sábado, 30 de setembro de 2017

Eletronorte e CEA: Má qualidade da energia elétrica trava a economia




Eletronorte e CEA: Má qualidade da energia elétrica trava a economia

Os pequenos e médios empresários amapaense e os usuários residências tem tido grandes prejuízos financeiros, dos equipamentos eletroeletrônicos e de mercadorias perecíveis, trazendo custos imprevistos a esses empreendedores em função da baixa tensão da energia oferecida e pelas constantes interrupções totais no fornecimento.
ILHA DE SANTANA NA ESCURIDÃO

Reinaldo Coelho

As estratégias que vem sendo utilizadas pelo governo estadual amapaense para enfrentar a crise e retomar o desenvolvimento do Estado e dos municípios está enfrentando um poderoso obstáculo: a tensão inconstante da energia elétrica fornecida pela Eletronorte e distribuída pela Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) provoca problemas para a produção e danos em equipamentos.
Além dos problemas de tensão, as interrupções no fornecimento de energia têm sido constantes. Indústrias e estabelecimentos comerciais localizados na Região Metropolitano de Macapá, além dos consumidores residenciais, denunciam estar sofrendo prejuízos, com a queda de produção, em função da baixa tensão da energia oferecida e pelas constantes interrupções totais no fornecimento.
E a queixa não se resume somente nos centros urbanos de Macapá, Santana e Mazagão, mais dezenas de comunidades rurais rem sofrido com as oscilações e interrupção por dias seguintes. Os pequenos comerciantes são os que mais sofrem com as perdas de mercadorias, devido não poderem acessar o seguro, que garante o reembolso dos prejuízos e as empresas não reembolsam os consumidores com as perdas de seus eletrodomésticos, pois a burocracia é grande.
Para os grandes empresários problemas no fornecimento da energia elétrica geram prejuízos e prejudicam a competitividade das empresas. Além dos problemas no fornecimento, a qualidade da energia e a duração das interrupções causam muitos transtornos dentro das empresas, pois atrapalha a produção das empresas e gera baixa competitividade nos negócios.

Comércio também sofre
Carne estragada dentro de freezer


A queda brusca no fornecimento de energia se tornou uma preocupação frequente na região, também para os comerciantes. De acordo com Renato Santana, do ramo de material de construção, o problema é recorrente. “Em um só dia acabou a luz quatro vezes. O medo que tenho é o de perder equipamentos. Tenho computadores e máquinas aqui e se acontecer algo com eles o prejuízo será grande”, disse. Ainda segundo Renato, a loja escura não atrai clientes. “As pessoas não entram para comprar e tem cliente que não quer esperar a luz voltar para fazer as compras. Isso é um problema bem complicado para quem depende das vendas. Nós reclamamos e só assim eles fazem algum trabalho de prevenção ou até mesmo poda das árvores”.
CEA diz que fenômeno das terras caídas prejudicam a estabilidade da rede elétrica


Santana

Santana, o segundo maior município do Estado e que sedia a maioria das indústrias e os terminais que realizam as exportações amapaenses sofre com o sistema de energia fornecido.
Protesto santana energia (Foto: Reprodução/Twitter)
A situação levou a realização de uma Audiência Pública para discutir as falhas no serviço de energia elétrica em Santana. O encontro foi realizado na última terça-feira (26), na Câmara Municipal. Companhia de Eletricidade do Amapá não compareceu ao evento.

Nas últimas duas semanas foram registradas cerca de 60 quedas de energia por dia. Moradores do bairro Paraíso chegaram a protestar queimando pneus. Na ocasião a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) informou que uma pane na subestação comprometeu o fornecimento.
As falhas no serviço foram discutidas no plenário, que contou com a presença do gerente regional da Eletronorte, Elton Valentim, vereadores e representantes de bairros e distritos. Entre as presenças mais aguardadas, estava a do representante da CEA, que não compareceu. A estatal informou que não foi convidada oficialmente para o debate.
Durante o debate, o gestor da Eletronorte reforçou que a responsabilidade pela falta de energia em Santana é da CEA.
A falta de energia é ocasionada por problemas nos transformadores. É um erro muito antigo de descontinuidade e de distribuição de investimentos. Viemos aqui tirar as dúvidas dos moradores sobre as responsabilidades de competência. A solução tem que vir da companhia de distribuição”, reforçou.
Problemas no fornecimento de energia foi pauta de audiência pública em Santana
A presidente da Câmara Municipal, a vereadora Helena Lima (PRP), explicou que outras audiências serão realizadas e que a participação da CEA é fundamental. Os assuntos debatidos serão utilizados para futuras cobranças com o propósito de melhorar o fornecimento de energia, completou.
A partir dos esclarecimentos da Eletronorte, nós temos condições de tomar uma outra iniciativa e cobrar o que for de competência de ambas entidades responsáveis para ver se melhora o fornecimento de energia no município, fato que vem causando grandes problemas para a população santanense”, enfatizou.
O carpinteiro Raimundo Alves Filho, de 70 anos, ressalta que fez questão de participar da audiência pública para entender as causas do problema. Ele mora há 25 anos no bairro Novo Horizonte, onde vive com a mulher, uma filha e um genro. A indignação dele é a falta de iluminação na Rua Manoel Francisco Guedes, a principal via do bairro.
Nossa rua nunca teve iluminação. É uma escuridão à noite. Já pedimos ajuda na CEA e prefeitura, mas ninguém ouve. Um joga para as costas do outro e nada é providenciado”, reclamou.
Os estudantes Jardoel Jardim da Conceição, de 26 anos, e Alessandra da Luz Vilhena, de 27, contam que passam pela mesma situação que o senhor Raimundo. Além da iluminação pública, o casal reclama dos prejuízos causados pelos “apagões”, principalmente no turno da noite.
O bairro é todo escuro por falta de iluminação. Quando cai a energia danifica os eletrodomésticos. Só prejuízos. Nós, moradores, nos preocupamos muito com essa situação. Muitos que moram no bairro são famílias carentes, então quando algum eletrodoméstico queima, eles não conseguem repor”, disse.
Apagões também seriam uma realidade no bairro Piçarreiro. O vigilante Josinaldo dos Santos Monteiro, de 36 anos, conta que a situação fica mais difícil quando recebe visita do pai, que tem 66 anos e está com a saúde debilitada.
Quando vai embora a energia, eu e minha família não dormimos direito. A madrugada toda tem queda de energia. Meu pai me visita algumas vezes, ele teve derrame e sofre com Alzheimer. Aí temos que ficar abanando ele por causa do calor”, finalizou.

Distrito de Bailique

Reclamações dos moradores do Distrito de Bailique sobre a interrupção em até 5 dias na semana, diz morador. No dia 22 o fornecimento foi interrompido durante oito horas. Companhia de Eletricidade do Amapá informou que estuda medidas para solucionar o problema, em parceria com o IEPA.
Em uma semana a gente fica sem energia durante quatro ou cinco dias. Quando temos energia direto à noite, agradecemos”, disse o morador e radialista José Ribamar Loredo.
De acordo com Loredo, a comunidade está indignada porque estaria sem assistência técnica eficiente da CEA. Ele recorda que já perdeu equipamentos elétricos devido as constantes quedas de energia.
Os comerciantes da região estão deixando de vender alimentos devido ao alto investimento para manter estabelecimentos sob geradores. Ele explica que os moradores sofrem com a falta dos serviços públicos e até para compra de produtos.
Esse problema de falta de energia persiste há cerca de quatro anos. Tem vezes que ficamos de três a quatro dias seguidos sem o fornecimento. À noite para dormir é complicado. Enfrentamos dificuldades para trabalhar e até comprar comida, porque dependemos da energia para tudo”, ressaltou.
Além da Vila Progresso, outras comunidades passam pelo mesmo problema como Macedônia e São João Batista.
Eu perdi um freezer na minha casa, e na rádio onde trabalho queimou o ar-condicionado e um transmissor. Muitos moradores perdem comida e também têm seus eletrodomésticos pifados. O que nos deixa revoltados é que ninguém nos dá solução”, conta.
A CEA detalhou que há um estudo para melhorar o fornecimento de energia no Bailique, em parceria com o Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA).
A orientação do IEPA, informou a CEA, é que os postes sejam instalados a mais de 100 metros das margens do rio e que o material de concreto seja substituído por fibra de vidro, que flutua na água e pode ser reaproveitado. Mas a orientação ainda está em fase de discussão.

Sem Correio
Agência do Correio fica com serviços indisponíveis diante do problema

As prestações de serviços por órgãos públicos são prejudicados e muitas vezes interrompidos. Devido a falta de energia os atendimentos realizados na agência dos Correios, localizado na Vila Progresso, que é a sede das 47 comunidades da região, foram suspensos.
A superintendência dos Correios no Amapá confirmou que a agência do arquipélago passa por dificuldades com a falta de energia. Não há gerador para suprir a necessidade e os serviços ficam indisponíveis.
De acordo com o gerente dos Correios do Bailique, Antônio Vandival da Silva, de 57 anos, muitos ribeirinhos chegam em canoas de outras comunidades em busca dos serviços. Os atendimentos mais procurados são abertura de contas e empréstimos, informou.
Temos sérios problemas com falta de energia, isso ocorre direto. A parte sobre o banco postal não funciona nessa situação. Quando acontece, não trabalhamos mais com nada, apenas com a entrega de algumas correspondências”, disse.
Os problemas no fornecimento de energia elétrica no Bailique são recorrentes e de anos. Em janeiro de 2016, o distrito ficou 30 dias ininterruptos sem energia. Bailique também chegou a ficar 14 dias seguidos sem o fornecimento regular de energia em fevereiro. Na época, o problema teria sido causado após fiação entrar em contato com vegetação.

Luz Para Todos em comunidades rurais

Um termo de compromisso referente a execução do programa Luz Para Todos nas comunidades do interior do Amapá foi assinado entre entres as operadoras reguladoras de energia elétrica e a Justiça Federal, no início deste mês.
De acordo com o cronograma de execução do projeto da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), até o fim de 2018 as 11,7 mil famílias estarão com luz elétrica em casa a custo zero.
Na cerimônia de assinatura do termo, em audiência pública ocorrida no auditório do prédio da Justiça Federal, na zona norte de Macapá, estiveram presentes representantes das comunidades de assentados do Amapá, presidente CEA, representantes da Eletronorte, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e foi presidida pelo juiz João Bosco.
Sem dúvida alguma, vai haver um incremento na atividade produtiva dessas famílias nesses assentamentos”, ressaltou o magistrado.

Luz Para Todos no AP

O programa começou a ser executado no Estado em 2006, segundo o presidente da CEA, Marcelino da Cunha. De lá para cá, segundo relatórios apresentados pelo presidente, nove mil ligações já foram realizadas em todo o Amapá.

A previsão é de que a nova etapa do programa, gerido pela estatal, atinja 143 comunidades rurais com a previsão de investimentos na ordem de R$ 320 milhões. As primeiras comunidades a serem atendidas serão: Maracá, Água Branca do Cajarí, Lourenço e Carnot.

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