Tráfico ameaça
dominar os residenciais populares em Macapá
Reinaldo Coelho
Os
traficantes estão dominando os residenciais populares em Macapá – Mucajá, Oscar
Santos, São José e Macapaba I e II. Após uma rápida apuração, o Tribuna
Amapaense constatou que todos, absolutamente todos, os condomínios do “Minha
casa, minha vida” destinados aos beneficiários mais pobres — a chamada faixa 1
de financiamento — no município de Macapá são alvo da ação de grupos criminosos.
Procurando
diminuir o déficit habitacional de Macapá, o município e o governo estadual,
aderiram ao programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, desde o primeiro momento
e já foi entregue cinco residências a população, com investimentos de mais de
R$ 439 milhões, beneficiando em média 17.000 pessoas.
Neles
moram 7.376 famílias e o dobro desse número aguarda a conclusão do Jardim
Açucena e de mais duas que estão com suas obras paralisadas.
Os
que receberam as chaves de seus apartamentos concretizando o sonho da casa
própria, saindo do aluguel, e podendo morar em um local salubre, estão
decepcionados e aterrorizados. Pois, passaram a sofrer o assédio de criminosos
e são submetidas a situações vexatórias e perigosas, como expulsões feitas por
bandidos, bocas de fumo em apartamentos, interferência do tráfico no dia a dia
dos moradores, espancamentos e homicídios.
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| Traficantes presos no Residencial São José |
Essa
situação não é exclusividade dos residenciais macapaenses, em todo o Brasil, os
criminosos estão assumindo as lideranças nos conjuntos populares e se
aproveitando de um sistema organizado e com uma logística mais favorável e
passaram a vender drogas a aliciar menores para serem seus vendedores e
entregadores. E o mercado é grande são centenas de milhares de moradores,
tornando o mercado favorável ao tráfico.
Conjunto São José
Uma
dos mais novos Conjunto Habitacional do programa federal “Minha Casa Minha
Vida”, o Residencial São José, localizado na Zona Sul de Macapá completou um
ano que foi entregue 950 apartamentos, no valor de R$ 89 milhões com uma média
de 3.800 moradores. Vem sofrendo com a presença do tráfico e prostituição,
semanalmente as rondas policiais tem apreendido e detidos traficantes agindo na
área.
Os
moradores relatam que a presença de traficantes no conjunto é um problema
recorrente, já que esses indivíduos tentam impor a lei do silêncio, além de
aliciarem crianças e adolescentes para o tráfico e prostituição.
“Tem
alguns imóveis aqui que são usados pelos traficantes como boca de fumo para
venda e distribuição de drogas. Todo mundo sabe, mas ninguém denuncia por medo
de ser morto. A polícia também já sabe. Precisamos de mais segurança, de uma
unidade 24 horas da PM e rondas no bairro para garantir a segurança dos
moradores”, denunciou um morador.
Os
moradores do residencial São José, no bairro Novo Buritizal, zona sul de
Macapá, também estão temerosos com o aumento da venda e consumo de drogas.
“Tememos que aqui se torne um local sitiado por criminosos, como é o caso do
conjunto Mucajá, no Beirol, que mesmo tendo como quintal a base de operações do
Bope, bandidos não se intimidam traficando drogas, aliciando menores e
cometendo assaltos”, disse um morador que não quis se identificar, pelo obvio.
“Recentemente
os caras mataram um cidadão aqui na frente do São José, em um mercantil. Aquilo
foi acerto de drogas. Está insuportável. Já temos que nos recolher cedo da
noite porque pessoas armadas e em motos passaram a circular aqui dentro como
aqueles traficantes nos morros do Rio de Janeiro. Ou a polícia faz alguma coisa
urgente ou logo estaremos reféns dessa bandidagem”, declarou.
O
homem também declarou que menores estão sendo usados no tráfico de drogas. “Os
garotos estão escondendo as drogas dentro dos apartamentos. Quando os caras vem
comprar eles entram, pegam o entorpecente e entregam. E ai, quando a polícia
aparece raramente, eles abordam, mas, claro, não vão encontrar nada. Penso que
deve ser feito um trabalho de inteligência para pegar os ‘grandes’. É isso”,
declarou.
Residencial Mucajá
Um
dos primeiros conjuntos entregues pelo município de Macapá (2011), o Conjunto
Mucajá recebeu 592 famílias, com um total de quase 2.500 moradores a um custo
de R$ 30 milhões do programa federal se tornou figura carimbada as ações
policiais, com apreensão de drogas e de traficantes, roubos e os constantes
arrombamentos dos apartamentos.
Além
dos assaltos e da venda de drogas no conjunto que fica a poucos metros do
comando da Polícia Militar, a prostituição infantil é outro esquema explorado
pelos bandidos. “Os pais de meninas de 12,13 anos estão sendo praticamente
obrigados a deixar suas filhas saírem à noite para se prostituir. Basta olhar a
movimentação de carros altas horas”, disse uma moradora que não quer ser
identificada, mas que já teve um casal de filhos aliciados. A violência
descabida no local já resultou até mesmo em assassinatos no conjunto.
A
moradora, afirmou que outros criminosos continuam agindo entre os blocos de
apartamentos, e que o “comércio” do crime funciona em plena luz do dia. Segundo
a moradora, os blocos de apartamentos servem como abrigo para inúmeros
criminosos.
Menores
de idade estão servindo como executores de planos orquestrados por bandidos
maiores de idade. É de lá que saem quadrilhas inteiras que vem cometendo
“arrastões” em bairros como Araxá e Santa Inês. A moradora revelou que após os
assaltos cometidos em outros bairros os menores buscam abrigo nos apartamentos
de pessoas ligadas aos bandidos.
“É
um estado constante de medo aqui no conjunto. Quem ousa denunciar o paradeiro
dessas pessoas pode até mesmo ser morto. Eu mesma já tive minha casa visitada
por um homem que vende drogas no conjunto. Ele me abordou na porta do
apartamento dizendo que a partir daquele momento estava tomando o prédio como
ponto de venda de drogas. Se algum morador resolvesse falar isso à polícia
seria duramente castigado”, revelou.
Ações policiais
Os
órgãos de segurança pública, estão em ação diuturnamente na captura e apreensão
de drogas, nesses locais, porém, as ações de inteligência e captura desses
membros do crime de tráfico, está sendo feito pela Policia Cuivil, diretamente
pela delegacia especializada no combate ao tráfico.
O
delegado Sidney Leite, titular da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes do Amapá
(DTE), ressaltou que além reprimir o tráfico de drogas, a operação também
fiscaliza o porte ilegal de armas de fogo. Para ele, os resultados se devem,
principalmente, ao policiamento ostensivo e à parceria entre os moradores e a
polícia. “Ali, moram pessoas de bem. Identificamos pessoas que passaram a
colaborar com a polícia. Também passamos a fazer operações quase diárias, para
o tráfico não dominar a área”, revela.
“Recebemos
diversas denúncias de moradores dos conjuntos habitacionais sobre tráfico de drogas
e sabemos que este problema ocasiona uma série de outros crimes, como porte
ilegal de armas, assaltos, lesão corporal e até homicídios”, disse.
Em
junho foi deflagrado uma operação conjunta da Policia Civil com a Policia
Militar no Conjunto Residencial São José que resultou no cumprimento de 13
mandados de busca e apreensão.
O tenente-coronel do 1º Batalhão da PM,
Petrúcio Santana, disse na ocasião que a corporação realiza constantes
patrulhamentos e operações no conjunto habitacional. “Já tiveram situações
recentes em que houve prisões e apreensão de armas. Os moradores estão sempre
denunciando e por isso o policiamento é constante”, enfatizou.





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