domingo, 16 de dezembro de 2018

PAPO DE MULHER - JAMILLE GATO








'DEZEMBRO DE OPORTUNIDADES’

Felicidade se compra em 12 vezes, sem juros, no cartão de crédito?

O mês de dezembro chegou e com ele também começam a surgir convites para festas e reuniões de amigos-secreto, sofisticadas vinhetas de fim de ano e inúmeras propagandas convocando para um Natal feliz, cheio de presentes trocados por gente bonita, alegre e carinhosa. Tudo muito animador, mas pouco realista num país com sérios problemas socioeconômicos. Em meio a tudo isso, um problema ainda mais grave: a melancolia que esta época do ano traz para muitos idosos, principalmente as mulheres desempregadas e as idosas, que são mãe de netos e bisnetos e estão desempregadas e recebem a Bolsa família ou aposentadoria mínima do INSS o que contrasta com tanta animação.
Na opinião de especialista em psicologia com ênfase em geriatria, "as festas de fim de ano mobilizam muitos afetos de forma geral, sendo que nos mais velhos podem evocar memórias e sentimentos que resultam que resultam em manifestações de inquietação e angústia durante o período".
Esse mês de festanças mundiais, pela parte religiosa que é comemorada pelos cristãos e pelos nãos cristãos, como a data de nascimento do Messias, Jesus e pela passagem de um Novo Ano se torna cruel, quando temos uma sociedade com uns com muito e outros com muitíssimo menos, uma crise econômica braba tonando o mês de Dezembro o mais cruel dos meses, para a maioria das famílias que vivem na linha da pobreza.
Em dezembro as pessoas rendem-se ao consumismo desenfreado e, obedientes às luzinhas chinesas e aos obesos papais-noéis, inundam as ruas como se estivessem entorpecidas. Torna-se, então, obrigatório ser feliz – como se a felicidade dependesse única e exclusivamente do nosso poder de compra.
 O costume de oferecer presentes de Natal, assim como ocorre hoje em dia, é uma tradição recente, e faz parte do calendário de datas que alavancam a economia – como o Dia das Mães, o Dia dos Namorados, o Black Friday. Aquilo que poderia ser uma manifestação legítima e simpática de lembrança do outro, transformou-se num exercício narcísico: damos presentes na exata medida da nossa expectativa de receber ou então damos presentes como forma de nos impor socialmente. E, hipnotizados pela falsa sensação de bem-estar proporcionada pelo consumo, não medimos as consequências das nossas ações, pois ao nosso lado temos crianças e idosos que não podem fazer o mesmo, mas tem os mesmos sonhos e desejos nossos.
Neste Natal, cerca de 13 milhões de pessoas estarão desempregadas – 63,7% do total são pardos ou pretos, segundo definição do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). De acordo com o Banco Mundial, 45,5 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. No entanto, todos, empregados e subempregados, estão, em dezembro, bombardeados com a mesma mensagem: compre, senão você não será feliz, ou em outras palavras: ‘felicidade se compra em até doze vezes, sem juros, no cartão de crédito’.

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