sábado, 10 de fevereiro de 2018

DENÚNCIA: Distritos de Bailique e de Fazendinha abandonados


DENÚNCIA: Distrito de Fazendinha abandonado






Vale Verde, Chefe Clodoaldo e Murici sofrem com suas ruas alagadas e sem paradas de ônibus




Reinaldo Coelho

Macapá completou 260 anos, e é a cidade mais populosa do Estado, com mais de 456 mil moradores, segundo o IBGE. Mas os seus problemas básicos continuam sem soluções. Ruas alagadas, esburacadas, falta de iluminação pública, isso concentrado nos bairros periféricos e distritos da capital amapaense. Infelizmente a atual administração somente vem realizando serviços paliativos nos bairros nobres e abandonando literalmente os demais 50 bairros macapaense.  

Um exemplo é o bairro da Alvorada, bem aquinhoado com estrutura urbana, tem 617 habitantes e o Bairro Novo Horizonte com 5.782 habitantes, sofre com o abandono, principalmente as ruas periféricas do bairro e as áreas de alagados.
Se a sede do município com os bairros da periférica, sofrem com o descaso do prefeito Clécio Luís (REDE) e sua equipe de Obras Públicas, proliferando os alagamentos, as crateras que na época de chuva viram piscinas públicas, imagine o Distrito de Fazendinha, considerado um local atrativo para o Turismo por seu balneário, porém só recebe atenção no Macapá Verão, com serviços paliativos, escondendo os problemas cruciais daquela localidade e os moradores estão revoltados com a situação.

Principalmente os que residem nos bairros Vale Verde e Murici, que estão com suas vias totalmente alagadas e sem paradas de ônibus, dentro dos bairros, as únicas existentes ficam localizadas em frente aos bairros, na Rodovia JK e estão totalmente destruídas. E o que mais revolta os macapaenses que ali residem é que o distrito está cheio de residenciais de luxo e com urbanização de alto nível, enquanto seus vizinhos sofrem pelo que não tem em suas comunidades.
“Quando é verão é a poeira e o inclemente sol, quando chove, sem abrigos, ficamos à mercê das beiradas das lojas para poder não chegarmos molhados. Infelizmente é assim o tempo todo”, declarou a dona de casa Jorgina Santos.
Seu Manoel Paiva reclama do problema nas paradas de ônibus, pois sem a iluminação pública, a noite, o espaço é dominado pelos drogados e marginais, que roubam e ameaçam de estrupas as jovens que vem das escolas e universidades. “É problemático, temos de ficar vigilantes, esperando minha neta, que vem da escola, para não sofrer nenhuma agressão”, explicou o peixeiro.
A reportagem do Tribuna Amapaense visitou os dois maiores bairros de Fazendinha e constatou a veracidade da situação. A primeira constatação foi a falta de abrigo para aguardar a passagem dos ônibus que fazem a linha Santana/Macapá. Os coletivos já demoram bastante e o povo tem de guardar na chuva, pois tem que trabalhar ou ir para a escola/universidade.
A reportagem encontrou diversas pessoas aguardando o ônibus que circula dentro do Bairro Vale Verde, sob a proteção de um comércio e a dona de casa Laudicéia explicou que se chover ficam na chuva e que o bairro recebe somente um coletivo. “A linha de coletivos que entra no bairro tem somente dois ônibus e ele vai até o fim do bairro para poder retornar e ir para Macapá. Temos de esperar quase uma hora. Um sai as 7:15 e outro vem as 8:50, é mais de uma hora, quase duas esperando. Graças a Deus quanto não está chovendo e se perdemos, temos de ir para a rodovia esperar um Macapá/Santana, correndo o risco de chegar atrasado no trabalho ou na escola”.
Com referência as ruas que estavam emburacadas, agora no inverno estão cheias de água, e se tornaram ameaça para os cidadãos que circulam nessas vias. “Principalmente os que usam bicicletas, que não dá para perceber a profundidade. Muitas crianças já se acidentam ou ficam enlameados e não podem ir à escola. Os idosos sofrem também, pois temos que procurar ruas que não estejam alagadas para poder vir pegar ônibus”, reclama Dona Oneide Passos, aposentada que estava na parada de coletivos.  
Quanto ao asfaltamento dos bairros, os moradores afirmam que só foram beneficiadas as que servem de cinturão para a circulação dos coletivos, as demais, nem limpeza (capina) receberam e o lixo predomina trazendo chances de se tornarem locais do foco do Aedes aegypti.
Em 2017 bairros na Zona Norte de Macapá e distrito da Fazendinha apresentaram os maiores pontos de criadouros do Aedes, de acordo com o LIRAa. Essa preocupação se define devido o distrito contar com somente um Posto de Saúde, para atender todos os distritos e moradores do entorno, como Pedrinhas. E neste período chuvoso e um transporte deficitário torna-se catastrófico se alguém adoecer na família.
O Posto Médico do Distrito Fazendinha foi projetado para atender 5 mil moradores, hoje com o crescimento do número de habitantes do distrito e de bairros, se tornou deficitário. Fazendinha possui de acordo com o censo de 2010, realizado pelo IBGE, mais de 10 mil moradores.
“Cresceram os bairros, o número de moradores, mais o posto continua com o mesmo número de médicos e de profissionais da saúde que ali trabalham”.
Dona Leucrécia diz que a isso é adicionado a falta de iluminação pública, que prejudica os moradores e coloca-os em situação de alto risco. “Para irmos ao posto médico marcar consultas, pois são poucas as vagas, e para conseguir, temos de sair cedo e podemos sofrer assaltos e até estupros. Assim como as paradas ficam no escuro e o perigo para quem espera e sai do coletivo e enorme o perigo”.
De acordo com as informações dos moradores a noite a escuridão é total nos bairros e com chuva e as ruas alagadas as áreas ficam soturna e perigosas. O maior problema é em frente à escola que deveria ser bem iluminada, mas a escuridão é total, trazendo perigo para os que ali estudam e saem tarde da noite.
“A partir das noves horas o risco e total. Quando saímos da igreja a da escola temos de sair em grupo para proteger um ao outro. Antes era a CEA a culpada, a prefeitura assumiu a iluminação pública e prometeu uma Macapá iluminada, mais ainda não chegou para os moradores da Fazendinha”.
Se os moradores do bairro Vale Verde estão sofrendo com suas ruas, os que residem na área de ponte estão em situação pior, pois além de morarem em área alagada e insalubre as passarelas estão destruídas e sem iluminação. A mobilidade ali só acontece de dia. E as gangues dominam a área e cobram pedágios.
“Crianças e idosos, já sofrearam acidentes nas passarelas. Caem nos buracos e ainda tem que chegar até esses pontos de ônibus sem abrigo. É muito sofrimento”.
O distrito possui dez bairros, os mais populosos são Vale Verde, Murici, Chefe Clodoaldo. “Nossos bairros precisa de muita coisa: iluminação, pontos de ônibus, limpeza, quadra de esportes. A prefeitura todo ano realiza um Congresso do Povo, apresentamos nossas reivindicações, este ano já devem realizar outro congresso e, apesar de não termos resolvido vários problemas, acredito que seremos atendidos durante o próximo período”, diz esperançosa Dona Oneide.
Todos foram unanimes em afirmar a reportagem. “Recebemos a visita do pessoal da saúde e de endemias, os políticos ainda não chegaram, mas, eles vem este ano, que e ano de eleição. Estamos aguardando eles e suas promessas. Essa nossa realidade, eles vão prometer que irão resolver. Já se foram quatro anos e nada”.
A reportagem perguntou o que eles diriam se encontrassem com o Prefeito Clécio Luís, pessoalmente, e a dona Oneide afirmou: “Que nunca mais iremos votar nele” e que “Ele viesse e ficasse uma semana aqui e se ele conseguiria viver como vivemos. Mas sem o carrão, sem central de ar e sem segurança, duvido que ele ficasse um dia”.



























COMUNIDADES DO BAILIQUE
Terras caídas destroem comunidades ribeirinhas


Reinaldo Coelho

 “Terras Caída” é um fenômeno da natureza que está destruindo as comunidades do Bailique. O departamento de reportagem do Tribuna Amapaense acabou de receber imagens via WhatsApp onde mostra o fenômeno das terras caídas se aproximando da Escola Bosque. Precisa providenciar a remoção de imediata dessas dependências para evitar mais prejuízos. A providência é urgente.
Essa situação vem ocorrendo anualmente, porém a partir de 2015 passou a agir com mais intensidade, quando atingiu além da residências dos ribeirinhos, chegou a Unidade Básica de Saúde localizada na Vila Progresso que foi parcialmente destruída pela força da água. Postes estão caindo, causando problemas de energia elétrica.

As vilas Progresso e Macedônia foram as mais atingidas pelo fenômeno. A Defesa Civil Municipal, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) e a Coordenadoria Municipal dos Distritos (COMAD), em conjunto com a Defesa Civil Estadual, estiveram trabalhando para montar o relatório que será enviado para a Secretaria Nacional de Defesa Civil informando sobre a situação de emergência e solicitando recursos para obras emergenciais nas duas vilas que se encontram às margens do rio Marinheiro.

Mas as ações não se fizeram eficientes, e em agosto de 2017 o Juiz Luciano Assis denunciou com mais vigor a situação. O magistrado que é responsável pelo Justiça Fluvial e que visita anualmente todas as ilhas do arquipélago, estão devastando já tendo causado a destruição de vários prédios públicos e residências particulares.

Luciano Assis reclama que as autoridades só se preocupam com medidas paliativas e pede a realização de “estudos técnicos sérios” para a implantação de políticas públicas eficientes que possam resolver definitivamente o problema.
“Eu venho acompanhando a muito tempo o sofrimento dos moradores do Bailique por causa esse fenômeno, que é cada vez mais preocupante; o que era igarapé se tornou rio de grande proporção, além do fato de que os grandes rios foram todos assoreados – o que está faltando é um estudo conclusivo sobre o fenômeno porque permanentemente obriga moradores a mudarem suas casas – a política pública tem que ser revista porque senão vamos perder muito dinheiro, uma escola já caiu e outra está sendo consumida”.

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