Transporte Urbano
Macapaense vai pagar caro por serviço péssimo
Após acordo entre
PMM e Setap, a passagem de ônibus volta a ser R$3,25 em Macapá. Uma família com
dois usuários gastará mensalmente, usando duas passagens diárias, R$ 162,50.
Reinaldo Coelho
Superlotação,
longa espera, atrasos, falta de respeito com os passageiros e ônibus velhos.
Essas são as principais reclamações daqueles que, diariamente, precisam
utilizar o sistema de transporte urbano de Macapá. Como se não bastasse, tem
ainda o valor pago para usufruir de um serviço, que na maioria das vezes, deixa
muito a desejar. O resultado é a total insatisfação dos passageiros macapaenses
com a qualidade do transporte público oferecido.
A começar
pelo novo valor da passagem, três reais e vinte e cinco centavos, estipulado
pelo juiz Mário Mazurek, da 2ª Vara Cível e de Fazenda Pública de Macapá,
durante uma audiência na última terça-feira (10), e decidiram que a partir da
quinta-feira, 12, começará a valer um novo valor para a passagem de ônibus na
capital. A taxa que atualmente é cobrada R$2,75 passará a valer R$3,25. Em
seguida, pelas más condições de muitos dos veículos em circulação na capital
amapaense.
Justicialização
Essa
situação perdura há muitos anos, entra prefeito e sai prefeito, a situação é a
mesma, é a Justiça que decide os aumentos da tarifa dos coletivos: A Setap
decide o preço que quer taxar para que o macapaense se utilize-se dos coletivos
que rodam na capital amapaense, mesmo com a trocas mínima realizada, que foi
diluída em quatro anos, já estão caindo aos pedaços, com a ajuda das precárias
ruas e avenidas da cidade esburacada.
Existe uma
simbiose na relação entre a Prefeitura de Macapá (leia-se o gestor mor) e os
empresários do Transporte Coletivo de Macapá. Existe projetos de reformas das
linhas, aumento do número de linhas, modernização do sistema de catracas,
controle através de sistema informática, Editais para Licitação de Transporte
Coletivo, está há anos para ser executado, quando não é a Justiça Estadual é o
Tribunal que encontra um entrave para que não aconteça.
É uma
caixa-preta essas manobras executados pela Setap, pede aumento, apresenta
planilhas, O Conselho Municipal desaprova, a Câmara a Municipal não se
manifesta e o Prefeito Clécio Luiz (REDE) não se aparece e eles recorrem à
Justiça e ganham o aumento.
Os
vereadores, que se dizem representantes dos macapenses no parlamento municipal
e o prefeito reeleito para cuidar dos cidadãos de Macapá, se omitem em pôr a
cara e dizer aos seus eleitores porquê eles vão ter de gastar quase 1/3 do
salário mínimo por mês em passagens para estudar e trabalhar. Uma família de
quatro pessoas deve gastar R$ 325,00 por mês, fazendo duas viagens (ida e
volta) diárias.
Aparentemente,
Clécio lavou as mãos diante do imbróglio que teria começado com o vereador
Rinaldo Martins (PSOL), depois encampado pelo Ministério Público do Estado, por
meio da Promotoria de Defesa do Consumidor. Numa ofensiva contra as pretensões
do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amapá (Setap), o MPE
protocolou pedido de anulação do aumento da tarifa de ônibus.
Justiça
bateu o martelo
O Sindicato
das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (Setap) entrou em acordo com
a Prefeitura Municipal de Macapá (PMM), durante uma audiência na última
terça-feira, e decidiram que a partir da quinta-feira, 12, começará a valer um
novo valor para a passagem de ônibus na capital. A taxa que atualmente é
cobrada R$2,75 passará a valer R$3,25.
A mudança
esteve atendendo um pedido feito pelo sindicato, que esteve alegando estar
tendo prejuízos com o valor atual da tarifa, ocorrido com aumento do preço da
gasolina e diesel, além do reajuste feito aos rodoviários. O valor já chegou a
valer por um período, mas não durou após uma derrubada feita pelo Tribunal de
Justiça do Amapá (Tjap).
Na decisão
da suspensão que ocorreu, o Desembargador Carmo Antônio afirma que “a tarifa de
remuneração do serviço de transporte coletivo tem como pressupostos cobrir os
reais custos do serviço prestado e remunerar o prestador do serviço dentro da
razoabilidade, a fim de coibir o enriquecimento sem causa e destinar ao usuário
um serviço de qualidade que atenda às necessidades da população”.
Segundo o
Desembargador o juízo fundamentou a decisão do aumento em parecer do Conselho Municipal
de Transportes, órgão consultivo, que não detém competência sobre a política
tarifária e “que o reajuste da tarifa de transporte público depende de processo
legislativo e deve ser instituído por meio de lei, não cabendo interferência do
Poder Judiciário em respeito ao princípio da separação dos poderes”.
Para o
Desembargador, a decisão de aumento da tarifa é satisfativa (para as empresas)
e dotada de irreversibilidade (para a sociedade), considerando que os valores
pagos pela população não serão revestidos a ela, mas sim absorvidos pela
iniciativa privada e incorporados ao patrimônio desta, “situação que afronta os
requisitos autorizadores das tutelas de urgência”.
Condicionantes
O diretor-presidente da Companhia de Trânsito
e Transportes de Macapá (CTMac), André Lima, explicou que após as discussões
foram determinadas contrapartidas por parte das empresas de ônibus, que incluem
aumento da frota em 35 carros, construção de 30 pontos e três terminais, além
da instalação de localização por GPS em todos os veículos.
As
condicionantes para as empresas começam a ser aplicadas a partir de 2018,
informou Lima. Com a alteração da passagem, a Tarifa Social foi mantida aos
domingos e feriados cobrando 50% do valor da tarifa a todos os usuários do
transporte público.
A tarifa
autorizada pela Justiça é menor do que a proposta pelo Setap, que era de R$
3,40. Porém, o valor de R$ 3,25 foi aprovado em abril de 2017 pelo Conselho
Municipal de Transporte, formado pelo Setap, CTMac, além de entidades sociais e
estudantis.
Superlotação, longa espera e sob o
sol escaldante
É rotina para quem depende de ônibus coletivos
em Macapá, além da demora e sem proteção nas paradas, quano os ônibus chegam a
superlotação é a principal queixa dos passageiros. Para tentar conseguir pegar
um lugar sentado no ônibus muitos saem mais cedo de casa. Outros preferem
esperar até que seja possível subir no transporte.
“Não deu
para ir neste ônibus! Se eu tivesse subido, teria ficado na porta. Não vou me
arriscar desse jeito, até porque é um absurdo, já que a gente paga uma passagem
tão cara. Prefiro chegar atrasada, mas viva ao trabalho”, disse a doméstica Jucelina
Azevedo, moradora do Jardim Felicidade.
A reportagem
da TRIBUNA AMAPAENSE encontrou Marilene no ponto de ônibus próximo a Feira do
Produtor, zona Norte da cidade. Ao chegar neste local, o ônibus já não tinha mais lugar. Três
paradas depois, já não cabia mais ninguém, os passageiros estavam imprensados,
alguns próximos ao para-brisa do ônibus.
“Essa não é
a primeira vez, quando chega esta hora
(7h10) sempre acontece, é muito difícil do motorista parar neste ponto. Eles
alegam que o ônibus estão cheios e não cabe mais ninguém. O passageiro que
espere mais 40 minutos pelo próximo e reze para que ele esteja vago”, disse
Tânia que esperava o transporte no Infraereo II.
E a espera
pelo ônibus não é apenas dela. Isso já faz parte da rotina da maioria dos
passageiros de ônibus de Macapá. O pintor Marcelo Barbosa é um outro exemplo.
Na manhã de ontem ele esperou mais de uma hora pelo ônibus. “Cheguei na parada
às 6h, já está perto das 7h e até agora nada do ônibus de Congóis. As vezes
tenho vontade de ir para o trabalho de bicicleta”, lamentou Marcelo Barbosa,
que aguardava o ônibus na parada da Avenida FAB, próximo ao Fórum de Macapá.
O atraso
dos ônibus despertou o interesse de dois motoristas de mototáxi, que estão
fazendo ponto próximo a essa parada. E a ideia parece que deu certo, segundo
eles, vários passageiros desistem de esperar pelos ônibus e acabam pegando o mototáxi.
“Quando as
pessoas estão atrasadas elas desistem do ônibus e nos procuram para fazer a
corrida. Às vezes, é melhor pagar um
pouco mais do que chegar atrasado no trabalho”, falou o mototaxista Antão Sena
Neto.
A longa
espera pelo ônibus se repete em praticamente todos os pontos de ônibus da
cidade, da zona Norte ou zona Sul. Seja ele intermunicipal ou urbano. E o
vigilante Jailson Almeida sabe muito bem o que é isso. “Varia muito o tempo de espera. Tem dias que espero 30 minutos, no outro
dia, espero uma hora. Não existe um cumprimento do cronograma dos horários.
Quando você chega naquela hora determinada o ônibus passa antes, aí depois você
chega antes para não perder e ele passa uma hora depois do horário previsto”,
disse o vigilante que mora em Fazendinha.
Box
Mais uma
promessa que não vai ser cumprida
Mais uma
vez, para ganhar o aumento da tarifa de ônibus de Macapá, o Setap, assinou um
acordo com contrapartidas por parte das empresas de ônibus, que incluem aumento
da frota em 35 carros, construção de 30 pontos e três terminais, além da
instalação de localização por GPS em todos os veículos.
Mas, o
macapaense está escaldado com as falsas promessas do prefeito Clécio Luiz e do
sindicato patronal, se não vamos ler isso:
Para reajustar o preço da passagem de ônibus em Macapá, a Prefeitura
Municipal e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá
(Setap) assinaram um acordo extrajudicial onde tinham o prazo até o dia 31 de
dezembro de 2015 para cumprir. Entre as melhorias no sistema de transporte
estariam a entrada de oitenta ônibus novos que e deveriam vir equipados com
sistema de internet sem fio (wifi) e câmeras de segurança.
O acordo extrajudicial previa que, caso esses coletivos não estivessem
em circulação na capital até o fim do ano, as empresas serão multadas em R$ 1
milhão, podendo receber multas diárias.
As empresas ficaram responsáveis de reformar os terminais de ônibus da
capital e construir 20 novos abrigos de passageiros. Ao todo, Macapá deveria
ter 250 veículos no sistema de transporte coletivo. Mas, de acordo com o
presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Empresas
de Transportes Rodoviários de Passageiros (Sincottrap), Genival Cruz, pouca
coisa avançou.
O sindicalista denunciou que os terminais de ônibus estão abandonados.
“Não passou de enganação esse acordo para aumentarem a passagem de R$ 2,10 para
R$ 2,75. Até agora os trabalhadores aguardam a reforma dos terminais”,
disparou.
Que você,
usuário, este acordo não foi cumprido e o novo assinado esta semana será? Vamos
sentir no bolso e na espera dos ônibus atrasados, poucas unidades circulando,
ônibus velhos servindo os bairros mais pobres, como Brasil Novo, Infraereo I e
II, Ypê. Outros nem circulam, nos sábados começa a ter um ônibus por linha.







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