Joselito Abrantes
Reinaldo Coelho
Atualmente
o Brasil é o maior produtor do segmento da pecuária no mundo. Dados do IBGE, de
2016, mostram um rebanho de bovinos de 218,23 milhões de cabeças naquele ano. Com respeito aos bubalinos, o Amapá possui um
plantel que corresponde a 19,41% do total nacional e 28,61% do total de animais
da região Norte, o que confirma o Amapá como detentor do segundo maior rebanho
de búfalos do país, com cerca de 296 mil cabeças (IBGE - 2016).
Um
dos principais gargalos que obstaculizava a expansão e a verticalização da
cadeia produtiva da pecuária bubalina foi recentemente superada no Amapá,
quando, no final de 2017, o Ministério da
Agricultura declarou o Estado como livre de febre aftosa com vacinação. Toda
essa potencialidade coloca o Amapá em um lugar de destaque nesse nicho da
pecuária nacional.
"Não se pode hoje pensar em comercializar no
mercado um produto que não tenha certificação sanitária. Realmente vai
impulsionar muito o Amapá nesse setor de produção de alimentos como proteína
animal e os derivados do leite. Nosso rebanho de bubalinos é o segundo maior do
país, mas tem uma qualidade genética bem melhor que dos outros Estados. A luta
agora é permanecer o status", descreveu o governador do Amapá, Waldez
Góes.
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| Economista Joselito Abranches, vice presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá |
Se
tomarmos a pecuária uma das atividades que mais tem contribuído para o
fortalecimento da economia do país, como exemplo comparativo, verificamos que o
Brasil tem pouco mais de um bovídeo para cada habitante; o Acre (que não tem
campos naturais), pelo menos cinco. O Amapá registra pouco mais de meia cabeça
para cada habitante, apesar de sua excepcional vocação para a atividade,
segundo a EMBRAPA.
De
acordo com a EMBRAPA, o Amapá tem 16.709,31 km2 de pastagens nativas de terras
inundáveis e 1,9 milhões de hectares de pastagens nativas de cerrados, onde
cerca de 350 mil hectares estão ou estarão ocupados com o plantio de dendê, pinus ou eucaliptos. Isso nos dá uma ideia do espaço ainda disponível –
ainda que não todo ele, é claro, e o quanto ainda pode-se avançar, para atingir
um nível produtivo-satisfatório. É bom lembrar que o Acre até há pouco tempo se
assemelhava bastante ao Amapá em termos de estrutura econômica. O rebanho desse
Estado cresceu à custa da derrubada de florestas.
No
Amapá pode-se aumentar significativamente o rebanho, sem a necessidade de
devastar florestas, pela simples ocupação racional das áreas de pastagens
nativas de solos aluviais de várzea e de savanas bem drenadas – cerrado, de
acordo com a EMBRAPA Oriental (PA).
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| Governador Waldez Góes apresentou os primeiros avanços desde a criação da Câmara Setorial de Produção de Alimentos |
É
oportuno lembrar que a pecuária é hoje uma das atividades produtivas que mais
emprega em todo o Estado, considerando-se os mais de 3.000 estabelecimentos
cadastrados pela DIAGRO. Estimando-se três trabalhadores diretos e três
indiretos, por estabelecimento, tem-se, no mínimo, 9.000 postos de trabalho.
Vários
e convergentes motivos são apontados por especialistas que a carne de búfalo
deve atender prioritariamente nichos de mercado de bom poder aquisitivo pelo
fato dos búfalos serem minoria em nossa pecuária, o que inviabiliza que possa
estar presente nas mesas de grande parte de nossa população. Destacam ainda o
fato da constituição da carne de búfalo garante-lhe méritos para alçar voos ao
encontro do segmento de consumidores dispostos a adquirir produtos alimentares
mais saudáveis, mesmo a custos mais altos. Recentes trabalhos publicados,
realizados por médicos italianos, avalizam e fortalecem essa direção a ser
seguida, preferencialmente, pela carne de búfalo, conforme a figura.
Além
do que tais consumidores alvos, por serem considerados “formadores da opinião
pública”, podem também contribuir enormemente para a derrubada de preconceitos,
ainda hoje existentes contra a carne de búfalo, principalmente por parte dos
consumidores de menor poder aquisitivo e de mais baixo nível cultural.
Esses
números ilustram quanto é importante encontrar-se formas de ampliar o conjunto
de carnes especiais, para se agregar valor às carcaças bubalinas. O campo está
aberto para a criação de novos produtos através da industrialização de
embutidos de superior qualidade, através de eventuais e criativas reengenharias
em cortes, hoje menos valorizados, e até com a incorporação de temperos ou
recheios. E a pecuária bubalina do Amapá hoje reúne todas as condições para
despontar no mercado nacional e mundial, tendo em vista nossa localização
geográfica com maior proximidade dos maiores centros consumidores do mundo.
O beneficiamento do
couro também entra nessa conta. Atualmente o produto produzido no Estado é
vendido para uma fábrica do Rio Grande do Sul, onde é curtido, tingido e
vendido à Europa para ser utilizado na indústria de calçados e acessórios. E a
ACRIAP tem apostado nessa importante janela de oportunidade que se configura o
promissor mercado a ser explorado e ocupado pela carne de búfalo.
Nesta perspectiva,
visando atrair possíveis investidores no segmento de frigoríficos para a
expansão da cadeia produtiva da bubalinocultura, a ACRIAP, em parceria com a Agência
de Desenvolvimento Econômico do Amapá, elaborou um Programa voltado para o
fortalecimento dessa cadeia com a
implantação das seguintes ações prioritárias: a) Instituir os programas do
“Búfalo Precoce” e “Novilho Precoce”, a exemplo de programa similar do Estado
do Mato Grosso do Sul; b) Conceder carga tributária mínima nas operações com os
insumos agropecuários constantes dos artigos 1º e 2º do Decreto nº 2892, de 14/09/2001, com base
na cláusula terceira do Convênio ICMS nº 100/97; c) Firmar convênio com centros
tecnológicos para treinamento/capacitação dos técnicos do RURAP e da DIAGRO nas
mais avançadas técnicas de sistemas produtivos em ambiente amazônico, tais como
pastejo rotacionado extensivo, pastejo rotacionado simples, integração de
sistemas de campos naturais de áreas inundáveis com pastagens cultivadas em
campos de cerrado, nutrição animal, melhoramento genético e inseminação
artificial em tempo fixo; d) Instalação de uma Central de Armazenamento de sêmen
e Treinamento em Inseminação Artificial no Parque de Exposições da Expofeira
Agropecuária; e) Criação do Serviço Móvel de Inseminação Artificial; f)
instituição do Programa de Erradicação da Brucelose Bovina e Bubalina; g)
Instituição do Programa de Erradicação da Tuberculose Bovina e Bubalina; h)
Instituição do Fundo de Financiamento e Subsídio ao Calcário, Gesso Agrícola e
Adubos Fosfatados (ver Lei nº 2.803, de 23/06/2003, do Estado do Amazonas).
O
único fator limitante na formação e
manutenção de pastagens em solos pobres da Amazônia (inclusive os cerrados
do Amapá) é o fósforo (o que não é válido para a agricultura). Isso reduz
drasticamente os gastos com o preparo do solo e literalmente viabiliza o
aproveitamento do cerrado na formação de pastagens cultivadas e, por consequência,
a integração dos sistemas de pastejo dos
campos inundáveis com os de cerrado. Esse, acreditamos que será o grande
salto da pecuária no Amapá, sem o abate de florestas.
Além
da questão da endemia, em algumas áreas de terra firme, torna-se imprescindível
estimular a formação de campos de engorda para recepção do produto em
elaboração (bezerros), originários dessas duas regiões, com acabamento (búfalo
gordo) em regime de alta velocidade de ganho de peso. Só dessa forma será
possível estimular a segmentação da cadeia com especialização e ganhos de
produtividade.
Com
respeito à bubalinocultura, outro nicho de mercado que o Amapá se prepara para
explorar é a venda de cortes de ‘baby
búfalo’ e de novilhos de búfalo nos supermercados, com selo especial, a
exemplo da experiência do Estado do Pará.
O
produto paraense já está sendo inclusive vendido para outras regiões do país e
do exterior. É diferente do comum porque é criado em condições especiais e
abatido entre 18 e 24 meses de vida pesando no mínimo 400 quilos. A promoção
ressalta a maciez do produto e o fato de conter 40% menos calorias do que a
carne bovina. E a carne de búfalo amapaense, com toda certeza, em curto espaço
de tempo, alcançará o mercado mundial, tendo em vista as vantagens comparativas
e competitivas que o Amapá reúne.






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