Combate à Corrupção e
Lavagem de dinheiro
Amapá colabora no
fortalecimento das ações estratégicas contra os ilícitos.
“O prejuízo brasileiro com
a corrupção chega ao montante de R$ 200 bilhões em todas as esferas. Além do
dinheiro desviado pela corrupção e o mal uso, o desperdiço dos recursos
públicos chegam a três vezes este valor, ou seja R$ 600 bilhões que vão para o
ralo”, diz Otni Alencar, chefe da
Controladoria-Geral do Estado do Amapá.
Reinaldo Coelho
Grandes operações de combate à corrupção e crimes financeiros complexos,
como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que hoje fazem parte do cotidiano
do País, não costumavam ser realizadas com tanta frequência no Brasil até
poucos anos atrás.
Muitos mecanismos foram instituídos para o combate a esse cancro maligno
que vem destruindo a economia brasileira e a política nacional, destruindo as
estruturas de serviços necessários a dia a dia da população, falta de
medicamentos, segurança pública, educação e por ai vai. E um deles foi o de
transformar esse combate em uma política de Estado, instituindo em 2003, a
Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).
A ENCCLA é formada por mais de 60 órgãos dos três poderes da República,
Ministérios Públicos e pela sociedade civil que atuam, direta ou indiretamente,
na prevenção e combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, responsáveis por
desenvolver e executar ações nesse campo.
Um dos principais resultados da ENCCLA, nesses 15 anos, foi a proposição
legislativa que resultou na promulgação de leis mais duras contra os atos de
corrupção, como a Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 12.683/2012) e a Lei
Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). Essa legislação brasileira mais rigorosa em
crimes de lavagem ou ocultação de bens, tornou mais severa as punições. Além de
manter a pena de três a dez anos, multas mais pesadas passaram a ser aplicadas,
passando do valor máximo de até R$ 200 mil para até R$ 20 milhões.
Outros resultados práticos desse esforço foi a modernização das
estruturas e carreiras da Polícia Federal. Pois foi dessa forma que a PF
conseguiu registrar um aumento de 1.739% no número de operações, comparando os
números de investigações entre 2003 e 2015.
Ações da ENCCLA
A ENCCLA realiza todo ano encontros regionais e Plenárias Nacionais,
onde são discutidos os mecanismos de combate aos crimes de corrupção e lavagem
de dinheiro no Brasil, surgindo novas ideias de ações. Pois é imprescindível
que haja uma maior interação entre estes atores para que o combate a esses
crimes seja mais efetivo, pois as estratégias dos criminosos também se
aprimoram.
Na XIV Reunião Plenária da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e
à Lavagem de Dinheiro, que aconteceu em Natal-RN, 28 de novembro a 2 de dezembro
de 2016, foram estabelecidas 11 ações que deveriam ser discutidas
regionalmente.
A 3ª Ação é a que estabelece as diretrizes para atuação coordenada da
Advocacia Pública e das estatais com o Ministério Público, os órgãos de
controle interno e externo e a Polícia, com vistas à prevenção e ao combate à
corrupção e terá sua discussão sediada no Estado do Amapá.
Sede do congresso
O Amapá foi escolhido pela Advocacia-Geral da União – que coordena a
terceira ação – para sediar o III Congresso Regional-Norte, que faz parte da 3ª
ação deste ano da ENCCLA. O tema “Combate Efetivo à Corrupção no Brasil: é
possível?” foi explanado por meio de palestras e mesas-redondas. O objetivo foi
proporcionar um amplo debate entre as instituições dos Estados da Região Norte,
voltados ao fortalecimento das ações das Procuradorias Gerais dos Estados na
defesa dos recursos públicos pela recuperação de ativos.
O evento no Amapá foi coordenado pela Controladoria Geral do Estado do
Amapá (CGE), – que representou, na estratégia, o Conselho Nacional de Controle
Interno (CONACI) –, em parceria com a Coordenação Geral da Ação, composta pela
Advocacia-Geral da União (AGU) e Procuradoria-Geral do Estado do Amapá.
O objetivo do encontro foi de criar estratégias e diretrizes que
possibilitem a integração entre a diversas instituições de controle e as
advocacias estaduais, os ministérios públicos de todas as esferas, os órgãos de
controle interno e externo e as polícias, para atuarem na prevenção e combate a
tais práticas ilícitas no Brasil.
O controlador-geral do Amapá, Otni Alencar, ressaltou que o congresso
tem extrema importância para o cenário regional, visto que “teremos a
oportunidade de discutir propostas para o fortalecimento das ações executadas
pela Advocacia Pública na defesa do Estado, nas ações judiciais que visam a
recuperação de ativos oriundos da lavagem de dinheiro e crimes contra a
administração pública”, pontuou.
Prestigiaram o evento o governador do Amapá, Waldez Góes, o
vice-governador Papaléo Paes; a procuradora do Estado Rio Grande do Sul,
Adriana de Mello; o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amapá,
Ricardo Soares; o presidente do Ministério Público do Amapá, Márcio Augusto
Alves; o presidente da OAB/AP, Paulo Campelo; o presidente da Assembleia
Legislativa do Estado, José Carlos Barbosa; e a deputada estadual, Marília
Góes, dentre outras autoridades e sociedade civil.
Na ocasião o governador do Amapá, Waldez Góes, socializou com os
presentes as medidas adotadas pela sua gestão, que desde 2015, tem trabalhado
no sentido de fortalecer os órgãos de controle do Estado. Garantindo, por
exemplo, à Procuradoria e Controladoria Gerais autonomia e orçamento para
desenvolver suas atividades. Além disso têm sido trabalhados marcos
regulatórios importantes.
Outro exemplo dado pelo chefe do Executivo foi a Lei do Sistema de
Controle Interno, resultado de um trabalho conjunto com o Legislativo e
Judiciário, além do Ministério Público (MP) e Tribunal de Contas (TCE), que só
foi possível graças a um ambiente de confiança e harmônico de todas essas
instituições, que iniciou ainda em 2015, quando o Governo do Estado liberou as
senhas de acesso ao Sistema de Planejamento, Orçamento e Gestão (SIPLAG). Até
então, só o governador e os secretários de Estado do Planejamento e de Fazenda
podiam acessar.
“Com isso, os poderes têm acesso em tempo real à execução orçamentária e
financeira do Estado”, frisou Góes, acrescentando que é de extrema importância
trazer ao Amapá as discussões que acontecem a nível nacional. “Isso fortalece
ainda mais tanto a relação do Estado com os órgãos externos, quanto o trabalho
que já seguimos executando no âmbito local. A socialização dos bons resultados
e a integração enriquecem a estratégia nacional e, sobretudo, as iniciativas do
Amapá”, salientou.
Outro grande avanço do Estado quanto ao controle foi a abertura do
orçamento do Estado em janeiro, a partir de 2017, o que não era feito há mais
de duas décadas.
O advogado da União e coordenador da ENCCLA, Pedro Vasques, pontuou que
a ideia da Estratégia é tornar encontros como este no Amapá constantes fazendo
com que cada instituição conheça e reconheça suas atribuições e passem a
desenvolver ações de forma integrada, e, portanto, eficiente.
“A ideia é que a atuação seja em três pilares: prevenção, detecção e
responsabilização a quem pratica algo neste sentido. O combate à corrupção é um
trabalho árduo, mas que se torna efetivo quando compartilhado, no sentido, por
exemplo, de quadro técnico especializado, criação de banco de dados comum,
traçar estratégias para a recuperação de ativos e outras ações”, explicou
Vasques.
O controlador-geral do Amapá, Otni Alencar, frisou que eventos como este
beneficiam não só as instituições públicas, mas a sociedade como um todo.
“Quando garantimos que o recurso público seja executado de forma responsável,
os benefícios são para todos”, disse.
Alencar exemplificou outro grande passo do Amapá: a regulamentação, este
ano, da Lei de Acesso à Informação, a qual permite a pessoas físicas ou
jurídicas o acesso a informações públicas dos poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário. “As informações que não estão disponíveis no Portal da
Transparência podem ser solicitadas nos próprios órgãos, onde há pessoas
capacitadas, que registram os pedidos dos cidadãos e os respondem em até 20
dias”, destacou Alencar.
A Lei de Acesso à Informação no Amapá foi uma iniciativa referenciada
pela secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção do Ministério da
Transparência e Controladoria Geral da União, Claudia Taya, em seu discurso.
“A gente viu a Lei ser regulamentada no Estado e estamos acompanhando a
implementação. Além disso, o Amapá aderiu ao Programa de Ouvidorias, ao
Observatório das Despesas Públicas da CGU e à Escala Brasil Transparente.
Assim, percebemos que essa gestão está investindo na transparência, que é o
grande instrumento de prevenção à corrupção atualmente”, considerou Taya.
A ENCCLA
A Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro foi
criada em 2003 e é composta por mais de 70 órgãos dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário nos níveis federal, estadual e municipal, e o
Ministério Público em todas as esferas. Com essa integração, busca-se formular
estratégias e políticas públicas eficazes na luta contra a prática de corrupção
e lavagem de dinheiro no país.
A cada ano são criadas e pactuadas ações a serem executadas por meio de
grupos de trabalho no ano subsequente. Diversos resultados já foram alcançados
por meio da ENCCLA, dentre eles a criação do Programa Nacional de Capacitação e
Treinamento para o Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (PNLD). Por meio
desse programa, foram capacitados mais de 18 mil agentes públicos em todo o
país. Demais resultados da Estratégia ao longo dos anos, podem ser vistos
em http://enccla.camara.leg.br/.
ENCCLA – Intensificação do combate a corrupção
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| O controlador geral do estado, Otni Alencar Júnior, |
O coordenador geral da Controladoria Estado, Otni Alencar, que
representa, no seminário, o Conselho Nacional de Controle Interno (CONACI) também
destacou uma das realidades do ENCCLA no Amapá o Laboratório de Tecnologia
contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) resultado da meta 16 da ENCCLA de 2006, que
previa a necessidade de “Implantar
laboratório modelo para a aplicação de soluções de análise tecnológica em
grandes volumes de informações e para a difusão de estudos sobre as melhores
práticas em hardware, software e a adequação de perfis profissionais”,
explicou o coordenador.
O LAB-LD-AP, foi o primeiro do seu tipo a ser implantado na região Norte. Os laboratórios utilizam soluções de análise tecnológica em grandes volumes de informações. Eles subsidiam investigações criminais de casos de lavagem de dinheiro ou corrupção que envolvam quebras de sigilo bancário de inúmeras contas, sigilos telefônico e fiscal durante grandes períodos.
Otni Alencar destacou que o encontro que aconteceu no Amapá está voltado
para o fortalecimento da Advocacia Pública nos Estados, qual seja as
procuradorias, mas efetivamente a lavagem de dinheiro. “Uma ação de improbidade que tramita no judiciário, leva de 3 a 5 anos,
até o seu julgamento final. Com isso o réu terá condições de desviar todos os
seus bens e até o final da ação, não tem mais nada. O objetivo então é
fortalecer as procuradorias, com o apoio do Ministério Público e dos TCE’s para
que ela possa mais efetivamente sequestrar esses bens, interromper e evasão de
divisas e garantir que a indenização retorne para o Estado, pois é um dinheiro
que sai do Estado”.
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Questionado sobre a participação efetiva de todos os órgãos envolvidos na ENCCLA, estão contribuindo para cumprir os objetivos traçados, o Coordenador Geral do Estado, definiu que todas as instituições, de acordo com suas estruturações, não tinham hábito de fazer compartilhamento, apoio institucional. “Antes os órgãos trabalhavam isolados, cada um cumprindo seus objetivos, em suas funções institucionais. Foi quando chegamos à conclusão em nível nacional nessas grandes discussões que são feitas na ENCCLA que isso não dão resultado, que tem de se ajudar. Isso não significa que o MP vai perder suas prerrogativas de combater os ilícitos, mas é dizer que aquilo em que os órgãos pode se ajudar, colaborar um com os outros, isso deve ser incentivado. A ENCCLA vem ao Amapá na Ação 3, tentar sensibilizar os órgãos que eles devem trabalhar de forma coordenada, na forma preventiva no combate a corrupção e a lavagem do dinheiro. Essa cultura de cada um por si, não serve mais ao País”.
O objetivo da ENCCLA é desenvolver essas
ações em benefícios de todos. “Hoje o
Amapá desponta neste cenário de combate a corrupção como o indutor, junto com
os demais órgãos na promoção dessas discussões, onde o Estado pode se inserir
no cenário nacional com os projetos que já estamos desenvolvendo”.









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