VALE DO ARAGUARI
Pesquisas
impulsionam o desenvolvimento econômico da região.
Reinaldo Coelho
O Vale do Araguari, que abrange as cidades de
Ferreira Gomes, Cutias, Porto Grande e Tartarugalzinho tem um grande potencial
econômico para o Estado do Amapá predominando a indústria pesqueira industrial
e artesanal. Porém, existes outros segmentos da economia local que podem ser
ampliados e beneficiar os produtores locais, tais como da agricultura familiar,
através de estudos de pesquisadores. Foi montado então um Programa de Fomento à
Pesquisa no Vale do Araguari, que através de pesquisas que serão feitas pela
Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (FAPEAP) e pelo Instituto de Pesquisas
Científicas e Tecnológicas do Estado (IEPA).
Esses estudos se
fizeram necessários, principalmente depois da implantação hidrelétricas no rio
Araguari, e seus impactos na vida dos habitantes do município de Ferreira Gomes
e que objetiva financiar a execução de projetos de pesquisa que impulsionem o
desenvolvimento econômico da região sobre influência da usina hidrelétrica de
Ferreira Gomes, por meio de auxílio financeiro, assessoramento e
monitoramento.
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| Pesquisadores apresentam propostas para desenvolvimento do Vale do Araguari |
Os resultados
parciais de onze trabalhos realizados por pesquisadores na região do Vale do
Araguari foram apresentados na terça-feira (19), em seminário, no auditório do
Museu Sacaca.
As pesquisas foram
selecionadas por meio de chamada pública realizada pela FAPEAP no ano passado.
Os projetos estão sendo desenvolvidos por pesquisadores vinculados às
instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado. Dessas, quatro
projetos são da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), três do Instituto de
Pesquisas Cientificas e Tecnológicas da Amapá (IEPA), três da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA/AP) e um da Universidade do Estado
do Amapá (UEAP).
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| Pesquisa é realizada há cerca de 15 anos com o intuito de aumento na produção de mandioca no estado (Foto Divulgação-Iepa) |
Entre os trabalhos
apresentados durante o seminário estava o da pesquisadora do Instituto de
Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA), doutora Ediluci do
Socorro Malcher, a respeito do aproveitamento tecnológico do açaí, cupuaçu,
tucumã e pupunha provenientes da Região do Araguari. Na ocasião, ela explanou
sobre o desenvolvimento dos produtos que podem ser aproveitados para fins
funcionais que servem para muitos fins, como medicamentos.
Um dos produtos
estudados é a polpa pasteurizada de cupuaçu, que pode ser conservada em
temperatura ambiente e utilizada em comunidades onde não há energia elétrica,
além da extração do óleo da fruta para utilização em cosméticos e no ramo
alimentício, além da viabilidade do encapsulamento dos ácidos graxos existentes
na fruta, considerados poderosos antioxidantes.
A pesquisadora
também falou sobre o fruto açaí que possui antocianina, benéfica a saúde,
principalmente na ação cardiovascular do corpo. “Queremos que nossas pesquisas
possam beneficiar não apenas a população do Vale do Araguari, mas que estes
conhecimentos possam ser expandidos para sociedade em geral”, afirmou Ediluci.
Outra pesquisa
divulgada foi a diversidade botânica na confecção de bijuterias e joias
artesanais nos municípios Ferreira Gomes e Porto Grande de autoria da doutora
Maria Aparecida dos Santos, também do IEPA. A pesquisadora fez o levantamento
da variedade de espécies vegetais utilizadas para a produção de bijuterias como
colares, pulseiras, brincos entre outros. Ela destaca que o artesanato é um
campo crescente de mercado.
“Iremos verificar
se a atividade é importante dentro do município como fonte alternativa de renda
para os moradores. Identificamos como principais sementes que podem ser
utilizadas: do açaí, do tucumã e da bacaba”, ilustrou Aparecida.
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| Marcelo Carim, engenheiro agrônomo e pesquisador do Iepa |
O engenheiro
agrônomo Marcelo Carim do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado
do Amapá (IEPA) e o trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Biotecnologia
Vegetal.
Segundo Carim o
processo inicia com a escolha de amostras da mandioca que são utilizadas em uma
atividade de micropropagação, onde o material é clonado e reproduzido em escala
comercial. A baixa taxa de multiplicação da planta motivou os estudos.
“A mandioca
apresenta uma promissora variedade de cultivo, mas devido a fatores biológicos,
a multiplicação é baixa e a produção de mandioca é demorada. Com a
biotecnologia da micropropagação, reproduzimos um material idêntico em tempo
menor e quem ganha é o produtor local e a economia amapaense”, ressaltou.
O coordenador de
projetos da FAPEAP, Edilson Mendes Pereira, explica que o próximo passo será o
processo de integração dos resultados de cada tema explanado com as comunidades
do Vale do Araguari, na qual os pesquisadores e técnicos das instituições
parceiras irão repassar as informações por meio de cursos e palestras. “Iremos
trabalhar in loco com a população desses municípios buscando melhorar o nível
de produtividade e diversificação no aproveitamento dos recursos naturais da
região”, explicou Mendes.
A etapa final do
programa está prevista para acontecer no mês de março de 2019, momento em que
serão apresentados os resultados finais das pesquisas.




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