se melhora o fornecimento de energia no município, fato
que vem causando grandes problemas para a população santanense”, enfatizou.
O carpinteiro Raimundo Alves Filho, de 70
anos, ressalta que fez questão de participar da audiência pública para entender
as causas do problema. Ele mora há 25 anos no bairro Novo Horizonte, onde vive
com a mulher, uma filha e um genro. A indignação dele é a falta de iluminação
na Rua Manoel Francisco Guedes, a principal via do bairro.
“Nossa
rua nunca teve iluminação. É uma escuridão à noite. Já pedimos ajuda na CEA e
prefeitura, mas ninguém ouve. Um joga para as costas do outro e nada é
providenciado”, reclamou.
Os estudantes Jardoel Jardim da Conceição, de
26 anos, e Alessandra da Luz Vilhena, de 27, contam que passam pela mesma
situação que o senhor Raimundo. Além da iluminação pública, o casal reclama dos
prejuízos causados pelos “apagões”, principalmente no turno da noite.
“O
bairro é todo escuro por falta de iluminação. Quando cai a energia danifica os
eletrodomésticos. Só prejuízos. Nós, moradores, nos preocupamos muito com essa
situação. Muitos que moram no bairro são famílias carentes, então quando algum
eletrodoméstico queima, eles não conseguem repor”, disse.
Apagões também seriam uma realidade no bairro
Piçarreiro. O vigilante Josinaldo dos Santos Monteiro, de 36 anos, conta que a
situação fica mais difícil quando recebe visita do pai, que tem 66 anos e está
com a saúde debilitada.
“Quando
vai embora a energia, eu e minha família não dormimos direito. A madrugada toda
tem queda de energia. Meu pai me visita algumas vezes, ele teve derrame e sofre
com Alzheimer. Aí temos que ficar abanando ele por causa do calor”,
finalizou.
Distrito de Bailique
Reclamações dos moradores do Distrito de Bailique
sobre a interrupção em até 5 dias na semana, diz morador. No dia 22 o
fornecimento foi interrompido durante oito horas. Companhia de Eletricidade do
Amapá informou que estuda medidas para solucionar o problema, em parceria com o
IEPA.
“Em uma
semana a gente fica sem energia durante quatro ou cinco dias. Quando temos
energia direto à noite, agradecemos”, disse o morador e radialista José
Ribamar Loredo.
De acordo com Loredo, a comunidade está
indignada porque estaria sem assistência técnica eficiente da CEA. Ele recorda
que já perdeu equipamentos elétricos devido as constantes quedas de energia.
Os comerciantes da região estão deixando de
vender alimentos devido ao alto investimento para manter estabelecimentos sob
geradores. Ele explica que os moradores sofrem com a falta dos serviços
públicos e até para compra de produtos.
“Esse
problema de falta de energia persiste há cerca de quatro anos. Tem vezes que
ficamos de três a quatro dias seguidos sem o fornecimento. À noite para dormir
é complicado. Enfrentamos dificuldades para trabalhar e até comprar comida,
porque dependemos da energia para tudo”, ressaltou.
Além da Vila Progresso, outras comunidades
passam pelo mesmo problema como Macedônia e São João Batista.
“Eu
perdi um freezer na minha casa, e na rádio onde trabalho queimou o
ar-condicionado e um transmissor. Muitos moradores perdem comida e também têm
seus eletrodomésticos pifados. O que nos deixa revoltados é que ninguém nos dá
solução”, conta.
A CEA detalhou que há um estudo para melhorar
o fornecimento de energia no Bailique, em parceria com o Instituto de Pesquisas
Cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA).
A orientação do IEPA, informou a CEA, é que
os postes sejam instalados a mais de 100 metros das margens do rio e que o
material de concreto seja substituído por fibra de vidro, que flutua na água e
pode ser reaproveitado. Mas a orientação ainda está em fase de discussão.
Sem Correio
As prestações de serviços por órgãos públicos
são prejudicados e muitas vezes interrompidos. Devido a falta de energia os
atendimentos realizados na agência dos Correios, localizado na Vila Progresso,
que é a sede das 47 comunidades da região, foram suspensos.
A superintendência dos Correios no Amapá
confirmou que a agência do arquipélago passa por dificuldades com a falta de
energia. Não há gerador para suprir a necessidade e os serviços ficam
indisponíveis.
De acordo com o gerente dos Correios do
Bailique, Antônio Vandival da Silva, de 57 anos, muitos ribeirinhos chegam em
canoas de outras comunidades em busca dos serviços. Os atendimentos mais
procurados são abertura de contas e empréstimos, informou.
“Temos
sérios problemas com falta de energia, isso ocorre direto. A parte sobre o
banco postal não funciona nessa situação. Quando acontece, não trabalhamos mais
com nada, apenas com a entrega de algumas correspondências”, disse.
Os problemas no fornecimento de energia
elétrica no Bailique são recorrentes e de anos. Em janeiro de 2016, o distrito
ficou 30 dias ininterruptos sem energia. Bailique também chegou a ficar 14 dias
seguidos sem o fornecimento regular de energia em fevereiro. Na época, o
problema teria sido causado após fiação entrar em contato com vegetação.
Luz Para Todos em comunidades rurais
Um termo de compromisso referente a execução
do programa Luz Para Todos nas comunidades do interior do Amapá foi assinado
entre entres as operadoras reguladoras de energia elétrica e a Justiça Federal,
no início deste mês.
De acordo com o cronograma de execução do
projeto da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), até o fim de 2018 as 11,7
mil famílias estarão com luz elétrica em casa a custo zero.
Na cerimônia de assinatura do termo, em
audiência pública ocorrida no auditório do prédio da Justiça Federal, na zona
norte de Macapá, estiveram presentes representantes das comunidades de
assentados do Amapá, presidente CEA, representantes da Eletronorte, Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Câmara de Comercialização de Energia
Elétrica (CCEE) e foi presidida pelo juiz João Bosco.
“Sem
dúvida alguma, vai haver um incremento na atividade produtiva dessas famílias
nesses assentamentos”, ressaltou o magistrado.
Luz Para Todos no AP
O programa começou a ser executado no Estado
em 2006, segundo o presidente da CEA, Marcelino da Cunha. De lá para cá,
segundo relatórios apresentados pelo presidente, nove mil ligações já foram
realizadas em todo o Amapá.
A previsão é de que a nova etapa do programa,
gerido pela estatal, atinja 143 comunidades rurais com a previsão de
investimentos na ordem de R$ 320 milhões. As primeiras comunidades a serem
atendidas serão: Maracá, Água Branca do Cajarí, Lourenço e Carnot.






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