sábado, 10 de fevereiro de 2018

PECUÁRIA



Roubo e furto de gado traz um prejuízo de R$ 58 milhões para o Amapá e Pará

A reunião aconteceu no auditório da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), na zona central da capital amapaense.

 
Parcerias entre Amapá e Pará para combater o crime pecuário uniu os órgãos públicos e privados.

Reinaldo Coelho

Existe uma estratégia de enfrentamento ao crime organizado que é o compartilhamento de informações, sejam de entes públicos em todas as esferas, seja da sociedade civil, então só isso já teria valido a pena a gente parar uma manhã como essa e debater estratégias para enfrentar o problema”, disse Jesus Pontes, presidente da Associação de Criadores do Amapá, que estima um prejuízo de mais de R$ 50 milhões entre 2015 e 2016 com o roubo e furto de gado.

“A partir de agora temos a responsabilidade de buscar as saídas para criar as devidas composições para que, o mais rápido possível, possamos ter resultado de nossas ações”, afirmou o gerente-geral da Adepará, Luis Pinto, que se encontrava em Macapá durante o encontro em que foram envolvidos os pecuaristas e órgãos públicos dos Estados do Pará e Amapá para montar estruturas para minimizar os prejuízos com o roubo e furto de gado no seus Estados.
O Estado do Pará que tem na região do Marajó a concentração de bubalinos e no município de Chaves, por exemplo, a perda anual é de cerca de R$ 8 milhões.

Montar parcerias

Para criar estratégias de combate a esses crimes os dois Estados se uniram e promoveram um encontro em Macapá organizado pelas Agências de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (DIAGRO) e Defesa Agropecuária do Pará (ADEPARÁ), o evento reuniu pecuaristas e órgãos públicos dos dois estados para montar estratégias de combate a furtos e roubos de gado. E, também aumentar o controle sanitário animal nas regiões costeiras do Amapá e Ilha do Marajó (PA). A reunião aconteceu no auditório da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAN), na zona central da capital amapaense.

Entre as ideias sugeridas no encontro estão a criação de delegacias especializadas, aumento do efetivo das Policias Civil e Militar nas regiões e o estabelecimento de um Protocolo de Intenções entre todas as entidades envolvidas no controle sanitário dos dois Estados.
O diretor-presidente da DIAGRO, José Renato Ribeiro, se mostrou otimista com a iniciativa. “Pela primeira vez conseguimos organizar este encontro e, com certeza, terá avanços e futuramente teremos resultados positivos”, declarou.

Combate

Apesar do prejuízo financeiro as ações promovidas pela Associação de Criadores do Amapá e outros órgãos públicos do Estado mostram a diminuição significativa do crime. Em 2016, por exemplo, a redução foi de 20% em relação à 2017. Já no ano passado a queda foi bem mais acentuada – cerca de 80%. Mesmo assim, os índices de roubo e furto de gado ainda são considerados altos pela ACRIAP.
O presidente da entidade, Jesus Pontes, também se mostrou otimista com o bom nível dos debates. “Existe uma estratégia de enfrentamento ao crime organizado que é o compartilhamento de informações, sejam de entes públicos em todas as esferas, seja da sociedade civil. Então só isso já teria valido a pena a gente parar uma manhã inteira e debater estratégias para enfrentar o problema”, avaliou o presidente da ACRIAP.
O delegado César Augusto Vieira, titular da delegacia de município de Calçoene e Pracuúba (Região dos Lagos), uma região promissora da pecuária amapaense detalhou as ações que vem executando nessas localidades e que estão sendo bem recebidas pelos pecuaristas locais, pelo sucesso que vem promovendo na queda de roubos de gado na região.
O delegado detalhou as dificuldades que enfrenta para executar o combate, principalmente na questão do número de efetivos e estrutura na Polícia Judiciária que é a que trabalha na investigação, porém, diante de todas as demandas que lhe chegam diariamente nas delegacias de sua responsabilidade. “Como estou atuando junto as delegacias de Pracuúba que envolvem os interiores de Tartarugalzinho e Amapá, uma região vasta de criação de gado, principalmente de bubalino. Diante do que temos ouvido da população, aqueles que tem sofrido com esse tipo de conduta ilícita, resolvemos estabelecer algumas prioridades pra o combate de forma efetiva desses criminosos, essas pessoas que voltam sua atividade principal em praticar o crime ao animais”.
A DIAGRO, de acordo com o delegado César Augusto, tem um papel importante no aspecto administrativo e gerencial, voltado ao controle dos rebanhos, ao controle dos pecuaristas, da região e das áreas, principalmente nas questões de vacinação da febre aftosa. “É um controle muito importante começarmos de forma mais sintonizada, com as polícias Civil e Militar em cooperação com a DIAGRO. Justamente para fornecer uma situação de controle tanto na questão da sanidade dos animais, que sabemos todo a parte criminal envolvendo esse tipo de condutas, esses animais acabam ficando sem controle. Pois os animais, objetos de crime, não passam por um controle rigoroso e isso acaba trazendo uma série de consequências a economia do Estado”.
O médico veterinário, Slow Barbosa, da ADEPARÁ, confirmou que o município de Chaves registra anualmente um grande número de animais que desaparecem em fazendas da região. “São cerca de 4 a 5 mil cabeças de gado que são roubadas ou furtadas. E na maioria das vezes, elas são vendidas de forma clandestina, o que causa um prejuízo maior para a economia local, que deixa de arrecadar com os impostos”, finalizou.
Em agosto está prevista a realização de um Fórum em Chaves para avaliar o que avançou desde essa primeira reunião e planejar novas ações.

A parceria de envolver os órgãos de defesa estaduais e federais, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público e Capitania dos Portos nas ações de fiscalização e apreensão de roubo/furto. – A reativação de termo de cooperação técnica entre Pará e Amapá. –Intensificação de medidas de fiscalização e controle dos produtos de origem animal que são disponibilizados para o mercado consumidor.  – Treinamento de polícia técnica do Estado do Pará e Amapá para verificação em casos de roubo de animais. – Criação de um fórum permanente de discussão. – Criação de delegacia especializada na investigação do roubo de gado.

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