sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

COLUNA CISMANDO - PEDRO VELLEDANA C

  
Poderia ter sido diferente...

É interessante observar que a história da humanidade poderia ter sido diferente se os fatos tivessem acontecido doutra forma. E, dessa maneira bem que poderíamos dizer que a história podia ter sido outra. É louvável imaginar. Quer ver só? Hipócrates e Galeno, os pais da Medicina, nunca sonharam com as vacinas, antibióticos, hospitais, transfusões de sangue, avanços da medicina. E mais – nunca imaginaram que existissem bactérias ou vírus. E se tivessem conhecido Luís Pasteur, o teriam considerado como uma espécie de semideus.
Os faraós do Egito não conheciam as gruas, o aço, nem o betão (um tipo de concreto), não possuíam ferramentas pesadas para construírem as pirâmides... e, elas continuam lá, perdurando século após século.  
Imaginem agora o que teria acontecido, se Tales de Mileto, Sócrates, Platão e Aristóteles, pudessem ter contado com um gravador.
Imaginemos também Virgílio com as suas Églogas (diálogos) e as suas Bucólicas, e Horácio com as suas Sátiras.
Ah, e as imortais ‘Tragédias’ de Sófocles, Ésquilo, Eurípides e Aristófanes, todos elas gravadas em disco. Que maravilha!
Júlio César e Alexandre Magno não conheceram nem canhões nem a pólvora, bem como tampouco desfrutaram duma boa pizza, dum filme ou de televisão. E pensar no que poderia ter acontecido no tempo de Nero se existissem equipes de futebol a competirem no Coliseu...
A história teria sido outra se os quatro evangelistas (Lucas, Mateus, Marcos e João) possuíssem computadores individuais.  Imaginem só...
Os textos e fotografias do momento poderiam ter sido difundidos, em tempo real, por todos os lugares da terra, através da internet.
Lembremos também que nem Cervantes, Dante Alighieri, Shakespeare, Dostoievski, Tolstoi e Oscar Wilde alguma vez tiveram uma máquina de escrever. É importante sabermos que os Vikings viajaram sem bússolas e que Cristóvão Colombo não pode levar alimentos enlatados, nem sequer uma simples geladeira para transportar umas cervejinhas para a viagem...
Apesar de todo o seu poderio e dos seus luxuosos palácios, os Reis da França nunca souberam o que era um bom quarto de banho, ou um simples sanitário (muito menos papel higiênico).
Os jardins de Versalhes eram uns labirintos artísticos para que as damas da corte pudessem esconder-se e levantar as suas volumosas saias para satisfazerem as suas necessidades.
Simão Bolívar, San Martín, Napoleão e Pancho Villa nunca tiveram, em suas mãos, uma AK-47, nem a imaginavam sequer. George Washington e Benjamin Franklin nunca puderam apanhar um táxi ou conduzir uma moto para chegarem mais rapidamente ao destino, nem contaram nunca com um simples ‘melhoral’ para as dores de cabeça.
Beethoven, que viveu os últimos anos da sua vida, totalmente surdo, não pôde usar auscultadores para ouvir as suas próprias composições, num equipamento de alta fidelidade. E Mozart, Donizzeti, Verdi e Puccini não puderam ouvir nunca as suas óperas gravadas num disco compacto para desfrutá-las tranquilamente em suas casas.
Imaginemos agora quão diferente teria sido a História se Heródoto, Plínio, Vesúvio, Marco Polo e Bernal Diaz Del Castillo, tivessem disposto de câmaras de filmar para registrarem as suas vividas descrições históricas. Também as seis esposas de Henrique VIII, da Inglaterra, talvez tivessem salvo a vida, ou tido melhor sorte, se naquela época, já existisse o divórcio ou Lei ‘Maria da Penha’. Sem dúvida, tudo teria sido diferente.
Se as costureiras da Idade Média tivessem máquinas de costura; se Carlos Magno tivesse um binóculo para dirigir as batalhas; se Hernán Cortés tivesse um dicionário bilíngue e Josefa Ortiz de Dominguez tivesse um telemóvel... Quem sabe a história não teria sido outra.
Imaginem o que o mundo não teria avançado se Pitágoras tivesse tido uma calculadora e Moisés uns óculos escuros para proteger-se do sol durante a sua famosa e longa viagem do ‘Êxodo’ pelo deserto.
O Sermão da Montanha, a conquista de Constantinopla pelos turcos, o Concílio de Trento, a coroação de Josefina por Napoleão, a tomada da Bastilha e a estreia da ópera ‘Aída’ na cidade do Cairo. Mas apesar de tudo, sem bússolas, gruas, betão, técnicas modernas de construção e demais invenções, fizeram-se as grandes obras. Incontestável!
Há aqui algumas coisas que hoje nos são comuns: Bolas... Acabou o rolo de papel; queimou-se o pão na torradeira; cortaram-me o  telefone; não encontro os óculos; estes sapatos são apertados; a bateria do carro foi abaixo; não há lugar para estacionar; roubaram-me a antena; o trânsito está lento; o voo está atrasado; que chuva inoportuna; não há maneira de me passar esta maldita gripe; lá se foi a luz; que raio de barulho; calem-me esse cão; o relógio adianta-se; a passagem é muito cara; acabaram as pilhas do controle; o computador pifou; a televisão avariou; tenho um pneu furado; o micro-ondas não funciona; ufa, estou a morrer de calor; há gente a mais na fila deste guichê... e mil coisas mais.  Não é assim?
Ninguém dá atenção (ou pelo menos não comenta) a tantas coisas agradáveis que nos rodeiam, porque lhes ligamos pouco ou mesmo nada. Por exemplo: Que lindo dia! Que agradável brisa que corre; que bem se vê o horizonte; que lindas nuvens; que bem canta aquele passarinho; que bela paisagem; que bem cheiram estas flores; hum, mas que prato tão saboroso; que linda música está a tocar; que belo sorriso o dessa menina; que bem te fica essa cor. E, finalmente: que bela é a vida! Porque não podemos ser assim?
No fundo, a nossa passagem por este mundo é muito curta e não deveríamos perder tempo com queixinhas e a criticar a vida, pois ela, faz o que pode e o que nós permitimos que ela faça.

Não é de se pensar?

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