Serra do Navio conquista a propriedade definitiva de suas
terras e avança a Regularização Fundiária
Da Editoria
“Com quase 26 anos de existência a serem
completados no próximo mês de maio, o município de Serra do Navio, garantiu,
finalmente, no último dia 6 de março, a propriedade definitiva de suas terras
com o registro dos 312 hectares correspondentes à área da sede municipal no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca local, destravando a continuidade do
Projeto de Regularização Fundiária e Cidadania, Valorização Histórica,
Urbanística e Ambiental da cidade serrana”. A informação é da coordenadora
técnica do Projeto pela Comissão de Regularização Fundiária da Universidade
Federal do Pará (CRF-UFPA), Maria do Carmo Silva, ao receber o Ofício nº 033/18,
assinado pela Tabeliã e Oficiala, Cláudia Soares, demonstrando a Certidão de
Registro Geral de Inteiro Teor dos Imóveis da Vila de Serra do Navio. O
documento foi encaminhado à Comissão pelo prefeito municipal Elson Belo Lobato.
O registro custou R$ 20.396,58 aos cofres municipais.
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| Érica Diogo, do Iphan Brasilia, e Gabriel Outeiro, consultor jurídico da CRF-UFPA |
Segundo Maria do Carmo, com o cumprimento de
mais esta etapa, a regularização ganha impulsos definitivos. As próximas etapas
serão: o debate do projeto de lei na Câmara de Vereadores estabelecendo os
procedimentos legais da regularização fundiária; o licenciamento ambiental do
projeto de regularização e, posteriormente, o registro da planta de
parcelamento do solo no cartório da cidade, além de iniciar as primeiras titulações
das famílias beneficiadas. O imóvel
transferido para Serra do Navio, conforme o Relatório de Valor de Referência
(RVR) nº 11/2016, datado de 3 de novembro de 2016 pela SPU-Amapá, foi avaliado
em mais de R$ 45 milhões.
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| Gestores da Prefeitura de Serra do Navio com as certidões de propriedade definitiva das terras municipais |
HISTÓRIA
Iniciado em 2013 o projeto é uma parceria envolvendo
representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)
e da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), além da atuação de gestores
da Prefeitura Municipal de Serra do Navio, da Universidade Federal do Pará
(UFPA) e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP). A regularização visa garantir o direito social
à moradia, assegurando a titulação das casas em nome dos moradores, conforme
determina a legislação brasileira e valorizar o patrimônio histórico
urbanístico e ambiental tombado, buscando promover melhores condições para o desenvolvimento
municipal.
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| Reunião de Cláudia Soares, à esquerda, do Cartório de Serra do Navio com Elson Lobato, prefeito, e Maria do Carmo, da CRF-UFPA. |
PROJETO DE LEI
Gabriel Outeiro, consultor jurídico da CRF-UFPA,
explica que a minuta inicial do pré-projeto de lei foi construída pelas equipes
interdisciplinares da Comissão propondo as primeiras normas relativas à
regularização dos assentamentos urbanos de Serra do Navio. Em seguida, o
documento foi debatido na Câmara de Vereadores com os membros do GTM-SN,
composto por 18 representantes dos segmentos públicos, empresarial,
instituições religiosas e lideranças da sociedade civil, incorporando as
sugestões da comunidade. O projeto é composto por quatro capítulos e 15 artigos
e será encaminhado ao prefeito municipal, que o remeterá à Câmara de Vereadores
para o debate e definição do Legislativo.
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| Equipe da CRF-UFPA avalia as próximas etapas da regularização em Serra do Navio |
PARCELAMENTO DO SOLO
Para a arquiteta da Comissão, Keila Almeida,
com o registro da propriedade da área, a Prefeitura de Serra do Navio
solicitará ao Iphan-Macapá a validação do projeto de parcelamento do solo
considerando que se trata de área tombada, dando continuidade às etapas legais.
O parcelamento foi apresentado em reunião comunitária ocorrida em abril de
2017, no Ginásio de Esportes da cidade, com a participação de mais 150
famílias, e demonstrou os atuais lotes, casas, quadras e o sistema viário nas
vilas Primária, Intermediária e Staff. A planta orienta o desenvolvimento
sustentável da cidade e indica as novas áreas de expansão urbana.
MARCO
Para o prefeito de Serra do Navio, Elson Belo
Lobato, a Certidão de Averbação e de Inteiro Teor emitida pelo cartório foi
custeada com as economias municipais de 2017. “O documento representa um marco
histórico fundamental na regularização fundiária e reforça o papel da
administração pública na construção da paz social para a comunidade serrana
visando garantir o direito à propriedade, conforme a Constituição brasileira.
Respalda, também, os esforços da prefeitura para ampliar o desenvolvimento
municipal. Somos gratos ao trabalho realizado em parceria com o IPHAN, SPU,
UFPA e a Caixa Econômica Federal (CEF), entre outros, e aos servidores e a
equipe do governo que lutam em prol do projeto de regularização fundiária e a
cidadania”, comemorou.
AVALIAÇÃO
Maria do Carmo da Silva, coordenadora do
projeto, avalia que desenvolver a regularização na Amazônia Legal exige um
amplo trabalho de equipe e a necessidade de acompanhar as mudanças na
legislação fundiária para serem aplicadas em Serra do Navio. “Estas alterações
legais impõem ajustes para o cumprimento de etapas firmadas com as instituições
parceiras e temos que ser transparentes com a comunidade. O cumprimento destas
etapas obedece a uma sequência legal, embora as famílias vislumbrem a urgência
do direito social à moradia. No entanto o registro da propriedade da terra em
nome do município destravou o projeto. Destaco que a regularização estabelecerá
com a comunidade e o poder público local um conjunto de direitos, deveres e a
necessidade de um monitoramento permanente para o cumprimento da preservação
deste modelo de arquitetura e urbanismo, revelando a história e a identidade da
cidade, que foram reconhecidos como patrimônio histórico em plena floresta
amazônica, após o seu tombamento”, finaliza Maria do Carmo. (Fonte: Texto e
fotos - Kid Reis - ASCOM-CRF-UFPA)
HISTÓRIA E CULTURA
O atual município nasceu como Vila de Serra
do Navio, que tinha como finalidade de abrigar os funcionários da mineradora
ICOMI que extrairia o manganês amapaense por 50 anos (até 2003). Mas as
reservas se esgotaram e a ICOMI deixou a Serra do Navio. Comandada pela empresa,
a Vila sempre foi autossuficiente, provendo aos moradores tudo o que
precisassem, sem a necessidade de se locomover até a capital. O modelo
implantado no local era de estilo norte-americano, com casas térreas, longos
jardins; seguindo um padrão de organização e crescimento invejável a qualquer
cidade grande. Um exemplo do crescimento esteve na área de saúde. Muitas das
técnicas médicas e cirurgias realizadas na Serra do Navio eram avançadas para o
momento, e que nem as grandes cidades realizavam, ou realizam até hoje. Após
1992 a Prefeitura tomou conta da cidade e passou por um processo de
dificuldades, pois foi difícil manter o padrão da ICOMI na região. Aos poucos,
o Poder Público está se recompondo e fortalecendo a Serra do Navio, principalmente
com investimentos na área de turismo.
Construída em plena floresta amazônica, entre
o final da década de 1950 e o início dos anos 1960, Serra do Navio foi
planejada para abrigar o contingente de moradores da periferia da Vila Operária
da Icomi. Com a desativação da mineradora, o local passou por profundas
transformações. Ainda abriga empresas mineradoras, mas de menores proporções.
Desmembrado do município de Macapá em 1992,
Serra do Navio foi chamado inicialmente de Água Branca do Amapari, retornando
ao nome original no ano seguinte.
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
Elevado à categoria de município com a
denominação de Água Branca do Amapari, obedecendo o artigo 3º, da Lei
Complementar n.º 01, de 17-03-1992, desmembrado do município de Macapá. Sede no
atual distrito de Água Branca do Amapari. Constituído do distrito sede.
Instalado em 01-01-1993.
Pela Lei Estadual nº 76, de 22-06-1993, o
nome do município foi alterado para Serra do Navio.
Em divisão territorial datada de 1995, o
município é constituído do distrito sede.
Em divisão territorial datada de 2001, o
município é constituído de 2 distritos: Serra do Navio e Cachaço.
Assim permanecendo em divisão territorial
datada de 2015.
ATRAÇÕES
Centro: O centro do
município de Serra do Navio é bastante tranquilo, e é possível, durante uma
caminhada, conhecer a arquitetura do local, influência norte-americana no
desenvolvimento. Um dos destaques é a Igreja, voltada para todas as religiões.
Corredeira da Pedra Preta – com espaço para
piqueniques, banho e mergulho, a Corredeira da Pedra Preta percorre boa parte
do município e deságua no Rio Amaparí. Próximo do rio, dependendo da época do
ano, o desague se parece com uma longa cachoeira.
ICOMI: A empresa que
"desenvolveu" a cidade de Serra do Navio acabou deixando o município
após acabar com todas as reservas de manganês da região. Hoje, o local da
fábrica ainda está de pé, com todo o maquinário antigo, mas já em estado de
decomposição.
Lagoa Azul: Com uma
pequena caminhada, é possível chegar em uma grande lagoa, que chama atenção por
sua coloração. A Lagoa Azul é uma das atrações mais visitadas na Serra do
Navio, e é própria para um banho rápido. A cor azul anil é dada por conta dos
minérios da região.
Trem: A viagem de Macapá à
Serra do Navio pode durar seis horas e passa pelos municípios de Santana, Porto
Grande, Pedra Branca do Amapari. Do trem, é possível apreciar a paisagem e
também acompanhar algumas empresas que ainda estão ativas na extração de
minérios na região.








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