Felicidade se compra em 12 vezes, sem juros, no cartão de crédito?
O mês de dezembro chegou e
com ele também começam a surgir convites para festas e reuniões de
amigos-secreto, sofisticadas vinhetas de fim de ano e inúmeras propagandas
convocando para um Natal feliz, cheio de presentes trocados por gente bonita,
alegre e carinhosa. Tudo muito animador, mas pouco realista num país com sérios
problemas socioeconômicos. Em meio a tudo isso, um problema ainda mais grave: a
melancolia que esta época do ano traz para muitos idosos, principalmente as
mulheres desempregadas e as idosas, que são mãe de netos e bisnetos e estão
desempregadas e recebem a Bolsa família ou aposentadoria mínima do INSS o que
contrasta com tanta animação.
Na opinião de especialista
em psicologia com ênfase em geriatria, "as festas de fim de ano mobilizam
muitos afetos de forma geral, sendo que nos mais velhos podem evocar memórias e
sentimentos que resultam que resultam em manifestações de inquietação e
angústia durante o período".
Esse mês de festanças
mundiais, pela parte religiosa que é comemorada pelos cristãos e pelos nãos
cristãos, como a data de nascimento do Messias, Jesus e pela passagem de um
Novo Ano se torna cruel, quando temos uma sociedade com uns com muito e outros
com muitíssimo menos, uma crise econômica braba tonando o mês de Dezembro o mais
cruel dos meses, para a maioria das famílias que vivem na linha da pobreza.
Em dezembro as pessoas
rendem-se ao consumismo desenfreado e, obedientes às luzinhas chinesas e aos
obesos papais-noéis, inundam as ruas como se estivessem entorpecidas. Torna-se,
então, obrigatório ser feliz – como se a felicidade dependesse única e
exclusivamente do nosso poder de compra.
O costume de oferecer presentes de Natal,
assim como ocorre hoje em dia, é uma tradição recente, e faz parte do
calendário de datas que alavancam a economia – como o Dia das Mães, o Dia dos
Namorados, o Black Friday. Aquilo que poderia ser uma manifestação legítima e
simpática de lembrança do outro, transformou-se num exercício narcísico: damos
presentes na exata medida da nossa expectativa de receber ou então damos
presentes como forma de nos impor socialmente. E, hipnotizados pela falsa
sensação de bem-estar proporcionada pelo consumo, não medimos as consequências
das nossas ações, pois ao nosso lado temos crianças e idosos que não podem
fazer o mesmo, mas tem os mesmos sonhos e desejos nossos.
Neste Natal, cerca de 13
milhões de pessoas estarão desempregadas – 63,7% do total são pardos ou pretos,
segundo definição do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). De
acordo com o Banco Mundial, 45,5 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha
da pobreza. No entanto, todos, empregados e subempregados, estão, em dezembro,
bombardeados com a mesma mensagem: compre, senão você não será feliz, ou em
outras palavras: ‘felicidade se compra em até doze vezes, sem juros, no cartão
de crédito’.

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