sábado, 10 de fevereiro de 2018

A evolução demográfica de Macapá nos seus 260 anos!


A evolução demográfica de Macapá nos seus 260 anos!
        Adrimauro Gemaque, Articulista.




       A cidade de Macapá, que neste dia 4 de fevereiro completa 260 anos de fundação, tem a sua origem a partir de um destacamento militar. Segundo o historiador Edgar Rodrigues, (...) a história da cidade de São José de Macapá remonta aos idos coloniais e está relacionada à defesa e fortificação das fronteiras do Brasil, bem como à preocupação de garantir a fixação do homem em terras brasileiras, assegurando, assim, a soberania de Portugal nas terras conquistadas.
Ainda segundo o mesmo historiador, o núcleo de colonização tem sua origem em 1738, após vários conflitos com os franceses de Caiena.
            Porém, foi o governador do Grão Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que elevou Macapá à condição de vila em 4 de fevereiro de 1758. São mais de dois séculos e meio depois da sua criação.
            Macapá foi elevada à condição de cidade, em 6 de setembro de 1856, pela Lei n.º 281. Sua divisão político-administrativa ocorre no ano de 1911. O município é constituído como sendo o distrito sede.
            Quando Macapá foi elevada à condição de vila, em 1758, não constavam registros oficiais sobre a população, por ela pertencer à Província do Grão Pará. Os primeiros dados oficiais sobre a demografia macapaense remontam do Recenseamento Geral do Brasil de 1872. Eram 876 habitantes, sendo 734 livres e 142 escravos, ou seja, 19,34% da população de Macapá eram de origem escrava. O que chama a atenção é que nos dados do mesmo censo (1872) a população de Mazagão era maior que a de Macapá. Mazagão tinha 2.222 habitantes, sendo 2.195 livres e 77 escravos.
            Em 1872, num Brasil Imperial e pela sua extensão territorial, foi um desafio a logística para realizar o primeiro levantamento da população brasileira. Porém, tratava-se de um das políticas inovadoras do imperador D. Pedro II.
            Um estudo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (2013) aponta que por ocasião do Censo de 1872 a população escrava representava 15,24% dos habitantes do Brasil. O que se constata é que no mesmo Censo a mesma população em Macapá representava 19,34%. Como se vê, percentual acima da média do Brasil. Mazagão registrava apenas 3,5% de escravos entre os seus residentes.
            O Recenseamento de 1900 levantou que em Macapá existiam 6.707 moradores. Então, em 28 anos que compreenderam o Censo de 1872 e o de 1900 a população aumentou em 5.881 habitantes. No Recenseamento Geral de 1920, a população que foi contabilizada ficou em 18.387 moradores, ou seja, houve crescimento de 31,98%, em relação ao censo anterior. Já no Recenseamento Geral de 1940, o último antes da criação do território federal do Amapá, que ocorreu em 1943, a população de Macapá era de 16.234 habitantes, sendo 1.012 na zona urbana e 15.222 na zona rural. Na nossa Macapá dos anos de 1940 a população se caracterizava essencialmente rural.
            Com a criação do território federal do Amapá, em 13 de setembro de 1943, pelo Decreto Lei Federal n.º 5.812, surge então uma nova unidade federativa no Brasil. Através do Decreto-lei Federal nº 5.839, de 21 de setembro de 1943, uma nova divisão polítco-administrativa dividia o Amapá em três municípios: Amapá, Mazagão e Macapá. Já através do Decreto Lei Federal de 31 de maio de 1944, Macapá é investida na categoria de capital do novo território federal do Amapá.
            Com isso, os dados do Recenseamento Geral de 1950 nos revelam que Macapá, como a capital do então território federal, possuía 20.594 habitantes. Assim, podemos constatar que se passaram 128 anos para que a população de Macapá chegasse acima de 20 mil habitantes, ainda com predominância rural.  Todavia, a inversão dessa taxa de ocupação de Macapá começa a ser alterada com a criação dos municípios de Ferreira Gomes, Santana e Serra do Navio, através da Lei Federal nº 7.639/87. Depois, com a elevação dos distritos de Porto Grande e Itaubal do Piririm à categoria de municípios, pelas leis estaduais nº 03 e 05/1992, respectivamente. Os cincos municípios criados tiveram suas áreas remanescentes do município de Macapá.
Essa constatação se confirma no Censo Demográfico de 2000. Macapá possuía 283.308 habitantes, sendo 270.628 na zona urbana e 12.680 em área rural, ou seja, 95,32% estavam ocupando a zona urbana do município. O Censo Demográfico de 2010 nos revelou que este percentual de ocupação da área urbana pela população aumentou: eram 380.937 na zona urbana e 16.976 na zona rural. Assim, o percentual ocupado na área urbana passa para 95,55% do total de moradores de Macapá. Evidentemente que a alteração na taxa de urbanização da população de Macapá sofreu também influência de outros fatores, como o êxodo rural e a emigração, que contribuíram sem dúvidas para essas alterações no espaço geográfico. A emigração registrada pelo Censo de 2010 apontou que 32% dos residentes em Macapá não haviam nascido no município.
Macapá ocupa a 53ª posição, em termos populacionais, no ranking dos 5.570 municípios de todo o país. Seus habitantes são jovens, a faixa etária com maior grupo populacional é de 10 a 14 anos. Foi o que revelou o Censo de 2010. Eram 45.057 jovens, que representavam 11,82% do total. Entretanto, não podemos deixar de registrar que o envelhecimento, um fenômeno mundial, alcança também Macapá. Em 2010, eram 20.508 pessoas com mais de 60 anos residindo em Macapá, dentre elas 132 tinham mais de 100 anos.
A população da Macapá atualmente é estimada em 474.706 habitantes, e possui  densidade demográfica de 62,14 hab/km².  Macapá fincou suas raízes nas margens do majestoso rio Amazonas. Cresce olhando para a Fortaleza de São José em respeito aos seus baluartes, símbolo da arquitetura portuguesa que embeleza a sua paisagem.
      

       Adrimauro Gemaque, Articulista.



Fonte: IBGE (Censos Demográficos de 1872, 1900, 1920, 1940, 1950, 2000 e 2010)

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