sábado, 24 de março de 2018

Se faz mal porque é fabricado? Porque o capitalismo não deixa! – Parte II



Se faz mal porque é fabricado? Porque o capitalismo não deixa! – Parte II


REINALDO COELHO

Gordura faz mal para a saúde? Nem os cientistas têm certeza. O conceito que comer gordura faz mal à saúde, principalmente do coração, e que engorda vem sendo questionado nos últimos anos. Estudo publicado na revista Lancet em dezembro de 2016 descobriu que dietas que reduzem a gordura em 30% ou menos do total ingerido foram menos eficazes no longo prazo do que dietas que permitem mais gordura e reduzem os carboidratos, por exemplo. 
Alguns especialistas questionam até mesmo se o colesterol, cuja produção aumenta com a ingestão de gorduras e açúcar, seria a molécula certa para se medir o risco de doenças cardíacas. Nosso corpo não consegue viver sem colesterol. Precisa dele para realizar diversas atividades, como produzir hormônios, vitamina D, sais biliares, para revestir os neurônios etc. O próprio corpo fabrica colesterol a partir das gorduras ingeridas. E é aí que você pode dar uma ajudinha para seu organismo. Alguns tipos de gordura são mais saudáveis que outros. Gordura trans é a pior, sem dúvida. E ai entra mais uma vez o capitalismo.
Ela se forma ao se acrescentar hidrogênio a óleos vegetais, transformando-os em gordura sólida à temperatura ambiente. Por aumentar o tempo de prateleira e acrescentar sabor aos alimentos, foi usada para substituir as gorduras saturadas (de origem animal) quando essas foram "demonizadas" em meados do século 20. No entanto não diminuíram as doenças cardíacas.
A gordura trans está presente principalmente em produtos industrializados como margarinas, sorvetes cremosos, biscoitos, bolos, tortas, pães, pipoca de micro-ondas, bombons. Pode vir como gordura vegetal hidrogenada ou apenas gordura hidrogenada.
Para finalizar, e o cigarro e a bebida alcoólica, que além de destruir seu consumidor, destrói famílias, pois os gastos com esses produtos retiram da mesa o alimento familiar, além de serem geradores de violência e o aumento de acidentes rodoviários e domésticos.
Podemos imaginar um futuro em que as bebidas alcoólicas terão sua venda proibida, mas nenhum país que preze sua economia jamais colocaria empecilhos maiores à venda do tabaco do que algumas advertências de risco à saúde nas embalagens. E por trás disso existe uma lógica perversa.
Existem dois tipos de drogas: aquelas que permitem ao usuário uma vida produtiva e aquelas que causam danos físicos/ psicológicos, reduzindo o indivíduo a um estado de morbidez social e rápida morte. O cigarro representa o primeiro grupo, e o vício gerado por ele não incapacita o trabalhador imediatamente, demorando anos até que os danos sejam letais. Mas como o efeito de dependência é forte e a fumaça aspirada é altamente cancerígena, os impostos cobrados pelo governo são muito altos em cima da mercadoria. Ou seja, o governo ganha nos impostos absurdos taxados sobre a indústria tabaqueira e continua ganhando os impostos do trabalhador quimicamente dependente, porém, ainda eficiente.  
E agora vem o mais traumatizante: existe um terceiro ganho para a economia do país e ele é provido pela morte do indivíduo quando os danos do cigarro começam a ficar pesados. E quando ocorre essa morte? Na velhice, principalmente por câncer, e quando o cidadão não oferece mais serviços para o Estado, pelo contrário, é a hora da aposentadoria. O bendito cigarro, além de gerar fortunas para o governo, ainda ceifa a vida daqueles que retiram renda do Tesouro Nacional! É a droga perfeita, economicamente falando! Por isso a cocaína, metanfetamina e outras mais fortes são proibidas terminantemente.
O álcool também produz a mesma lógica lucrativa, porém ele não é uma menina dos olhos do Estado, porque ele acaba matando muitos jovens inconsequentes, os quais seriam futuros trabalhadores que pagam impostos. Além disso acidentes de carro e suas incapacitações associadas, geram prejuízos grandes ao sistema de saúde do país. Por isso podemos ver as bebidas alcoólicas serem banidas, mas não o cigarro (como já ocorreu nos EUA, durante a Lei Seca, mesmo que esta tenha sido uma desculpa também para os lucros com o tráfico ilegal do produto).
Ah, e qual é a outra droga sendo legalizada em todos os lugares do mundo? Certo, a maconha! E como ela também é fumada na grande maioria dos casos e não é tão nociva a curto prazo, assim como o cigarro, o governo irá ter mais um grande ajudante. Ainda quer permanecer nessas de querer saber porque continuam fabricando se mata? Enquanto gerar renda para os donos das economias mundial, vai continuar assim. Temos os refrigerantes, embutidos, salgadinhos, e por ai vai...

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