Roubo e furto de gado traz um prejuízo de R$ 58 milhões
para o Amapá e Pará
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| A reunião aconteceu no auditório da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), na zona central da capital amapaense. |
Parcerias entre Amapá e Pará para combater o crime
pecuário uniu os órgãos públicos e privados.
Reinaldo Coelho
“Existe uma estratégia de enfrentamento ao
crime organizado que é o compartilhamento de informações, sejam de entes
públicos em todas as esferas, seja da sociedade civil, então só isso já teria
valido a pena a gente parar uma manhã como essa e debater estratégias para
enfrentar o problema”, disse Jesus Pontes, presidente da Associação de
Criadores do Amapá, que estima um prejuízo de mais de R$ 50 milhões entre 2015
e 2016 com o roubo e furto de gado.
“A partir de agora temos
a responsabilidade de buscar as saídas para criar as devidas composições para
que, o mais rápido possível, possamos ter resultado de nossas ações”, afirmou o gerente-geral da Adepará, Luis Pinto, que se
encontrava em Macapá durante o encontro em que foram envolvidos os pecuaristas
e órgãos públicos dos Estados do Pará e Amapá para montar estruturas para
minimizar os prejuízos com o roubo e furto de gado no seus Estados.
O Estado do Pará que tem na região do Marajó
a concentração de bubalinos e no município de Chaves, por exemplo, a perda
anual é de cerca de R$ 8 milhões.
Montar parcerias
Para criar estratégias de combate a esses
crimes os dois Estados se uniram e promoveram um encontro em Macapá organizado
pelas Agências de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (DIAGRO) e Defesa
Agropecuária do Pará (ADEPARÁ), o evento reuniu pecuaristas e órgãos públicos
dos dois estados para montar estratégias de combate a furtos e roubos de gado.
E, também aumentar o controle sanitário animal nas regiões costeiras do Amapá e
Ilha do Marajó (PA). A reunião aconteceu no auditório da Secretaria de Estado
do Planejamento (SEPLAN), na zona central da capital amapaense.
Entre as ideias sugeridas no encontro estão a
criação de delegacias especializadas, aumento do efetivo das Policias Civil e
Militar nas regiões e o estabelecimento de um Protocolo de Intenções entre
todas as entidades envolvidas no controle sanitário dos dois Estados.
O diretor-presidente da DIAGRO, José Renato
Ribeiro, se mostrou otimista com a iniciativa. “Pela primeira vez conseguimos
organizar este encontro e, com certeza, terá avanços e futuramente teremos
resultados positivos”, declarou.
Combate
Apesar do prejuízo financeiro as ações
promovidas pela Associação de Criadores do Amapá e outros órgãos públicos do
Estado mostram a diminuição significativa do crime. Em 2016, por exemplo, a
redução foi de 20% em relação à 2017. Já no ano passado a queda foi bem mais
acentuada – cerca de 80%. Mesmo assim, os índices de roubo e furto de gado
ainda são considerados altos pela ACRIAP.
O presidente da entidade, Jesus Pontes,
também se mostrou otimista com o bom nível dos debates. “Existe uma estratégia
de enfrentamento ao crime organizado que é o compartilhamento de informações,
sejam de entes públicos em todas as esferas, seja da sociedade civil. Então só
isso já teria valido a pena a gente parar uma manhã inteira e debater
estratégias para enfrentar o problema”, avaliou o presidente da ACRIAP.
O delegado César Augusto Vieira, titular da
delegacia de município de Calçoene e Pracuúba (Região dos Lagos), uma região
promissora da pecuária amapaense detalhou as ações que vem executando nessas
localidades e que estão sendo bem recebidas pelos pecuaristas locais, pelo
sucesso que vem promovendo na queda de roubos de gado na região.
O delegado detalhou as dificuldades que
enfrenta para executar o combate, principalmente na questão do número de
efetivos e estrutura na Polícia Judiciária que é a que trabalha na
investigação, porém, diante de todas as demandas que lhe chegam diariamente nas
delegacias de sua responsabilidade. “Como estou atuando junto as delegacias de
Pracuúba que envolvem os interiores de Tartarugalzinho e Amapá, uma região
vasta de criação de gado, principalmente de bubalino. Diante do que temos
ouvido da população, aqueles que tem sofrido com esse tipo de conduta ilícita,
resolvemos estabelecer algumas prioridades pra o combate de forma efetiva
desses criminosos, essas pessoas que voltam sua atividade principal em praticar
o crime ao animais”.
A DIAGRO, de acordo com o delegado César
Augusto, tem um papel importante no aspecto administrativo e gerencial, voltado
ao controle dos rebanhos, ao controle dos pecuaristas, da região e das áreas, principalmente
nas questões de vacinação da febre aftosa. “É um controle muito importante começarmos
de forma mais sintonizada, com as polícias Civil e Militar em cooperação com a DIAGRO.
Justamente para fornecer uma situação de controle tanto na questão da sanidade
dos animais, que sabemos todo a parte criminal envolvendo esse tipo de
condutas, esses animais acabam ficando sem controle. Pois os animais, objetos
de crime, não passam por um controle rigoroso e isso acaba trazendo uma série
de consequências a economia do Estado”.
O médico veterinário, Slow Barbosa, da ADEPARÁ,
confirmou que o município de Chaves registra anualmente um grande número de
animais que desaparecem em fazendas da região. “São cerca de 4 a 5 mil cabeças
de gado que são roubadas ou furtadas. E na maioria das vezes, elas são vendidas
de forma clandestina, o que causa um prejuízo maior para a economia local, que
deixa de arrecadar com os impostos”, finalizou.
Em agosto está prevista a realização de um
Fórum em Chaves para avaliar o que avançou desde essa primeira reunião e
planejar novas ações.
A parceria de envolver os órgãos de defesa
estaduais e federais, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Segurança
Pública, Ministério Público e Capitania dos Portos nas ações de fiscalização e
apreensão de roubo/furto. – A reativação de termo de cooperação técnica entre
Pará e Amapá. –Intensificação de medidas de fiscalização e controle dos
produtos de origem animal que são disponibilizados para o mercado consumidor. – Treinamento de polícia técnica do Estado do
Pará e Amapá para verificação em casos de roubo de animais. – Criação de um
fórum permanente de discussão. – Criação de delegacia especializada na
investigação do roubo de gado.



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