sábado, 24 de março de 2018

Biblioteca Elcy Lacerda apoia jovem escritor



Biblioteca Elcy Lacerda apoia jovem escritor



Alex Oliveira lança ‘Ex-Cravo’ seu primeiro livro de uma tetralogia



Reinaldo Coelho

O Amapá é um Estado privilegiado em escritores, poetas e poetisas, músicos, atores, atrizes, dramaturgos, coreógrafos, artesãos e artistas plásticos. O maior problema é a divulgação de seus textos e a exibição de sua arte. Temos no Estado um Teatro e uma Biblioteca Pública, nenhuma galeria de arte pública. Funcionam, uma pequena, mas importante, Galeria Sumaúma e o teatro e Galeria do SESC que atendem os artistas locais e nacionais.
Muitas ações de iniciativas dos próprios artistas, escritores, tem possibilitado aos escritores e poetas que em uma vigorosa e criativa safra vem surgindo e destacando-se. Aqui aproveitamos para destacar as iniciativas da imortal Alcinéia Cavalcante que estende a toalha das artes na Boca da Noite e/ou pendura as poesias nos fios das artes nas praças e alamedas de Macapá.
Porém esse anseio dos jovens autores em mostrar seus textos e a fome dos leitores amapaenses, além do avanço tecnológico da internet nas estantes de livros das Bibliotecas, trouxe um novo projeto da gerencia da Biblioteca Pública Elcy Lacerda em procurar, trazer para seus salões, novos visitantes e ao mesmo tempo colocar além dos livros, os próprios escritores lendo ou declamando seus textos juntos.
Essa reinvenção da biblioteca, em pouco espaço de tempo, como dizem os usuários da redes sociais, virilizou e hoje dos poucos visitantes eles já chegam as centenas, e quando tem noite de autógrafos a biblioteca lota.
José Pastana, diretor da Biblioteca Pública Elcy Lacerda
(FotoCarlos Alberto JrG1)
O diretor da Biblioteca Pública, José Pastana, destaca a importância de manter o órgão à disposição dos segmentos culturais incentivando a realização de diversas programações, a exemplo do lançamento de livros. “A biblioteca é um ambiente propício a esse tipo de programação e, há tempo, não tínhamos este tipo de eventos. É algo que vem dando certo e, que tem atraído um grande público para o local”, destacou.
E o quarto livro lançado em 2018, pela instituição, foi o de um jovem de 25 anos, que encontrou a literatura aos 12 anos, e por isso sofreu bullying na escola e que se revele, sua vida estudantil foi realizada em Escola Pública. Foram muitos os problemas para superar que este jovem teve de enfrentar, desde a aceitação e a confiabilidade de seus escritos, como o “calvário” em conseguir patrocínio para imprimir e poder chegar a almejada noite de glória em autografar um exemplar e ser festejados pelos seus pares, com um show de artistas que tinha ouvido falar e lido, mais ainda não convivido pessoalmente.
Ex-Cravo é um livro extremamente crítico. O evento de autógrafo de Alex Oliveira contou com a presença de prestigiadas personalidades da sociedade amapaense, compôs a mesa o diretor da Biblioteca, José Queiroz Pastana, a presidente da Associação literária do Estado do Amapá(ALIEAP), Jô Araújo, o representante da Academia Amapaense de Letras, Luiz Alberto Guedes, a escritora e blogueira literária Drilly Manfre.
Olhe o que o Alex Oliveira conta sobre sua trajetória de escritor: Interessei-me por literatura ainda no ensino fundamental em eventuais situações de bullying. Tenho inspirações de Raquel de Queiroz, Lima Barreto. Escrevi o meu primeiro romance aos 12 anos, após conhecer questões sobre a semana de arte moderna de 1922. Desde então não parei mais de criar. EX-CRAVO surgiu há cerca de seis anos durante uma releitura de 'Triste fim de Policarpo Quaresma' combinado a algumas distopias estrangeiras, mas com o passar dos anos senti a necessidade de modificar o conteúdo por razão dos acontecimentos políticos atuais. EX-CRAVO é o primeiro livro de uma tetralogia”.
Orgulhosamente, ele conta que Alex Oliveira é seu nome autoral e que de nascimento é Alex Sandro Silva de Oliveira. Nascido em 02/09/1992 em Macapá-AP, Brasil. Estudante de escola pública em toda sua formação. Formado em Letras pela Faculdade de Macapá (FAMA) pelo FIES. “Sou feliz, pois sou a prova que a escola pública é uma instituição série e de qualidade, pois minha caminhada foi feita na rede de ensino do meu Estado e para isso é preciso ser bom aluno, interessado e ter pais apoiadores e incentivadores e encontrar na sala de aula, mestres que completem esse apoio”.
Ter hoje seu primeiro livro publicado nos sites de vendas de livros, cobertura da imprensa cultural e festa de autógrafo não foi fácil. “É ‘parir’ um filho. Primeiramente comecei enviando o original para algumas editoras. Mas pelo fato de não ser autor conhecido decidiram por não me publicar. Diante disso passei a procurar o serviço gráfico, mas os valores orçados eram exorbitantes. Mas, graças a Deus, consegui um patrocínio de um amigo que arcou com as despesas e hoje está circulando e sendo lido”.

Ex-Cravo

A obra é de ficção distópica, estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação. Alex conta que a inspiração para escrever o livro surgiu das leituras de obras como “Jogos vorazes” e “Divergente”. “Sou um leitor assíduo desse gênero”, frisou.
A narrativa do livro é vivida no Brasil no ano de 2115, num momento em que o país seria vendido para a China. É quando ocorre uma reforma estrutural para que o Brasil se torne um anexo chinês. Com isso são criados três blocos específicos para a circulação de mercadorias dentro do, agora chamado ‘Outro Mundo’.
Na ficção o governo determina que ninguém pode ter acesso a qualquer tipo de conhecimento e que, a partir dos 16 anos, cada cidadão é obrigado a participar da seleção de recrutamento para compor um dos blocos. “A mensagem principal do livro é que a corrupção pode levar à ruína de um país e que o conhecimento é necessário em qualquer circunstância”, ressaltou Alex.

Sinopse

O livro é uma ficção futurista. A história se passa no ano de 2115, quando o Brasil não é mais Brasil, chama-se ‘Outro Mundo’, adquirido pela China, a maior potência do planeta Terra.
O Brasil deixou de ser Brasil porque se enveredou em dívidas externas e se deteriorou internamente.
Nesse processo, para o brasileiro ou ex-brasileiro pertencer à nova ordem social tem que se habilitar a um dos blocos existentes: Decano, Centenário e Milenar.
Para a manutenção desses blocos, adolescentes a partir de 16 anos começam a ser recrutados. Se aprovados receberão ‘O Conhecimento’, a viga mestra da sociedade chinesa no Outro Mundo.
No mais, é participar dos lançamentos na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, adquirir as obras, e se encantar com a veia literária do jovem Alex Oliveira e dos demais autores.

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