A evolução
demográfica de Macapá nos seus 260 anos!
A cidade de Macapá, que neste dia 4 de fevereiro completa 260 anos de
fundação, tem a sua origem a partir de um destacamento militar. Segundo o
historiador Edgar Rodrigues, (...) a
história da cidade de São José de Macapá remonta aos idos coloniais e está
relacionada à defesa e fortificação das fronteiras do Brasil, bem como à
preocupação de garantir a fixação do homem em terras brasileiras, assegurando,
assim, a soberania de Portugal nas terras conquistadas.
Ainda segundo o mesmo historiador, o núcleo de
colonização tem sua origem em 1738, após vários conflitos com os franceses de
Caiena.
Porém,
foi o governador do Grão Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado,
que elevou Macapá à condição de vila em 4 de fevereiro de 1758. São mais de
dois séculos e meio depois da sua criação.
Macapá
foi elevada à condição de cidade, em 6 de setembro de 1856, pela Lei n.º 281.
Sua divisão político-administrativa ocorre no ano de 1911. O município é
constituído como sendo o distrito sede.
Quando
Macapá foi elevada à condição de vila, em 1758, não constavam registros
oficiais sobre a população, por ela pertencer à Província do Grão Pará. Os
primeiros dados oficiais sobre a demografia macapaense remontam do
Recenseamento Geral do Brasil de 1872. Eram 876 habitantes, sendo 734 livres e
142 escravos, ou seja, 19,34% da população de Macapá eram de origem escrava. O
que chama a atenção é que nos dados do mesmo censo (1872) a população de
Mazagão era maior que a de Macapá. Mazagão tinha 2.222 habitantes, sendo 2.195
livres e 77 escravos.
Em
1872, num Brasil Imperial e pela sua extensão territorial, foi um desafio a
logística para realizar o primeiro levantamento da população brasileira. Porém,
tratava-se de um das políticas inovadoras do imperador D. Pedro II.
Um
estudo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (2013) aponta
que por ocasião do Censo de 1872 a população escrava representava 15,24% dos
habitantes do Brasil. O que se constata é que no mesmo Censo a mesma população
em Macapá representava 19,34%. Como se vê, percentual acima da média do Brasil.
Mazagão registrava apenas 3,5% de escravos entre os seus residentes.
O
Recenseamento de 1900 levantou que em Macapá existiam 6.707 moradores. Então,
em 28 anos que compreenderam o Censo de 1872 e o de 1900 a população aumentou
em 5.881 habitantes. No Recenseamento Geral de 1920, a população que foi
contabilizada ficou em 18.387 moradores, ou seja, houve crescimento de 31,98%,
em relação ao censo anterior. Já no Recenseamento Geral de 1940, o último antes
da criação do território federal do Amapá, que ocorreu em 1943, a população de
Macapá era de 16.234 habitantes, sendo 1.012 na zona urbana e 15.222 na zona
rural. Na nossa Macapá dos anos de 1940 a população se caracterizava
essencialmente rural.
Com
a criação do território federal do Amapá, em 13 de setembro de 1943, pelo
Decreto Lei Federal n.º 5.812, surge então uma nova unidade federativa no
Brasil. Através do Decreto-lei Federal nº 5.839, de 21 de setembro de 1943, uma
nova divisão polítco-administrativa dividia o Amapá em três municípios: Amapá,
Mazagão e Macapá. Já através do Decreto Lei Federal de 31 de maio de 1944,
Macapá é investida na categoria de capital do novo território federal do Amapá.
Com
isso, os dados do Recenseamento Geral de 1950 nos revelam que Macapá, como a
capital do então território federal, possuía 20.594 habitantes. Assim, podemos
constatar que se passaram 128 anos para que a população de Macapá chegasse
acima de 20 mil habitantes, ainda com predominância rural. Todavia,
a inversão dessa taxa de ocupação de Macapá começa a ser alterada com a criação
dos municípios de Ferreira Gomes, Santana e Serra do Navio, através da Lei
Federal nº 7.639/87. Depois, com a elevação dos distritos de Porto Grande e
Itaubal do Piririm à categoria de municípios, pelas leis estaduais nº 03 e
05/1992, respectivamente. Os cincos municípios criados tiveram suas áreas
remanescentes do município de Macapá.
Essa constatação se confirma no Censo
Demográfico de 2000. Macapá possuía 283.308 habitantes, sendo 270.628 na zona
urbana e 12.680 em área rural, ou seja, 95,32% estavam ocupando a zona urbana
do município. O Censo Demográfico de 2010 nos revelou que este percentual de
ocupação da área urbana pela população aumentou: eram 380.937 na zona urbana e
16.976 na zona rural. Assim, o percentual ocupado na área urbana passa para
95,55% do total de moradores de Macapá. Evidentemente que a alteração na taxa
de urbanização da população de Macapá sofreu também influência de outros
fatores, como o êxodo rural e a emigração, que contribuíram sem dúvidas para
essas alterações no espaço geográfico. A emigração registrada pelo Censo de
2010 apontou que 32% dos residentes em Macapá não haviam nascido no município.
Macapá ocupa a 53ª posição, em termos
populacionais, no ranking dos 5.570 municípios de todo o país. Seus habitantes
são jovens, a faixa etária com maior grupo populacional é de 10 a 14 anos. Foi
o que revelou o Censo de 2010. Eram 45.057 jovens, que representavam 11,82% do
total. Entretanto, não podemos deixar de registrar que o envelhecimento, um
fenômeno mundial, alcança também Macapá. Em 2010, eram 20.508 pessoas com mais
de 60 anos residindo em Macapá, dentre elas 132 tinham mais de 100 anos.
A população da Macapá atualmente é
estimada em 474.706 habitantes, e possui densidade demográfica de
62,14 hab/km². Macapá fincou suas raízes nas margens do majestoso
rio Amazonas. Cresce olhando para a Fortaleza de São José em respeito aos seus
baluartes, símbolo da arquitetura portuguesa que embeleza a sua paisagem.
Adrimauro
Gemaque, Articulista.
Fonte:
IBGE (Censos Demográficos de 1872, 1900, 1920, 1940, 1950, 2000 e 2010)
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