O COMBATE AO ABUSO
DO PODER ECONÔMICO NAS ELEIÇÕES – IV
Besaliel Rodrigues
Continuando nossa abordagem anterior, vejamos outro instrumento poderoso de
combate à corrupção eleitoral:
b)
Mídia: É outra forma social de combate às interferências econômicas no
processo eleitoral. Na obraNotícias do Planalto, de Mario Sergio Conti,
podemos confirmar essa assertiva. Mas, a regra não tem sido essa. Os meios de
comunicação de nosso país têm deixado muito a desejar. São, na maioria, de
propriedade de políticos ou intensamente comprometidos com esses.
A mídia precisa desempenhar melhor seu papel na sociedade. Nossa Constituição
dispõe que os meios de comunicação social devem primar pela educação do povo
(art. 221). Isso implica em levar à população informações eleitorais e
políticas sadias à coletividade.
Mídia é uma palavra
derivada do latim, que significa meio. Possui várias acepções.
Aqui, estamos utilizando-a no sentido de conjunto dos meios ou veículos de
comunicação: rádios, tvs, jornais, revistas, etc. Mais sobre mídia, podemos
consultar: Mizuho Tahara, Mídia, São Paulo: Global, 1995, p. 9;
Tony Schwartz, Mídia: o segundo deus, trad. Ana Maria Rocha, São
Paulo: Summus, 1985, p. 19-23; e Al Ries e Jack Trout,Posicionamento: como a
mídia faz a sua cabeça, trad. José Roberto Whitaker Penteado, São Paulo:
Pioneira, 1993, p. 11-2.
Pouco temos visto essa preocupação da mídia. Diz Anis José Leão que as rádios e
televisões brasileiras “apresentam programação que só serve para manter baixo
ou abaixar mais o nível de consciência crítica de consumidores apalermados...”.
Ressalta Anis que nossos meios de comunicação social recebem tantos privilégios
do Estado, que “deviam sentir-se radiosos por poderem fazer alguma coisa útil,
diferente de mulher nua, cópulas em horário nobre, propaganda de cigarro e
bebida alcoólica e afrodisíacos orientais” (Texto “Virtudes e defeitos das
novas leis eleitorais”. In Direito eleitoral, Belo Horizonte: Del
Rey, 1996, p. 214. Ver tb Celso Antônio Bandeira de Mello, no texto
“Representatividade e democracia”, p. 48-9).
Necessitamos de uma mídia justa, responsável, comprometida com os interesses
sociais, disposta a cooperar com a eliminação dos problemas que atingem o
processo eleitoral, para termos uma democracia mais forte e real. A lei deve
regulamentar essa questão (Direitos humanos e eleições, cit., p. 17, 18
e 43. Da mesma forma, Lourival Freitas, Dominação política e cultural
nas comunicações, Brasília: Câmara dos Deputados, 1993,passim.).
Mas, independente de regulamentação legal, os meios de comunicação devem, de
moto próprio, mostrar-se conscientes de seu papel e comprometidos com a
coletividade, que dá sustentação à existência dos mesmos.
Celso Antônio Bandeira de Mello, no texto “Representatividade e democracia”,
disse que “... a grande maioria dos brasileiros sabe e pensa – e não apenas em
matéria política – aquilo que o rádio e a televisão os fazem saber e pensar, o
que confere a tais veículos um poder incontestável sobre a opinião nacional”.
In Direito Eleitoral. Belo Horizonte: Del Rey, 1996, p. 50. A
conscientização cívica e a (in)formação política do eleitorado nacional, têm
sido feitas e transmitidas basicamente pela televisão e pelo rádio e, mais
recentemente, pelas redes sociais. São instrumentos muito bons, entretanto,
mister estender, por intermédio de outros meios, o acesso destas informações à
sociedade.
c)
Instituições religiosas: As instituições religiosas também podem cooperar
com o combate ao abuso do poder econômico no processo eleitoral,
conscientizando melhor politicamente suas membresias, incentivando-os à
religiosidade, pois, como dizia Rui Barbosa: “As leis são um freio para os
crimes públicos, a religião, para os crimes secretos”. Isso aumenta o senso
moral e ético da sociedade, além de fazer com que as pessoas acreditem mais em
si mesmas, não se deixando facilmente corromper pelos políticos.
Essas instituições podem promover, na medida do possível, palestras com a
finalidade de esclarecer seus adeptos sobre como agir na vida em sociedade de
maneira responsável e consciente.
Os políticos têm-se aproveitado da religiosidade, boa vontade e baixo nível de
conscientização política existente nas instituições religiosas, de modo geral,
e têm encontrado terreno fértil para suas investidas abusivas.
As lideranças destes segmentos sociais precisam estar mais atentas a estes
tipos de políticos e precisam cooperar com a sociedade, no sentido de banir de
nosso meio aqueles que atuam como infratores em nossos processos eleitorais.
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