LOA – 2018
Repasse aos poderes será indexado pela inflação
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| Reunião do Conselho Fiscal definiu novas regras (Foto Marcelo Loureiro-Ascom GEA) |
Reinaldo Coelho
Anibal Sérgio
O orçamento
público tem tudo a ver com o nosso dia a dia. Grande parte das receitas
arrecadadas pelo governo saem do nosso bolso, direta ou indiretamente.
Repassamos uma parcela do que ganhamos para o governo em forma de impostos
indiretos, isto é, impostos que estão embutidos no preço das mercadorias e das
tarifas de serviços públicos. Há também os impostos diretos, como o imposto de
renda, que é pago por milhões de pessoas quando recebem o salário ou quando
prestam serviços para uma empresa ou para outras pessoas.
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| PODER EXECUTIVO |
O orçamento
público transforma-se em lei após passar por um processo de ampla negociação,
em que os governos federal, estadual e municipal deixam claro como pretendem
gastar a curto e médio prazo os recursos arrecadados com impostos,
contribuições sociais e outras fontes de receita. A elaboração do orçamento
público é obrigatória a todos os níveis de governo.
A elaboração do
orçamento segue uma periodicidade prevista em lei e na Constituição Federal de
1988. Assim, ele acontece de forma cíclica, de maneira que todas as ferramentas
se encaixem, ou seja, formando uma orientação lógica para orientar o orçamento
público.
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| ASSEMBLEIA LEGISLATIVA APROVA LDO 2018 |
O Projeto de Lei que
estabelece a Lei Orçamentária Anual (LOA - 2018) do Estado do Amapá, prevê
despesa total, no mesmo valor da receita, de R$ 5.847.622.514,00. A maior fatia
do Orçamento, no valor de R$ 3.237.298.893,00, foi destinada ao poder Executivo
estadual, distribuída entre os diversos órgãos e instituições vinculados a esse
poder.
Para o Legislativo
está fixado no orçamento o valor R$ 237.960.420,00, sendo R$ 172.878.376,00
para a Assembleia Legislativa, R$ 65.019.044,00 para o Tribunal de Contas e R$
63.000.000,00 para o Fundo de Modernização do Tribunal de Contas do Estado do
Amapá (FMTCE).
Para o poder
Judiciário caberá R$ 312.368.766,00, sendo R$ 304.071.594,00 para o Tribunal de
Justiça, R$ 6.924.454,00 para o Fundo de Manutenção e Reaparelhamento da
Justiça e R$ 1.372.718,00 para o Fundo de Apoio aos Juizados da Infância e da
Juventude. O Ministério Público terá orçamento no valor de R$ 160.343.104,00.
Deste valor, R$ 100.000,00 serão destinados ao Fundo Especial de Apoio e
Desenvolvimento do Ministério Público.
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| PODER JUDICIÁRIO |
O titular da
Secretaria de Planejamento do Estado do Amapá (SEPLAN), Antônio Teles Junior,
recebeu a reportagem do Tribuna Amapaense e fez uma análise sobre Lei
Orçamentária Anual (LOA 2018) do Estado.
Crescimento
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| PODER LEGISLATIVO |
Ele explicou que
os recursos do Tesouro, que são os recursos necessários para financiar despesas
funcionais do governo, aquelas despesas sem vinculação, eles cresceram. “Houve
um crescimento de 7,20% em relação a 2017. Temos um previsão de R$ 3.7 bilhões
para 2017, essa previsão está se confirmando em termo de arrecadação e para
2018 a nossa previsão é de 4.03%, considerando um crescimento de 7.20%”.
Indexação pela inflação
Teles Júnior
também falou sobre as despesas, considerado um ponto polêmico aqui no Amapá, a
questão dos repasses dos poderes. “Com referência aos repasses aos poderes. Em
2017 o valor previsto é de R$ 636 milhões, e a proposta para 2018 ficou no
valor de R$ 698 milhões houve um crescimento na ordem de 9,7% dos poderes,
entretanto foi feito um acordo que a partir de 2018, os poderes terão seus
orçamentos apenas reajustados pelo inflação e não mais, com base na receita
prevista. O que gerou muita polemica durantes os 27 anos de Estado do Amapá”,
detalhou Teles.
Mudanças de conceito de gastos público
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| Economista Antônio Teles, titular da Seplan-AP |
O titular da SEPLAN/AP
explicitou que o governo estadual começou a adotar o conceito de indexação do
gasto público, ou seja, que o crescimento dos gastos cresçam no máximo até ao
da inflação.
“Ao adotar o
conceito de indexação dos gastos públicos, o de fazer com que os gastos do governo
cresçam no máximo até o da inflação, se olharmos a inflação de 2016, 6,29%, ela
está muito próxima do valor global previsto para o Recurso do Tesouro. No valor
global do orçamento, a despesa está sendo corrigida no valor menor que a
inflação. Já que temos um valor global do Orçamento de 3%, para uma inflação de
6.29% e uma inflação prevista para 2017 de 3.2%, ou seja, estamos conseguindo
manter o valor global do Orçamento para 2018, compatível com a inflação do
período”.
Outras fontes de recursos
Antônio Teles realçou
um ponto importante na LDO, as outras fontes de recursos. “As outras fontes de
recursos que somaram R$ 1.900 bilhão em 2017, estão somando para 2018, R$ 1.700
bilhão. O Estado vem adotando uma postura de disciplinar a liberação de recursos
de Operação de Crédito, para evitar o impacto disso na Divida Pública. Mas
vamos ter que fazer alguns desembolsos de Operação de Crédito em 2018, em especial
um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal voltado para pagar as contra
partidas dos recursos federais captados que já estão a disposição do Estado. Já
estamos em negociação com a União e esperando um posicionamento positivo. Esse
recurso vai poder abarcar as contras partidas dos 16 municípios, permitindo que
o Estado possa executar um volume maior de recursos nestes municípios, como:
Emendas Parlamentar, Recursos Federais, entre outros”.
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| MINISTÉRIO PUBLICO ESTADUAL |
SUS
Outro ponto destacado
pelo secretário Teles foi com referência ao Sistema Único de Saúde (SUS), que
não tem tido um crescimento significativo nos últimos, anos, devidos aos cortes
que estão sendo feitos pela União. “Está previsto para 2018, R$ 135 milhões,
sendo que em 2017 a previsão era de R$ 134 milhões, um crescimento muito tímido”.
Déficit orçamentário
Uma das
preocupações do secretário da SEPLAN é com referência ao déficit orçamentário.
Pois o Estado já começa a ter um orçamento de compromisso para 2018, vislumbrando
a retomada da normalidade administrativa, o que se espera. “Temos um problema
do déficit orçamentário, muito alto, despesas contratadas é maior que a receita
prevista para o Orçamento. Essa situação de déficit ela deverá permanecer até
que o Estado consiga equilibrar, lá pelos anos 2020/2021, quando esperamos que
ocorra a inversão: Receita disponível seja igual a Despesa. Agora, para que isso
possa acontecer, é importante que os anos além de 2018 se mantenha essa visão
de crescimento das despesas compatível com a inflação. É bom lembrar que nos
anos anteriores a Despesa Contratada no Amapá vinha crescendo acima da inflação.
Para se ter uma ideia a Folha de Pagamento cresceu, entre 2006/2016, 282%, a
Receita Primária cresceu um pouco mais de 70% e a inflação do período foi de
88%, ai se vê o desequilíbrio. O Orçamento vinha crescendo ano a ano, então
vinha-se trabalhando uma ideia pré-estimação desse crescimento e a despesa
vinha alavancando e chegou o momento que a recessão provocou a queda da arrecadação
dos estados e da União. E ai o Estado ficou com dificuldade de cobrir essa
despesa contratada que foi realizada durante os últimos anos a nível de Brasil
e Amapá”.
Encontros e análises com os outros poderes
Questionado sobre
os permanentes encontros e reuniões com o outros poderes do Estado. “Os outros
poderes ainda tem uma vantagem em termos de Orçamento Previsto per capita em
relação a população, até do montante do orçamento, mas na hora que eles se
disponibilizam a aceitar a indexação como mecanismo de correção do orçamento
dos poderes, você cria base para suprimir esse debate, e para o acréscimo de
receita que possa por ventura ocorrer nos próximos anos eles sejam revertidos
para o Executivo. Isso foi uma demonstração de sensibilidade. Ainda temos ai,
em tese, uma vantagens dos poderes em relação ao Executivo. Porém, eles já se
dispuseram a corrigir o problema no futuro”.
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| Governador Waldez Góes |
Teles Júnior fez
questão de destacar o que acontecia anteriormente em outros governos. “Meu pai
foi parlamentar e da base aliado do governador Barcellos, que reclamava muito
dessa relação entre os poderes. O governador Capiberibe, governadora Dalva
Figueiredo, governador Waldez Góes e Pedro Paulo tiveram inclusive orçamentos
justicializados em função aos poderes. O governador Camilo também. Esse é um
processo histórico. Na hora em que os líderes se predispõem a mudar esse
processo, eu vislumbro ai um bom senso. A correção da despesa via inflação,
conforme predispõe a Lei do Limite do Gasto Público e a razoabilidade do ponto
de vista das Contas Públicas, ela é a solução definitiva para esse problema,
para que possamos ter os poderes harmônicos entre si, independente do que possam
trazer de benefícios para o cidadão. O que não se pode é ter o Orçamento para
tutelar os poderes ou vice-versa e gerar crises institucionais. Está havendo
uma agora, que o foco não é o orçamento, mas sabemos quanto isso é ruim para o
País, para o Estado, você ter crise”.
Continuando,
Antônio Teles Junior mais uma vez reforça que ainda há uma vantagem de fatos dos
poderes com o Executivo. “Mas se criou as bases para se resolver isso no
futuro. Essas bases são aquelas que forma: Reconhecendo o orçamentos dos
poderes tem que ser corrigido pela inflação, não mais no orçamento previsto,
que gerava aquela distorção entre o previsto e o arrecadado”.
O Projeto da LOA
será lido no plenário da Assembleia Legislativa do Estado durante 10 sessões e
seguirá para as Comissões Permanentes da Casa, onde será avaliado. Após a
votação em plenário será encaminhado ao chefe do Executivo para sanção ou veto.
De acordo com o presidente Comissão de Orçamento e
Finanças da ALAP, deputado Max da AABB, o Amapá está passando por uma
recuperação ao impacto sofrido com a crise financeira instalada no Brasil. Para
ele a previsão acima é um reflexo da mudança dessa realidade econômica.
“O Amapá está em processo de recuperação. Estava
previsto que o Estado demoraria 25 anos para se recuperar, mas na realidade já
está ocorrendo. Neste ano já tivemos uma arrecadação maior do que esperávamos”,
afirmou.
Em 2017 o orçamento previsto para o Estado foi de
R$ 4.858.502.925. Em 2016 de R$ 5.148.039.988.
O governo do Amapá diz que, no que se refere ao cenário
nacional, o ano de 2018 continua a exigir cautela e redução de despesas, tal
como vem ocorrendo em 2017.
A previsão do governo federal é que para 2018 a despesa
total, incluindo a transferência para Estados e municípios, caia para 18,9% do
PIB. A previsão do Banco Central para o PIB 2017 e 2018 é de 0,41% e 2,50%,
respectivamente, que após dois anos de contração começa a dar sinais de
recuperação.
No Amapá o PIB não deve obter índices elevados devendo
atingir uma taxa de crescimento de 4,11% nos próximos cinco anos (segundo dados
da SEPLAN). De outro modo, a variação de preço para o IPCA local manteve-se com
o patamar de 1,90% e 0,02% nos meses de janeiro e fevereiro de 2017.
“Por certo que as receitas próprias e as receitas de
transferência do governo federal, como o Fundo de Participação dos Estados
(FPE), ainda terão desempenho incerto em 2018, como ocorre em 2017, estando
condicionadas a aspectos econômicos locais, que por sua vez, relacionam-se
diretamente com o cenário nacional. Por essa razão a projeção orçamentária para
o exercício de 2018 está voltada para a manutenção do equilíbrio das contas
públicas, fundamental para a estabilidade econômica e, para o crescimento
sustentado do Amapá, pois é reflexo de um cenário onde a administração deve
criar e executar mecanismos para contenção dos gastos públicos, sob pena da crise
financeira se prolongar e conduzir a economia para um cenário cada dia pior”,
justifica o Executivo Estadual.








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