Lei de Informática pode reaquecer mercado de Tecnologia da Informação no Amapá
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| Rafael Moreira, assessor especial para Indústria 4.0 do MDIC, explicou os passos que o Brasil deve dar para avançar na área tecnológica |
As instituições do Amapá
voltadas à Pesquisa e Desenvolvimento, e que sejam sem fins lucrativos,
possuem, desde dezembro de 2017, graças a tratativas do governador Waldez Góes
em Brasília, o direito de acessar benefícios da Lei de Informática da Zona
Franca de Manaus (ZFM) para alavancar seus projetos. Para isso, precisam se
credenciar ao Comitê de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia (Capda),
formando um ecossistema amapaense de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
atrativo para as empresas instaladas em Manaus.
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| Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Rafael Pontes, explicou os benefícios que o setor de TI no Amapá terá com a Lei de Informática |
Na quinta-feira, 8, teve
início no auditório do Museu Sacaca, o seminário “A Inserção do Amapá na Lei de
Informática e a Indústria 4.0”, desenvolvido em parceria pelo Governo do Amapá,
Ministério do Desenvolvimento da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC)
e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), com o intuito de
socializar e disseminar aos entes locais envolvidos, a importância de organizar
o Estado para acessar os recursos previstos pela Lei de Informática, que
anualmente somam mais de R$ 500 milhões abrangendo a Amazônia Ocidental e,
agora, o Amapá.
O governador Waldez Góes
explicou que o trabalho, a partir de agora, deve ser de organizar e fortalecer
o ecossistema amapaense, para fomentar a produção de conhecimento e inovação.
Ele pontuou que o trabalho será em três principais eixos: Tecnologia da
Informação, Recursos Humanos e Biotecnologia. O Marco Legal da Ciência e
Tecnologia, por exemplo, que está sendo construído de forma colaborativa e
democrática, está incluído nesse contexto.
“Estimamos que o Marco Legal
da Ciência e Tecnologia seja enviado à Assembleia Legislativa ainda este mês e
aprovado até o fim do mês de março. Será o próximo grande passo para organizar
o cenário local, integrar e fortalecer os entes envolvidos, para acessar os
recursos previstos na Lei de Informática e desenvolver ainda mais o Amapá”,
frisou Góes.
Durante o evento, o assessor
especial para Indústria 4.0 do MDIC, Rafael Moreira, parabenizou o olhar
sensível, a articulação política e o comprometimento do governo que, durante um
ano e meio de tratativas junto ao apoio técnico da Suframa e do Ministério,
tornou possível a correção da injustiça na legislação que se estendia desde a
década de 90. Ele também destacou o Marco Legal da Ciência e Tecnologia do
Amapá dentro dessa nova realidade.
“O governador sempre esteve
engajado e é um entusiasta do tema, como pouco se vê em outros estados. O Marco
Legal da Ciência e Tecnologia que está sendo trabalhado no Amapá traz
mecanismos jurídicos que reforçam e facilitam que a pesquisa e o
desenvolvimento se convertam em inovação, para que haja uma interação
público-privada com as empresas e institutos de ciência e tecnologia,
alavancando a construção do ecossistema local que é o principal passo a ser
dado a partir de agora no acesso aos benefícios da Lei de Informática”,
considerou Rafael.
O superintendente adjunto de
Planejamento e Desenvolvimento Regional da Suframa, Marcelo Pereira, considerou
que os projetos industriais implantados na Zona Franca Verde de Macapá e
Santana (ZFV) também podem ser diretamente beneficiadas por esse recurso. “Se,
por exemplo, um instituto local passar a pesquisar algo que traga um melhoramento
na cadeia e no processo produtivo, serão gerados bons resultados no mercado e
consequentemente o incremento do faturamento do Estado”, exemplificou.
Segundo o gestor da
Secretaria de Estado da Ciência e Teconologia (Setec), Rafael Pontes, a articulação
público-privada será essencial para a criação do ecossistema local. "A
previsão é que, através, da articulação público-privada, ainda esse ano
tenhamos no Amapá o primeiro instituto sem fins lucrativos capaz de captar
recursos da Lei de Informática", estimou.
Gerando empregos
A
inserção do Amapá na Lei de
informática da Zona Franca de Manaus (ZFM) pode reativar a geração
de empregos na área de Tecnologia da Informação (TI) no Estado.
A
legislação determina que fabricantes de bens de informática das Zonas Francas e
Áreas de Livre Comércio (ALC) invistam 5% do seu faturamento bruto em projetos
de pesquisa e desenvolvimento de institutos tecnológicos sem fins lucrativos
localizados na Amazônia Ocidental e, agora, o Amapá. Segundo a Superintendência
da ZFM (Suframa), os recursos disponibilizados por esta lei chegam a uma média
anual de R$ 500 milhões.
Para o
secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Rafael Pontes, a Lei de
Informática pode reverter a estática a que o setor foi submetido por fatores como
a falta de investimentos em pesquisas. “Atualmente, temos uma grande quantidade
de profissionais de TI desempregados no Estado. Mas essa lei pode reoxigenar o
segmento, pois para desenvolver suas pesquisas financiadas através da Lei de
Informática, os institutos poderão contratar profissionais, seja para executar
projetos, capacitar ou formar outros profissionais”, analisa o secretário.
Segundo
ele, com os institutos acessando os recursos da Lei de Informática, além de
novos postos de trabalho, novos negócios e um novo setor na economia amapaense
podem alavancar outros setores, como a saúde, educação, pecuária, agronegócio,
entre outros. “Quando você tem investimento em pesquisas, você desenvolve novas
tecnologias para criar mecanismos que facilitem demandas sociais, como a saúde
e a educação, por exemplo”, explicou Pontes.
Contudo,
segundo ele, para que o mercado de TI seja reaquecido, diversas ações devem ser
implementadas pelo governo, em parceria com iniciativa privada. Para o
secretário, é a integração entre o mercado privado, as universidades,
institutos de educação e pesquisas e o governo do Estado que vai permitir ao
Amapá acessar os benefícios disponibilizados pela lei.
“Ainda
este ano, o governo vai lançar incentivos para a criação de Institutos de
Ciência e Tecnologia, para que a área da pesquisa dê uma alavancada a partir
dos recursos da Lei de Informática. Estamos trabalhando nisto dentro do marco
legal da Ciência e Tecnologia, para prever parcerias público-privadas com o
mínimo de burocracia”, explicou o secretário.
Indústria
4.0
Com o
mercado de TI reaquecido, o Estado terá a base tecnológica para começar a
implantar e consolidar a nova cultura industrial difundida no mundo nos últimos
seis anos, a Indústria 4.0, tendência econômica mundialmente conhecida como a
4ª Revolução Industrial.
A
Indústria 4.0 pode ser definida como uma intercomunicação de máquinas, sistemas
automatizados e softwares, por toda a cadeia produtiva de uma determinada
manufatura – desde o processo de extração de matéria-prima até a fabricação do
produto final. Isto significa que as indústrias devem criar redes inteligentes
ao longo de determinada cadeia produtiva para controlar os módulos da produção
de forma autônoma e customizada. Para isso, é necessária tecnologia de ponta,
inovações nos campos de automação, controle e tecnologia da informação para
serem aplicados nos processos industriais de manufatura.


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