sábado, 31 de março de 2018

ENTREVISTA COM Jesus Pontes, Empresário, pecuarista, presidente da ACRIAP e da Casa Agro.


Amapá tem o segundo maior rebanho de bubalinos do Brasil e de melhor qualidade genética
O presidente da Associação dos Criadores do Amapá (ACRIAP), o empresário Jesus Pontes,


Reinaldo Coelho

“Um dos melhores rebanhos em qualidade genética de bubalinocultura é o do Estado do Amapá e estamos com programas para melhorar mais ainda a qualidade de nosso rebanho” – Jesus Pontes, Empresário, pecuarista, presidente da ACRIAP e da Casa Agro.

Esta semana fomos recebidos na Casa Agro, sede das Associação dos Criadores do Amapá (ACRIAP) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Amapá (APROSOJA) pelo presidente Jesus Pontes da ACRIAP, economista e empresário da criação de búfalos, iniciada pelos seus pais há mais de 60 anos e um dos responsáveis pela articulação de uma união de produtores e criadores para expandir e desenvolver com qualidade os rebanhos do Amapá, podendo assim disputar o mercado regional, nacional e internacional de carne vermelha e a expansão da cadeia produtiva da bubalinocultura local. 


Acompanhe:

Tribuna Amapaense – O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi (PP) anunciou em fevereiro que o Brasil atingiu o selo de país livre da febre aftosa com vacinação, emitido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Em setembro do ano passado, o ministério encaminhou pedido de reconhecimento do Amazonas, Amapá, Roraima e parte do Pará, como áreas livres de aftosa com vacinação, que não havia solicitado até então e a previsão é de reconhecimento em 2019. Essas notícias trazem uma nova expectativa para a pecuária e para os pecuaristas amapaenses?

Jesus Pontes – Essas notícias alvissareiras trazem a valorização da pecuária do Amapá, do pecuarista, e soluciona o problema do Brasil. Haja vista que entregávamos carne commodities e agora poderemos acessar mercados de países que compram cortes especiais, muda tudo na pecuária do País e principalmente para o Amapá, pois fomos o grande indutor disso.

TA – O ‘boom’ da produção de grãos, principalmente da soja, no Amapá, incentivou a instalação no Estado de indústrias de ração. De acordo com os fabricantes esse insumo está sendo vendido diretamente aos pecuaristas amapaenses, que vai ajudar e baratear a criação dos rebanhos locais e diminuirá o pagamento de impostos? Assim o consumidor amapaense terá um produto mais barato?

Jesus Pontes – Na questão tributária a carne vermelha é item da Cesta Básica, e esta semana o governador Waldez Góes propôs, e o parlamento amapaense aprovou, uma redução da alíquota de 18% para 12%. Porém a maior economia para os pecuaristas vem da logística, pois ao adquirirmos a ração de outros Estados, o frete saía caro, muitas vezes o dobro do mercado de origem. Sendo produzido em nosso território vamos deixar de pagar o custo do transporte. E o consumidor final da cadeia alimentar perceberá a diferença na qualidade e no preço.

TA Com referência a Regularização fundiária, o pecuarista do Amapá terá tranquilidade para expandir e investir na qualidade e na quantidade do rebanho local?

Jesus Pontes – Com a regularização fundiária precisamos que aconteça para ontem, para dar segurança jurídica as propriedades. Todos poderão aumentar seus rebanhos. Quanto a expansão, ela é natural, a partir da certificação Livre de Aftosa e a regulamentação fundiária, além de aumentar e passar a utilizar o confinamento, pois tendo a produção de grãos no Estado, vem a produção de ração, o que possibilita a cria e a engorda do gado confinado e aumento do gado de corte, para que seja possível produzir carne de qualidade.

TA – A parceria público/privada, os investimentos estaduais na ampliação e melhoria da logística tem ajudado a alavancar a produção pecuária?

Jesus Pontes – Temos boa parceria com o governo estadual. O arrocho fiscal tem deixado o Estado em situação difícil para fazer investimentos, e reconhecemos isso, mas o governador do Estado tem sido sensível ao processo de produção do Setor Primário amapaense. Os investimentos realizados na AP 70 e na Rodovia que vai até o município de Itaubal, excelente para as partes produtoras, principalmente para a de Soja e Milho, e vemos com bons olhos esse novo modelo de melhoramento das estradas e a conclusão da ponte sobre o Rio Matapi, para a Região Sul de Mazagão, um outro polo de desenvolvimento que já está asfaltado, ainda falta, mas o governo tem sido um grande parceiro sim.

TA – O pecuarista amapaense está conseguindo acessar aos recursos financeiros que existem nos bancos públicos, como as linhas de crédito de investimento, operadas principalmente pelo BNDES, Banco da Amazônia e Banco do Brasil?

Jesus Pontes – Não, devido aos problemas da regularização fundiária. A partir do momento que tivermos o título das terras, esse documento legal em mãos, poderemos acessar esses recursos, colocando, é claro, essa propriedade em garantia ao empréstimo que tiver direito.

TA – Uma das grandes preocupação do pecuarista local é com referência aos furto de gado, o abate clandestino, o abigeato. O que vem sendo feito para o combate a esse crime?

Jesus Pontes – Depois que criamos a Associação de Criadores e passamos a fazer gestão junto aos órgãos de segurança, reduziu drasticamente o furto de gado no Amapá. Temos bons parceiros hoje no combate a esse crime, e acredito que o abigeato deverá reduzir nos próximos anos, com as instituições se preparando cada vez mais, frente aos criminosos que atuam no campo amapaense.

TA – Quanto a melhoria da qualidade do rebanho amapaense, existe algum programa por parte dos pecuaristas nessa acepção?

Jesus Pontes – O Estado do Amapá tem, reconhecidamente por todo o Brasil, um dos melhores rebanhos, em qualidade genética de bubalinocultura. Quanto ao programa, estamos trazendo para o Amapá o Programa de Melhoramento Genético dos Bubalinos (PRONEBUL), que busca melhorar ainda mais e fazer estudos desse tema, tanto para genética de animais para leite, quanto a produção de genética animais para carne. A evolução nunca para, e o Amapá não pode parar. Entendemos que incrementar cada vez mais o processo e o advento do FIVE – Fertilização In vitro – em tempo fixo, iremos dar um salto quanto a qualidade da carne e do rebanho do Estado, que já está acontecendo.
No confinamento, os alimentos e água necessários à sobrevivência dos bovinos são fornecidos no cocho.


TA – Como estão sendo executadas, no Amapá, essas ações para a melhoria da qualidade da carne do rebanho local?

Jesus Pontes – Inseminação Artificial, esta é a ideia. Fazer a inseminação das matrizes do Estado, com sémen de alta qualidade de animais importados de outros Estados.

– Jesus Pontes é amapaense nascido em Santana, filho dos paraenses Iracema Pontes da Silva e Manoel de Jesus Góes da Silva e irmão do Ruzo, Ruzivan e Rusiana de Jesus Pontes da Silva. Considera também como irmão, o primo, Carlos Pontes (Carlinho).
– Técnico em administração de empresas pela Escola Comercial Professor Gabriel de Almeida Café, formado em economia pelo Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP) e MBA em Gestão empresarial pela FGV e empresário rural no Estado do Amapá.
– Como experiência profissional, atuou como economista no governo do estado do Amapá, participou da equipe que captou recursos do Banco Mundial – BIRD (Projeto Comunidades Duráveis) e Banco Interamericano de desenvolvimento – BID (Programa de melhoria da qualidade de vida do Amapá) e foi coordenador das equipes executivas, e coordenador de programas de cooperação na Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado do Amapá – ADAP. Também presidiu a Companhia de Gás do Amapá – GASAP. Atualmente é o presidente da Associação dos Criadores de Animais do Amapá – ACRIAP, que congrega a classe dos pecuaristas do Estado do Amapá, e membro fundador da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Amapá – APROSOJA-AP, onde exerceu o cargo de Diretor Financeiro no biênio 2014/2016.

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