Um ouvido, excelente remédio para a solidão
Tem
algum idoso na sua casa ou alguém que vive isolado, pensativo, sempre com
aquele ar contemplativo? Tem! Então, meu amigo, tire um pouco do seu tempo e se
aproxime dessa pessoa, e insira ela na vida social do seu lar ou da sua
família. Se não já-já vais ter alguém triste e a beira da depressão. Não
discorro sobre depressão pelo viés da medicina, absolutamente, pois sei que é
um caminho extremamente técnico, então deixa isso para os psicólogos e psiquiatras.
Minha
abordagem aqui é da solidão em que vivem muitos idosos e que a falta de
companhia deixa a vida dessas pessoas cada vez sem graça, triste. Eu sei que
idoso quando conversa tem como assunto principal o passado, lógico. Contar sua
história enfatizando as lutas estabelecidas com a vida e suas vitórias, ‘nossa’,
é extasiante para os idosos, mas... meu amigo... seu ouvido tem um poder
rejuvenescedor para aquele ancião. Creia nisso!
Segundo
a OMS-Organização Mundial de Saúde no mundo, dados de 2017, existem 320 milhões
de pessoas com depressão, com certeza as causas são as mais diversas, porém o
abandono do idoso deve ter uma contribuição significativa nesse contexto.
E com
o aumento da expectativa de vida do brasileiro que chegou em 2018 aos 76 anos,
a maior da história, o mundo observa a formação de um exército de solitários.
Nessa fase da vida o idoso solitário se depara com situações delicadas, como a
perda ou o afastamento de pessoas queridas, doenças, aposentadoria, perda do corpo
jovem e da independência, entre outros, porém a sensação de abandono, da
inutilidade, contribui muito para isso. Aí o elixir é o ouvido do familiar ou
amigo.
A
solidão tende a ser vista como um fato isolado, passageiro, sendo até mesmo mal
interpretada como ‘frescura’ ou excesso de sensibilidade, quando na verdade
pode estar atrelado a outras condições e pode evoluir para um quadro mais
grave, como o da depressão, levando até ao suicídio.
Na
condição de radialista/jornalista faço um programa de radiojornalismo. A regra
geral é abrir com a escala de manchetes, previsão do tempo, ronda policial...
Notícia e notícia e notícia... Entrevista sisuda, nem uma linha fora do tema.
Graças a Deus não vejo assim o troço. Leio um salmo e avanço e me lambuço nos
abraços de bom dia. Falo de amor ao próximo e quando um ouvinte liga para falar
um pouco de seus problemas ouço com todo carinho.
As
notícias, os comentários e as entrevistas vão sendo repassadas com
tranquilidade. Já optei, faz tempo, por um jornalismo com ênfase as notícias
positivas e agora chamo o ouvinte para tomar café. Chega! O mundo já está
demasiadamente embrutecido, o jornal que apresento não iria contribuir em nada
fazendo o modelo de todo mundo. Fazemos a diferença exatamente por sermos
diferentes. Alguém vai dizer: isso não é jornal! Então não é, mas enquanto eu
estiver a frente, vai continuar exatamente assim.
Portanto,
ouça seus avós, seus tios, seus velhos. O cabelo quando pinta é três vezes
trinta. Porém a experiência e a sabedoria são divinas. Beijos!
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