Biblioteca Elcy
Lacerda apoia jovem escritor
Reinaldo Coelho
O Amapá é um Estado privilegiado em escritores, poetas e poetisas,
músicos, atores, atrizes, dramaturgos, coreógrafos, artesãos e artistas
plásticos. O maior problema é a divulgação de seus textos e a exibição de sua
arte. Temos no Estado um Teatro e uma Biblioteca Pública, nenhuma galeria de
arte pública. Funcionam, uma pequena, mas importante, Galeria Sumaúma e o
teatro e Galeria do SESC que atendem os artistas locais e nacionais.
Muitas ações de iniciativas dos próprios artistas, escritores, tem
possibilitado aos escritores e poetas que em uma vigorosa e criativa safra vem
surgindo e destacando-se. Aqui aproveitamos para destacar as iniciativas da
imortal Alcinéia Cavalcante que estende a toalha das artes na Boca da Noite
e/ou pendura as poesias nos fios das artes nas praças e alamedas de Macapá.
Porém esse anseio dos jovens autores em mostrar seus textos e a fome dos
leitores amapaenses, além do avanço tecnológico da internet nas estantes de
livros das Bibliotecas, trouxe um novo projeto da gerencia da Biblioteca
Pública Elcy Lacerda em procurar, trazer para seus salões, novos visitantes e
ao mesmo tempo colocar além dos livros, os próprios escritores lendo ou
declamando seus textos juntos.
Essa reinvenção da biblioteca, em pouco espaço de tempo, como dizem os
usuários da redes sociais, virilizou e hoje dos poucos visitantes eles já
chegam as centenas, e quando tem noite de autógrafos a biblioteca lota.
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| José Pastana, diretor da Biblioteca Pública Elcy Lacerda (FotoCarlos Alberto JrG1) |
O diretor da Biblioteca Pública, José Pastana, destaca a importância de
manter o órgão à disposição dos segmentos culturais incentivando a realização
de diversas programações, a exemplo do lançamento de livros. “A biblioteca é um
ambiente propício a esse tipo de programação e, há tempo, não tínhamos este
tipo de eventos. É algo que vem dando certo e, que tem atraído um grande
público para o local”, destacou.
E o quarto livro lançado em 2018, pela instituição, foi o de um jovem de
25 anos, que encontrou a literatura aos 12 anos, e por isso sofreu bullying na escola e que se revele, sua
vida estudantil foi realizada em Escola Pública. Foram muitos os problemas para
superar que este jovem teve de enfrentar, desde a aceitação e a confiabilidade
de seus escritos, como o “calvário” em conseguir patrocínio para imprimir e
poder chegar a almejada noite de glória em autografar um exemplar e ser
festejados pelos seus pares, com um show de artistas que tinha ouvido falar e
lido, mais ainda não convivido pessoalmente.
Ex-Cravo é um livro extremamente crítico. O
evento de autógrafo de Alex Oliveira contou com a presença de prestigiadas
personalidades da sociedade amapaense, compôs a mesa o diretor da
Biblioteca, José Queiroz Pastana, a presidente da Associação literária do
Estado do Amapá(ALIEAP), Jô Araújo, o representante da Academia Amapaense de
Letras, Luiz Alberto Guedes, a escritora e blogueira literária Drilly Manfre.
Olhe o que o Alex Oliveira conta sobre sua trajetória de escritor: “Interessei-me
por literatura ainda no ensino fundamental em eventuais situações de bullying.
Tenho inspirações de Raquel de Queiroz, Lima Barreto. Escrevi o meu primeiro romance aos 12 anos, após conhecer
questões sobre a semana de arte moderna de 1922. Desde então não parei mais de
criar. EX-CRAVO surgiu há cerca de seis anos durante uma releitura de 'Triste
fim de Policarpo Quaresma' combinado a algumas distopias estrangeiras, mas com
o passar dos anos senti a necessidade de modificar o conteúdo por razão dos
acontecimentos políticos atuais. EX-CRAVO é o primeiro livro de uma tetralogia”.
Orgulhosamente,
ele conta que Alex Oliveira é seu nome autoral e que de nascimento é Alex
Sandro Silva de Oliveira. Nascido em 02/09/1992 em Macapá-AP, Brasil. Estudante
de escola pública em toda sua formação. Formado em Letras pela Faculdade de
Macapá (FAMA) pelo FIES. “Sou feliz, pois sou a prova que a escola pública é
uma instituição série e de qualidade, pois minha caminhada foi feita na rede de
ensino do meu Estado e para isso é preciso ser bom aluno, interessado e ter
pais apoiadores e incentivadores e encontrar na sala de aula, mestres que
completem esse apoio”.
Ter hoje seu
primeiro livro publicado nos sites de vendas de livros, cobertura da imprensa
cultural e festa de autógrafo não foi fácil. “É ‘parir’ um filho. Primeiramente
comecei enviando o original para algumas editoras. Mas pelo fato de não ser
autor conhecido decidiram por não me publicar. Diante disso passei a procurar o
serviço gráfico, mas os valores orçados eram exorbitantes. Mas, graças a Deus,
consegui um patrocínio de um amigo que arcou com as despesas e hoje está
circulando e sendo lido”.
Ex-Cravo
A obra é de ficção distópica, estado imaginário em que se vive em
condições de extrema opressão, desespero ou privação. Alex conta que a
inspiração para escrever o livro surgiu das leituras de obras como “Jogos
vorazes” e “Divergente”. “Sou um leitor assíduo desse gênero”, frisou.
A narrativa do livro é vivida no Brasil no ano de 2115, num momento em
que o país seria vendido para a China. É quando ocorre uma reforma
estrutural para que o Brasil se torne um anexo chinês. Com isso são criados
três blocos específicos para a circulação de mercadorias dentro do, agora
chamado ‘Outro Mundo’.
Na ficção o governo determina que ninguém pode ter acesso a qualquer
tipo de conhecimento e que, a partir dos 16 anos, cada cidadão é obrigado a
participar da seleção de recrutamento para compor um dos blocos. “A mensagem
principal do livro é que a corrupção pode levar à ruína de um país e que o
conhecimento é necessário em qualquer circunstância”, ressaltou Alex.
Sinopse
O livro é uma ficção futurista. A história se passa no ano de 2115,
quando o Brasil não é mais Brasil, chama-se ‘Outro Mundo’, adquirido pela China,
a maior potência do planeta Terra.
O Brasil deixou de ser Brasil porque se enveredou em dívidas externas e
se deteriorou internamente.
Nesse processo, para o brasileiro ou ex-brasileiro pertencer à nova
ordem social tem que se habilitar a um dos blocos existentes: Decano,
Centenário e Milenar.
Para a manutenção desses blocos, adolescentes a partir de 16 anos
começam a ser recrutados. Se aprovados receberão ‘O Conhecimento’, a viga
mestra da sociedade chinesa no Outro Mundo.
No mais, é
participar dos lançamentos na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, adquirir as
obras, e se encantar com a veia literária do jovem Alex Oliveira e dos demais
autores.


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