TERAPIAS NATURAIS
NA 1ª CONFERÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Em artigo anterior já me manifestei
sobre a realização da 1ª CNVS. É a primeira Conferência de Vigilância depois de
29 anos do SUS, com o retorno de temas vistos na 8ª CNS, em 1986, que lançou os
princípios do SUS: “Saúde como Direito,
Reformulação do Sistema de saúde e Financiamento do Setor”. Rediscutir o
que já deveria ter sido garantido, foi reconhecer que não foi cumprido
plenamente pelos governos.
Coincidência
ou não, também voltou com um tema proposto na 8ª CNS/1986, sobre as terapias “alternativas”, hoje chamadas complementares,
indicadas pela OMS desde 1979. No Brasil transformou-se em politica pública
somente em 2006, após décadas de lutas para entrar no sistema de saúde,
integrando a Política Nacional de
Práticas Integrativas e Complementares - PNPIC/SUS.
Essa reflexão inicial destina-se a justificar
o porquê de nossa insistência em considerar que tanto a 1ª Conferencia de
Vigilância (29 anos), quanto a politica das terapias complementares (PNPIC/ SUS)
estão em atraso, resultado do descaso e omissão dos gestores e governantes.
Como vemos, o SUS deixou de ser a
tão propalada inovação de ser o “maior plano social dos direitos da saúde”,
propagandeado pela classe politica brasileira, para tornar-se num arremedo de
leis descumpridas, ou seja, o usuário
tem o seu direito tolhido de acesso á uma consulta simples, a um exame de
rotina, a um leito para internar-se, a um remédio para tratar doenças básicas. O
retorno da Febre Amarela no Sudeste, mostra que houve omissão da promoção e da
vigilância em saúde.
O sistema público brasileiro, com estratégias
importadas de outros países, como o PSF, Agentes Comunitários de Saúde,
Municipalização e “Mais Médicos”, não conseguiu universalizar o atendimento e
nem garantir a equidade na assistência. Continuamos com “Medicina de Pobre”
(periférica) e “Medicina de Rico” (urbana).
Em relação às terapias complementares
no SUS, foram foco de propostas em quase todas as Conferencias nacionais,
incorporando as experiências exitosas nos estados e municípios, tornando-se
oficial no SUS somente em 2006, vinte anos após sua proposição. Muitos estados
do Sul e Sudeste, de vocação agrícola e influencia europeia e oriental,
avançaram no estudo e aplicação dessas terapias.
Fitoterapia:
cápsulas, pó e folhas.
Fava de Jucá: tintura e
gel(IEPA)
No Amapá damos destaque aos
trabalhos do IEPA, com plantas medicinais, cuja Fitoterapia atingiu destaque na
década de 90, mas não avançou na pesquisa básica, por falta de apoio
institucional e governamental. O
PROFITAP, que pretendia incluir as plantas medicinais na rede pública, entregue
ao GEA em 2007, foi engavetado.
Assim como a omissão na vigilância
sanitária fez retornar doenças já erradicadas (Febre Amarela), os gestores e
governantes durante todos esses anos, em particular no Amapá, não souberam valorizar
as terapias naturais, abandonando as experiências exitosas e deixando de
aproveitar as potencialidades regionais. Dos investimentos públicos a única
exceção é o CRTN, que permanece até hoje (14 anos), embora com outro nome
(CERPIS).
A gestão do CRTN fez sua parte. No período 2011-2012, tendo a frente o Médico Jarbas
Ataíde, avançou modestamente: realizou 2 audiências públicas ( Câmara de
Vereadores de Macapá e ALAP), elaborou Notas Técnicas dos Procedimentos em
terapias complementares, visando normatizar as práticas; realizou o 1º
Seminário Interno de Avaliação das terapias; realizou 2 ações de saúde no
interior do estado (Paredão-FG e Tartarugalzinho); inscreveu a unidade de saúde
no CNPJ, o que facilita parcerias público-privadas; comprovou que o órgão
trazia recursos e aumentou a verba para sua manutenção e custeio,. Macapá-AP, 08.03.18.
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