DENÚNCIA: Distrito de Fazendinha abandonado
Vale Verde, Chefe Clodoaldo e Murici sofrem com suas ruas
alagadas e sem paradas de ônibus
Reinaldo Coelho
Macapá completou 260 anos, e é a cidade mais
populosa do Estado, com mais de 456 mil moradores, segundo o IBGE. Mas os seus
problemas básicos continuam sem soluções. Ruas alagadas, esburacadas, falta de
iluminação pública, isso concentrado nos bairros periféricos e distritos da
capital amapaense. Infelizmente a atual administração somente vem realizando
serviços paliativos nos bairros nobres e abandonando literalmente os demais 50
bairros macapaense.
Um exemplo é o bairro da Alvorada, bem
aquinhoado com estrutura urbana, tem 617 habitantes e o Bairro Novo Horizonte
com 5.782 habitantes, sofre com o abandono, principalmente as ruas periféricas
do bairro e as áreas de alagados.
Se a sede do município com os bairros da
periférica, sofrem com o descaso do prefeito Clécio Luís (REDE) e sua equipe de
Obras Públicas, proliferando os alagamentos, as crateras que na época de chuva
viram piscinas públicas, imagine o Distrito de Fazendinha, considerado um local
atrativo para o Turismo por seu balneário, porém só recebe atenção no Macapá
Verão, com serviços paliativos, escondendo os problemas cruciais daquela
localidade e os moradores estão revoltados com a situação.
Principalmente os que residem nos bairros
Vale Verde e Murici, que estão com suas vias totalmente alagadas e sem paradas
de ônibus, dentro dos bairros, as únicas existentes ficam localizadas em frente
aos bairros, na Rodovia JK e estão totalmente destruídas. E o que mais revolta
os macapaenses que ali residem é que o distrito está cheio de residenciais de
luxo e com urbanização de alto nível, enquanto seus vizinhos sofrem pelo que
não tem em suas comunidades.
“Quando é verão é a poeira e o inclemente
sol, quando chove, sem abrigos, ficamos à mercê das beiradas das lojas para
poder não chegarmos molhados. Infelizmente é assim o tempo todo”, declarou a
dona de casa Jorgina Santos.
Seu Manoel Paiva reclama do problema nas
paradas de ônibus, pois sem a iluminação pública, a noite, o espaço é dominado
pelos drogados e marginais, que roubam e ameaçam de estrupas as jovens que vem
das escolas e universidades. “É problemático, temos de ficar vigilantes,
esperando minha neta, que vem da escola, para não sofrer nenhuma agressão”,
explicou o peixeiro.
A reportagem do Tribuna Amapaense visitou os
dois maiores bairros de Fazendinha e constatou a veracidade da situação. A
primeira constatação foi a falta de abrigo para aguardar a passagem dos ônibus
que fazem a linha Santana/Macapá. Os coletivos já demoram bastante e o povo tem
de guardar na chuva, pois tem que trabalhar ou ir para a escola/universidade.
A reportagem encontrou diversas pessoas
aguardando o ônibus que circula dentro do Bairro Vale Verde, sob a proteção de
um comércio e a dona de casa Laudicéia explicou que se chover ficam na chuva e
que o bairro recebe somente um coletivo. “A linha de coletivos que entra no
bairro tem somente dois ônibus e ele vai até o fim do bairro para poder
retornar e ir para Macapá. Temos de esperar quase uma hora. Um sai as 7:15 e
outro vem as 8:50, é mais de uma hora, quase duas esperando. Graças a Deus
quanto não está chovendo e se perdemos, temos de ir para a rodovia esperar um
Macapá/Santana, correndo o risco de chegar atrasado no trabalho ou na escola”.
Com referência as ruas que estavam
emburacadas, agora no inverno estão cheias de água, e se tornaram ameaça para
os cidadãos que circulam nessas vias. “Principalmente os que usam bicicletas,
que não dá para perceber a profundidade. Muitas crianças já se acidentam ou
ficam enlameados e não podem ir à escola. Os idosos sofrem também, pois temos
que procurar ruas que não estejam alagadas para poder vir pegar ônibus”,
reclama Dona Oneide Passos, aposentada que estava na parada de coletivos.
Quanto ao asfaltamento dos bairros, os moradores
afirmam que só foram beneficiadas as que servem de cinturão para a circulação
dos coletivos, as demais, nem limpeza (capina) receberam e o lixo predomina
trazendo chances de se tornarem locais do foco do Aedes aegypti.
Em 2017 bairros na Zona Norte de Macapá e
distrito da Fazendinha apresentaram os maiores pontos de criadouros do Aedes,
de acordo com o LIRAa. Essa preocupação se define devido o distrito contar com
somente um Posto de Saúde, para atender todos os distritos e moradores do
entorno, como Pedrinhas. E neste período chuvoso e um transporte deficitário
torna-se catastrófico se alguém adoecer na família.
O Posto Médico do Distrito Fazendinha foi
projetado para atender 5 mil moradores, hoje com o crescimento do número de
habitantes do distrito e de bairros, se tornou deficitário. Fazendinha possui
de acordo com o censo de 2010, realizado pelo IBGE, mais de 10 mil moradores.
“Cresceram os bairros, o número de moradores,
mais o posto continua com o mesmo número de médicos e de profissionais da saúde
que ali trabalham”.
Dona Leucrécia diz que a isso é adicionado a
falta de iluminação pública, que prejudica os moradores e coloca-os em situação
de alto risco. “Para irmos ao posto médico marcar consultas, pois são poucas as
vagas, e para conseguir, temos de sair cedo e podemos sofrer assaltos e até
estupros. Assim como as paradas ficam no escuro e o perigo para quem espera e
sai do coletivo e enorme o perigo”.
De acordo com as informações dos moradores a
noite a escuridão é total nos bairros e com chuva e as ruas alagadas as áreas
ficam soturna e perigosas. O maior problema é em frente à escola que deveria
ser bem iluminada, mas a escuridão é total, trazendo perigo para os que ali
estudam e saem tarde da noite.
“A partir das noves horas o risco e total.
Quando saímos da igreja a da escola temos de sair em grupo para proteger um ao
outro. Antes era a CEA a culpada, a prefeitura assumiu a iluminação pública e
prometeu uma Macapá iluminada, mais ainda não chegou para os moradores da
Fazendinha”.
Se os moradores do bairro Vale Verde estão
sofrendo com suas ruas, os que residem na área de ponte estão em situação pior,
pois além de morarem em área alagada e insalubre as passarelas estão destruídas
e sem iluminação. A mobilidade ali só acontece de dia. E as gangues dominam a
área e cobram pedágios.
“Crianças e idosos, já sofrearam acidentes
nas passarelas. Caem nos buracos e ainda tem que chegar até esses pontos de
ônibus sem abrigo. É muito sofrimento”.
O distrito possui dez bairros, os mais
populosos são Vale Verde, Murici, Chefe Clodoaldo. “Nossos bairros precisa de
muita coisa: iluminação, pontos de ônibus, limpeza, quadra de esportes. A
prefeitura todo ano realiza um Congresso do Povo, apresentamos nossas
reivindicações, este ano já devem realizar outro congresso e, apesar de não
termos resolvido vários problemas, acredito que seremos atendidos durante o
próximo período”, diz esperançosa Dona Oneide.
Todos foram unanimes em afirmar a reportagem.
“Recebemos a visita do pessoal da saúde e de endemias, os políticos ainda não
chegaram, mas, eles vem este ano, que e ano de eleição. Estamos aguardando eles
e suas promessas. Essa nossa realidade, eles vão prometer que irão resolver. Já
se foram quatro anos e nada”.
A reportagem perguntou o que eles diriam se encontrassem
com o Prefeito Clécio Luís, pessoalmente, e a dona Oneide afirmou: “Que nunca mais iremos votar nele” e
que “Ele viesse e ficasse uma semana
aqui e se ele conseguiria viver como vivemos. Mas sem o carrão, sem central de
ar e sem segurança, duvido que ele ficasse um dia”.
COMUNIDADES DO BAILIQUE
Terras caídas destroem comunidades ribeirinhas
Reinaldo Coelho
“Terras Caída” é um fenômeno da natureza que está
destruindo as comunidades do Bailique. O departamento de reportagem do Tribuna
Amapaense acabou de receber imagens via WhatsApp onde mostra o fenômeno das
terras caídas se aproximando da Escola Bosque. Precisa providenciar a remoção
de imediata dessas dependências para evitar mais prejuízos. A providência é
urgente.
Essa situação vem ocorrendo anualmente, porém
a partir de 2015 passou a agir com mais intensidade, quando atingiu além da
residências dos ribeirinhos, chegou a Unidade Básica de Saúde localizada na
Vila Progresso que foi parcialmente destruída pela força da água. Postes estão
caindo, causando problemas de energia elétrica.
As vilas Progresso e Macedônia foram as mais
atingidas pelo fenômeno. A Defesa Civil Municipal, a Secretaria Municipal de
Saúde (SEMSA) e a Coordenadoria Municipal dos Distritos (COMAD), em conjunto
com a Defesa Civil Estadual, estiveram trabalhando para montar o relatório que
será enviado para a Secretaria Nacional de Defesa Civil informando sobre a
situação de emergência e solicitando recursos para obras emergenciais nas duas
vilas que se encontram às margens do rio Marinheiro.
Mas as ações não se fizeram eficientes, e em
agosto de 2017 o Juiz Luciano Assis denunciou com mais vigor a situação. O
magistrado que é responsável pelo Justiça Fluvial e que visita anualmente todas
as ilhas do arquipélago, estão devastando já tendo causado a destruição de
vários prédios públicos e residências particulares.
Luciano Assis reclama que as autoridades só
se preocupam com medidas paliativas e pede a realização de “estudos técnicos
sérios” para a implantação de políticas públicas eficientes que possam resolver
definitivamente o problema.
“Eu venho acompanhando a muito tempo o
sofrimento dos moradores do Bailique por causa esse fenômeno, que é cada vez
mais preocupante; o que era igarapé se tornou rio de grande proporção, além do
fato de que os grandes rios foram todos assoreados – o que está faltando é um
estudo conclusivo sobre o fenômeno porque permanentemente obriga moradores a
mudarem suas casas – a política pública tem que ser revista porque senão vamos
perder muito dinheiro, uma escola já caiu e outra está sendo consumida”.






























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