sexta-feira, 22 de setembro de 2017

VALE DO ARAGUARI


VALE DO ARAGUARI
Pesquisas impulsionam o desenvolvimento econômico da região.


Reinaldo Coelho

O Vale do Araguari, que abrange as cidades de Ferreira Gomes, Cutias, Porto Grande e Tartarugalzinho tem um grande potencial econômico para o Estado do Amapá predominando a indústria pesqueira industrial e artesanal. Porém, existes outros segmentos da economia local que podem ser ampliados e beneficiar os produtores locais, tais como da agricultura familiar, através de estudos de pesquisadores. Foi montado então um Programa de Fomento à Pesquisa no Vale do Araguari, que através de pesquisas que serão feitas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (FAPEAP) e pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado (IEPA).

Esses estudos se fizeram necessários, principalmente depois da implantação hidrelétricas no rio Araguari, e seus impactos na vida dos habitantes do município de Ferreira Gomes e que objetiva financiar a execução de projetos de pesquisa que impulsionem o desenvolvimento econômico da região sobre influência da usina hidrelétrica de Ferreira Gomes, por meio de auxílio financeiro, assessoramento e monitoramento. 
Pesquisadores apresentam propostas para desenvolvimento do Vale do Araguari

Os resultados parciais de onze trabalhos realizados por pesquisadores na região do Vale do Araguari foram apresentados na terça-feira (19), em seminário, no auditório do Museu Sacaca.

As pesquisas foram selecionadas por meio de chamada pública realizada pela FAPEAP no ano passado. Os projetos estão sendo desenvolvidos por pesquisadores vinculados às instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado. Dessas, quatro projetos são da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), três do Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas da Amapá (IEPA), três da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA/AP) e um da Universidade do Estado do Amapá (UEAP).
Pesquisa é realizada há cerca de 15 anos com o intuito de aumento na produção de mandioca no estado (Foto Divulgação-Iepa)

Entre os trabalhos apresentados durante o seminário estava o da pesquisadora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA), doutora Ediluci do Socorro Malcher, a respeito do aproveitamento tecnológico do açaí, cupuaçu, tucumã e pupunha provenientes da Região do Araguari. Na ocasião, ela explanou sobre o desenvolvimento dos produtos que podem ser aproveitados para fins funcionais que servem para muitos fins, como medicamentos.

Um dos produtos estudados é a polpa pasteurizada de cupuaçu, que pode ser conservada em temperatura ambiente e utilizada em comunidades onde não há energia elétrica, além da extração do óleo da fruta para utilização em cosméticos e no ramo alimentício, além da viabilidade do encapsulamento dos ácidos graxos existentes na fruta, considerados poderosos antioxidantes.  

A pesquisadora também falou sobre o fruto açaí que possui antocianina, benéfica a saúde, principalmente na ação cardiovascular do corpo. “Queremos que nossas pesquisas possam beneficiar não apenas a população do Vale do Araguari, mas que estes conhecimentos possam ser expandidos para sociedade em geral”, afirmou Ediluci.

Outra pesquisa divulgada foi a diversidade botânica na confecção de bijuterias e joias artesanais nos municípios Ferreira Gomes e Porto Grande de autoria da doutora Maria Aparecida dos Santos, também do IEPA. A pesquisadora fez o levantamento da variedade de espécies vegetais utilizadas para a produção de bijuterias como colares, pulseiras, brincos entre outros. Ela destaca que o artesanato é um campo crescente de mercado. 

“Iremos verificar se a atividade é importante dentro do município como fonte alternativa de renda para os moradores. Identificamos como principais sementes que podem ser utilizadas: do açaí, do tucumã e da bacaba”, ilustrou Aparecida.

Marcelo Carim, engenheiro agrônomo e pesquisador do Iepa
O engenheiro agrônomo Marcelo Carim do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) e o trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Biotecnologia Vegetal.

Segundo Carim o processo inicia com a escolha de amostras da mandioca que são utilizadas em uma atividade de micropropagação, onde o material é clonado e reproduzido em escala comercial. A baixa taxa de multiplicação da planta motivou os estudos.

“A mandioca apresenta uma promissora variedade de cultivo, mas devido a fatores biológicos, a multiplicação é baixa e a produção de mandioca é demorada. Com a biotecnologia da micropropagação, reproduzimos um material idêntico em tempo menor e quem ganha é o produtor local e a economia amapaense”, ressaltou.

O coordenador de projetos da FAPEAP, Edilson Mendes Pereira, explica que o próximo passo será o processo de integração dos resultados de cada tema explanado com as comunidades do Vale do Araguari, na qual os pesquisadores e técnicos das instituições parceiras irão repassar as informações por meio de cursos e palestras. “Iremos trabalhar in loco com a população desses municípios buscando melhorar o nível de produtividade e diversificação no aproveitamento dos recursos naturais da região”, explicou Mendes.


A etapa final do programa está prevista para acontecer no mês de março de 2019, momento em que serão apresentados os resultados finais das pesquisas.

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